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Vida com qualidade

A ideia fundamental da qualidade é a melhoria contínua no nosso modo de viver


postado em 09/12/2018 05:06

 

 

 

 











Há poucos dias, assisti a uma palestra sobre qualidade de vida e saí de lá desanimado. Parece que está tudo errado comigo e que tenho de ser perfeito. Gostaria que você escrevesse sobre isso.

Felipe, de Belo Horizonte


A febre pela qualidade chegou ao Brasil há alguns anos, por meio das técnicas de qualidade total importadas do Japão, via Estados Unidos, pelas empresas. Tornou-se moda implantar a qualidade total nas organizações e, posteriormente, passou a ser exigência do mercado, cada vez mais competitivo, as certificações de qualidade: as famosas ISOs. Essa nova visão trouxe inúmeros benefícios na relação das empresas com seus clientes, seus fornecedores e seus empregados.

O avanço do poder do consumidor fez com que as empresas se preocupassem com a qualidade de seus produtos e serviços. Foi, portanto, uma onda que beneficiou todos nós. O conceito de qualidade alastrou-se para outros aspectos, indo desembocar na propalada qualidade de vida, que renderam tantas palestras, campanhas e seminários sobre o assunto.

Que é importante aumentarmos nossa qualidade na maneira de viver, ninguém tem dúvida. Mesmo porque, a qualidade de vida é sinônimo de felicidade, que é nosso objetivo último na existência. Se a condição humana, por ser limitada, está impregnada de dores e dificuldades, temos de amenizá-la, procurando formas de viver mais prazerosas e significativas.

Algumas distorções, porém, apareceram nesse processo e que, talvez, sejam o motivo da desmotivação do leitor acima depois da referida palestra. A principal distorção é considerar qualidade como sinônimo de perfeição. É como se a ausência de qualquer erro levasse necessariamente à felicidade. A ideia fundamental da qualidade é a melhoria contínua no nosso modo de viver. E a melhoria só é necessária porque somos imperfeitos, limitados, contingentes. A pregação moralista da perfeição nos leva, ao contrário, à acomodação e ao desânimo.

 

 

 

 

 

O perfeccionismo é uma resistência ao crescimento e gera sentimentos negativos de culpa e de frustração. Qualidade, ao contrário, é um conceito que, em vez de negar o erro, nos incentiva a aprender com ele, tornando-o nosso aliado em busca de uma excelência cada vez maior.

Qualidade de vida, nesse sentido, é mais o nosso compromisso com o autodesenvolvimento. Começa pela aceitação dos nossos limites e o desejo de desenvolver nosso potencial. O verdadeiro prazer vem da expansão de nossos talentos e não da inibição de nossos defeitos. Uma outra distorção foi medir a qualidade pela quantidade de resultados alcançados. São dois conceitos importantes, mas diferentes. Culturalmente, somos obcecados pela ideia da quantidade e desprezamos a ideia da qualidade. Nossos olhos são forrados com números e cifrões.

– Quantos filhos você tem?

– Quanto você ganha?

– Qual a sua nota no vestibular?

– Quanto tempo de casamento?

A quantidade é importante, mas como margem do rio. A água da vida é a qualidade. É “como” estamos vivendo e agindo. Qualidade é inteireza, é totalidade. É a forma alegre e amorosa de se comprometer com a trajetória existencial. Quando temos notícia da morte de alguém, a primeira pergunta que nos assoma à cabeça é: – Quantos anos ele tinha.? Na visão qualitativa da vida, a pergunta fundamental seria: – Como era a vida dele.?

O amor e a dedicação com que fazemos as coisas, a intensidade das nossas relações, o compromisso total com a existência são as verdadeiras características da qualidade de vida.

Ser inteiro é entregar-se de corpo e alma a todos os momentos de nossa vida, embora alguns sejam de erros, quedas e perdas. Estamos na vida não para “ter” o máximo, mas para “ser” o mais possível.

Qualidade de vida é aprender a ver a vida com muito amor.


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