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Estado de Minas

Mercado do mangalarga marchador prevê alta de 25% em 2016

Negócios com cavalos da raça mangalarga marchador estão crescendo, apesar da crise. Venda de animais mais jovens é uma das alavancas. Exposição promete boa movimentação de leilões


postado em 11/07/2016 06:00 / atualizado em 11/07/2016 09:02

Nos remates voltados para potros e potras, normalmente 100% das vendas são efetivadas(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
Nos remates voltados para potros e potras, normalmente 100% das vendas são efetivadas (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)


Cada vez mais atraindo os apaixonados por cavalos, o mercado do mangalarga marchador deve fechar o ano com crescimento de 25%. No ano passado, a raça movimentou cerca de R$ 100 milhões, mostrando-se ainda mais imune à crise econômica. Atualmente, com a procura cada vez maior pelo ramo, a venda de potros tem se consolidado entre aqueles criadores que estão começando no segmento. Com preços mais acessíveis, que variam de R$ 7 mil a R$ 30 mil, os animais mais jovens se tornaram a isca ideal para quem está iniciando a criação e quer apostar na boa desenvoltura do bicho no futuro. Para se ter ideia, para os leilões voltados para potros e potras não há perdas – as vendas são de 100%.


Não é para menos. Além da paixão pelo segmento, o mercado da raça no país, segundo criadores, tende a crescer a cada ano, sem se deixar interferir pelas variações das políticas econômicas brasileiras. Tanto é que de quarta-feira ao próximo dia 23, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, ocorre a 35ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador – considerada um dos eventos mais aguardados do ano. A estimativa, segundo a organização, é de receber mais de 150 mil visitantes. A mostra, que celebra os 67 anos de atuação da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), deve movimentar R$ 20 milhões em negócios – nos leilões, shoppings de animais e vendas diretas entre os criadores. Aproximadamente 1,8 mil animais, incluindo os de pista, esporte e para remate, advindos de todas as regiões do país, participam do evento.


Daniel Borja, presidente da ABCCMM, ressalta que, em 2015, foram mais de 270 leilões, que movimentaram cerca de R$ 110 milhões. “Este ano, até agora, no mês de julho, já foram mais de 100 leilões. E, para este evento, a expectativa é alta”, comenta. A raça conta com plantel de 600 mil cabeças no país. Minas Gerais corresponde a quase metade desse número. A associação tem 12 mil associados, com 67 núcleos no Brasil e também núcleos no exterior, como a Alemanha, Itália, Estados Unidos e Argentina. “Esse é um negócio em que a crise do país não impacta muito. Apesar do momento político e econômico que o país atravessa, a raça mangalarga marchador tem boa projeção”, comenta Daniel Borja.


O valor de um mangalarga marchador varia de acordo com a linhagem e títulos do animal. Aqueles para cavalgadas podem ser adquiridos, por exemplo, pelo mesmo preço de uma motocicleta. E um animal de elite, voltado para reprodução, pode ser cotado a até R$ 2 milhões. O número de leilões e de negócios também é bem expressivo. Somente no ano passado, o mangalarga marchador movimentou mais de 200 leilões chancelados pela entidade, o que significou a venda de 4.193 produtos, entre animais, embriões, óvulos e coberturas. A média por produto girou em torno de R$ 20.697,97. A expectativa para este ano é de crescimento de 25%. Até 24 de junho, com base nos mapas encaminhados ao Setor Financeiro da ABCCMM, já haviam sido computados quase 100 leilões com a chancela da entidade. O total arrecadado com os pregões é da ordem de R$ 36,5 milhões, com a venda de 1.988 produtos.


Sobre o mercado de potros, Borja ressalta que, como criador, sempre se interessou pela compra dos animais mais novos. “Eles ainda não têm o glamour de uma égua adulta, por exemplo, mas podem custar um preço menor”, diz. Ele comenta que o mercado de potros sempre existiu justamente por causa do preço mais acessível, mas com a entrada cada vez maior de novos criadores – estima-se que a cada ano tenham 2 mil novos associados – a compra dos potros está em alta. “No leilão baby, voltado para os bichos com até 18 meses, este ano foram 45 lotes, sendo que os preços variaram de R$ 15 mil a R$ 30 mil. Somente em 2015, foram mais ou menos 50 leilões do tipo”, comemora Borja.


Adolfo Géo, proprietário do Haras Santa Esmeralda e um dos maiores criadores de cavalo mangalarga machador do país, conta que recentemente fez um leilão com 25 potros e houve 100% de venda. “É um mercado que está muito aquecido, e, por isso, a busca pelos mais novos é intensa”, afirma. Ele explica que o cavalo de até um ano, que ainda não foi treinado, pode custar em torno de R$ 15 mil. Porém, o preço aumenta à medida que o animal tem títulos, podendo chegar a custar de R$ 40 mil a R$ 50 mil. “Mas é um valor que é abaixo do que é registrado para os mangalargas adultos, que podem ser vendido até mesmo por R$ 2 milhões”, compara o criador.


Com produção de 170 animais por ano, Géo conta que, para ele, não há como esperar os potros e potras crescerem, e por isso os leva para os leilões. “Quando os criadores compram o bicho ainda novo, no futuro, cerca de três anos depois, muitas vezes ele fica melhor do que aqueles que ficaram na minha fazenda”, revela, dizendo que tudo vai depender do comprador e do investimento no treinamento. “Os investidores estão apostando em animais mais jovens para que eles se tornem campeões, já que aqueles adultos com títulos são bem mais caros. O objetivo é apostar no ganho dos potros”, ensina.

SORTE Com o mercado em expansão, a consequência é a valorização dos cavalos. Adolfo Géo lembra que, recentemente, uma égua adulta foi vendida por R$ 1,6 milhão. E, por isso, a venda dos potros se torna cada vez mais atrativa. “Ainda mais com a chegada da exposição nacional, os novos criadores querem apostar nos animais mais novos”, afirma.


Mas, ao contrário da aposta em um cavalo que já mostrou seus atributos, como é com os adultos, os potros são vistos como uma questão de sorte para o criador. Geralmente, as potras têm valor maior. “É muito difícil acertar no potro, por isso as fêmeas são as preferidas. Elas podem ser doadoras, quando são retirados seus embriões, ou matrizes, nos casos em que vão ter um filhote uma vez por ano. Assim, as chances de o criador acertar são maiores”, diz. Mas se os jovens cavalos tiverem uma boa genética, o valor deles pode chegar a R$ 50 mil, conforme destaca Daniel Borja. “Quem vai investir nos cavalos mais novos tem que ter uma fazenda, colocá-lo em um centro de treinamento e ter sorte”, comenta Borja.

 

Manchando pela vida

 

Durante a 35ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, um outro leilão promete atrair criadores apaixonados por cavalos e também por fazer o bem. Trata-se do projeto Marchadores pela Vida, que, com animais e embriões doados, promove um leilão com 40 lotes. Com o valor arrecadado, são feitas doações para instituições que ajudam pessoas em tratamento de câncer e dependentes químicos. No ano passado, o projeto arrecadou R$ 1 milhão e a expectativa é de que, este ano, seja angariado um valor parecido. Segundo conta Paula Gonçalves Reis, uma das idealizadoras do projeto, ela e o marido Antônio Lima já faziam leilões beneficentes e, para o Machadores pela Vida, juntaram com o casal de Porto Alegre, Andréa e Antônio Silva, que fazia o mesmo no Sul do país. O projeto tem o apoio da ABCCMM.

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