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Estado de Minas

De faxineira a empresária de sucesso: conheça a produtora mineira de doces Mazé Lima

Compotas e frutas cristalizadas feitas pela empreendedora sustentam cadeia de pequenos produtores. Empresa cresce, mantendo opção por matéria-prima orgânica


postado em 02/12/2019 04:00 / atualizado em 02/12/2019 10:02

A produção de doces de Mazé demandou 71,6 toneladas de frutas neste ano, adquridas por safra, tendo como base os preços da CeasaMinas (foto: divulgação/Mazé Doces)
A produção de doces de Mazé demandou 71,6 toneladas de frutas neste ano, adquridas por safra, tendo como base os preços da CeasaMinas (foto: divulgação/Mazé Doces)

A mineira Maria José Lima, conhecida como Mazé Lima, ganhou notoriedade pela história de vida marcada por superação e o crescimento da empresa criada e comanda por ela. Após ter perdido o emprego no serviço de limpeza de um banco, há 20 anos, resolveu preparar e vender doces. O negócio prosperou. Hoje, a Mazé Doces produz cerca de 4 a 5 toneladas por mês e seus produtos estão em mais de 80 pontos de vendas no país. A bem-sucedida iniciativa também estimula a economia de regiões onde frutas são buscadas como matéria-prima, mantendo parceria com pequenos agricultores.
 
Mazé, que, além de faxineira, também trabalhou no campo, adquire frutas de produtores de Carmópolis de Minas, no Oeste do estado, a 110 quilômetros de Belo Horizonte. Na terra natal, ela incrementou sua produção. “Fazer doces sempre foi uma alegria pra mim.Uma coisa que me deixa feliz é falar do produtor rural. Quando comecei (a produção de doces), a gente já comprava muita abóbora e mamão, sempre produzidos nos quintais”, afirma Mazé Lima, que, pelo fato de ter se tornado exemplo de superação e êxito no negócio, tornou-se também palestrante sobre o empreendedorismo.

Nas palestras, ela narra sua trajetória e detalha a expansão da empresa, que tem 24 funcionários. Entre frutas cristalizadas, como figo e mamão; e compotas, como a de jabuticaba, a Mazé Doces trabalha com mais de 200 produtos. Em 2019, a empresa adquiriu 71,6 toneladas de frutas. A ex-trabalhadora rural também degusta o doce sabor dos lucros: a empresa tem previsão de ganho de R$ R$ 1,6 milhão neste ano.
 
A empresária diz que mesmo com o crescimento do seu negócio, prefere continuar comprando as frutas de pequenos produtores, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos e evitar os agrotóxicos. “Não queremos comprar de grande lavouras, pois elas têm agrotóxico e a gente não quer isso. Procuramos matéria-prima de boa qualidade, que seja o mais orgânica possível, sem nada de agrotóxico. E os pequenos produtores não usam defensivo na produção de mamão, por exemplo”, afirma.
 
Mazé Lima destaca que vários moradores de Carmópolis passaram a cultivar mamão e outras frutas para vender à indústria de doces caseiros. “Isso é uma coisa muito boa para a economia local. É muito bom saber que, de uma certa maneira, estamos contribuindo para o crescimento da economia de base da região”, observa, acrescentando que, atualmente, tem cerca de 20 a 30 fornecedores cadastrados.

Pagamento à vista

Ela se recorda de que, entre as frutas adquiridas de pequenos produtores pela empresa na região de Carmópolis estão mamão, abóbora, limão, laranja da terra e jabuticaba. “Praticamente 80% das nossas frutas são adquiridas na região.” O restante é de abacaxi fornecido por agricultores de Frutal, no Triângulo Mineiro; figo de São Sebastião do Paraíso, no Sul do estado; e morango produzido em uma fazenda de São Tiago, na região do Campo das Vertentes.
 
“A gente trabalha com as safras. Recentemente, tivemos a safra da jabuticaba. Trabalhamos com 1 tonelada e 200 quilos de jabuticaba, toda descaroçada. Daqui a pouco virá a safra da laranja da terra. A safra seguinte será a da abobora”, descreve. De acordo com Mazé Lima, o planejamento das compras de matéria-prima é feito em todo início de ano, com a estimativa de preços a ser pagos aos fornecedores.
 
O levantamento tem como base os preços praticados na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas). “Estabelecemos o mesmo preço para todos. Temos uma lei: não causamos prejuízo a ninguém, mas também não queremos permitir que ninguém venha nos dar prejuízo”, assinala Mazé, ressaltando a importância da valorização do produto para o agricultor.
 
A empreendedora revela ainda que o pagamento dos fornecedores é feito à vista. A empresa conta com um funcionário treinado, que, a cada safra, faz a seleção das frutas na hora da compra. “Se a fruta não estiver boa, a gente não leva”, diz Mazé, admitindo que a seleção usa o critério de aproveitar ao máximo os produtos, para evitar perdas para os pequenos produtores.
 
Mazé salienta que a produção de doces de frutas cristalizadas e em compota, com matérias-primas sem agrotóxicos, alavanca as vendas. “A nossa maior atenção é com os clientes finais, que crescem a cada dia. Percebemos que as pessoas querem produtos artesanais, de boa origem, sem aditivos químicos. Estou muito feliz por ter escolhido esse tipo de negócio.”

Vínculo com a roça

O sucesso da produção de doces e as viagens para fazer palestras Brasil afora não impediram que Mazé Lima guardasse as lembranças das suas origens. Ela não perde o contato e a ligação com o meio rural, o lugar onde nasceu e começou a trabalhar, – o sítio Paiol, que pertence à família dela, em Carmópolis de Minas. Mazé morou na pequena propriedade até os 18 anos de idade.
 
“Digo que saí da roça, mas a roça não saiu de mim. O meu maior hobby, minha maior felicidade, é contemplar a natureza. As pessoas que me seguem sabem que estou com um pé na roça. Gosto demais (disso). Pra mim, o lugar em que realmente me encontro é a roça. Trabalhei muito na roça e conheço exatamente o que é plantar”, afirma Mazé. Entre outras atividades, ela ”soprou” arroz, colheu café e plantou arroz, feijão e milho. Ajudou a família e trabalhou numa fazenda vizinha do sítio Paiol.
 
A empresária ressalta a importância dos laços com a natureza. “Quando a pessoa tem contato com a natureza, realmente se torna parte dela. É da terra que a gente veio. Nada pode ser mais lindo do que você estar em contato com a mãe-terra”, avalia.
 
Em suas palestras, ela valorização as atividades desenvolvidas no campo. “Acredito que a gente pode ser feliz em qualquer lugar em que estivermos no mundo. (A mulher) pode sim ser feliz, prosperar e ter resultados financeiros na roça, desde que acredite no seu propósito, no seu sonho e faça tudo com amor”. Dentro de 10 anos, ela pretende voltar a viver no campo. (LR)


NA FÁBRICA


Volumes de frutas processadas pela Mazé Doces em 2019 

» Laranja 18,4t
» Abobora 14,8t
» Abacaxi 12,1t
» Figo 11,7t
» Limão 5,3t
» Mamão 5,1t
» Gengibre 1,2t
» Jabuticaba 1,2t
» Goiaba 1t
» Morango 0,9t








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