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Qual a melhor dieta?

Novos planos alimentares surgem para quem quer perder aqueles quilinhos extras ou mesmo por questão de saúde. Especialistas alertam que o melhor é respeitar as características de cada um


postado em 28/04/2019 05:06

O psicólogo Maurício Brum diz que se sente mais bem-disposto depois que adotou a dieta cetogênica para complementar um tratamento contra o câncer(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O psicólogo Maurício Brum diz que se sente mais bem-disposto depois que adotou a dieta cetogênica para complementar um tratamento contra o câncer (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Os índices de obesos e de pessoas com sobrepeso são alarmantes. Segundo dados do Ministério da Saúde, 18,9% da população acima de 18 anos é obesa e 53,9% da população brasileira tem sobrepeso. Com isso, vêm surgindo novas propostas de planos alimentares e protocolos para perda súbita de peso. De acordo com Lucas Penchel, médico generalista, nutrólogo e diretor da Clínica Penchel, é preciso ter senso crítico na hora de iniciar alguma dieta. “As pessoas prometem muitas coisas e boa parte da população acaba comprando a ideia baseada na emoção, já que está em desespero para a perda rápida de peso”, alerta.


Para quem quer começar a seguir um plano alimentar, segundo o nutrólogo, a primeira coisa a fazer é procurar um profissional capacitado, que vai pedir exames laboratoriais para identificar qualquer alteração. O especialista, então, vai oferecer um plano alimentar elaborado com base nos objetivos, na rotina e, principalmente, no paladar da pessoa. Depois, vêm a antropometria e a pesagem, medidas feitas para avaliar os resultados após o início do tratamento.


O que é remédio para uns, pode ser veneno para outros. “Quando a pessoa faz uma dieta que é destinada para outra, ela corre vários riscos”, comenta o nutrólogo. Por isso, é necessário avaliar cada indivíduo, sua faixa etária, seu IMC, se é portador de alguma doença e aliar isso tudo aos objetivos do paciente.
Uma das novas tendências é a denominada dieta cetogênica, que vem desafiando a pirâmide alimentar padrão. A proposta é diminuir drasticamente os carboidratos – em geral, a pessoa ingere 50 gramas por dia – e aumentar a quantidade de gorduras. Estudos demonstram que a dieta pode auxiliar no controle das convulsões em pacientes epilépticos, e nos tratamentos do câncer e do Alzheimer. Porém, como todas as dietas, a estratégia funciona para um grande grupo de pessoas, mas não para todo mundo.


O psicólogo Maurício Brum, de 47 anos, trata um melanoma em metástase e já tinha lido sobre os benefícios da alimentação cetogênica para pacientes com câncer. A ideia de aderir à dieta foi abordada por ele em uma consulta com a sua nutricionista. “Realmente, a célula cancerígena se alimenta de açúcar. Quando você decide cortá-lo totalmente, acaba encontrando a dieta cetogênica.” Ele está fazendo imunoterapia e acompanhando uma boa evolução do tratamento.


No começo, teve um pouco de dificuldade em se adaptar à dieta – alguns sintomas aparecem na fase inicial da mudança. Maurício sentia dores de cabeça, mau hálito e enjoo. Porém, ele garante que, depois de três dias, não tinha mais do que se queixar. “Hoje, me sinto mais disposto, diria até que mais vivo”, afirma o psicólogo.


Maurício também observou uma perda de peso. Do fim do ano passado até hoje, ele já eliminou seis quilos e, em outra época em que fez a dieta, chegou a perder 30 quilos. “Antes de ir malhar, tomo apenas uma xícara de café com óleo de coco”, comenta. Ele frequenta a academia pelo menos três vezes por semana e garante que a crença de que uma alimentação sem carboidrato não fornece energia é falsa.

CUIDADOS Fazer dietas com baixa ingestão ou restrição alimentar pode ser prejudicial para a saúde. Além da perda de gordura, pode ocasionar a perda de massa magra. “Essa perda de músculo não é saudável. Inclusive, estudos mostram a ligação dela com a redução da expectativa de vida e oxidação, que leva também ao aparecimento de rugas e ao envelhecimento cutâneo”, frisa. Quando perde massa, o adepto fica com o corpo mais flácido também. “Então, tem que tomar muito cuidado com essas dietas restritivas”, explica.


Além disso, quando a perda de peso é ainda mais significativa, pode ocorrer uma hipovitaminose, que é a deficiência de vitaminas B1, B2, C e B12, e de ferro. E, consequentemente, a pessoa pode vir a adquirir a anemia ferropriva, megaloblástica ou, até mesmo, uma doença chamada de beribéri, que é a deficiência de tiamina.


O psicólogo não enxerga a dieta cetogênica como estratégia. Para ele, a alimentação se tornou um estilo de vida. Como o foco dele é o câncer, Maurício enxerga que se adaptar é uma necessidade ainda maior. “A maior vantagem é saber que não estou produzindo o alimento do meu câncer. Não posso descuidar. A alimentação é fundamental.”


Penchel diz que, quando o indivíduo faz uma dieta saudável, seja ela para queda de cabelo, estresse, sono e tratar de uma anemia, seja para qualquer disfunção intestinal, ele emagrecerá. “Hipócrates, pai da medicina, antes de Cristo, já dizia: ‘Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio’. Então, o plano alimentar adequado é realmente o caminho para a prevenção de todas as doenças”, conclui.


Nesta edição, o Bem Viver convida o leitor para desvendar mitos e verdades sobre dietas que ganham fama no meio nutricional. Entender os riscos de uma dieta sem orientação médica e que é necessário também mudar um estilo de vida sedentário são bases para entrar com tudo em uma alimentação saudável e sem restrições drásticas.

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares


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