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Estado de Minas COLUNA

A pandemia de COVID-19 chega ao Poder Legislativo e impõe seu preço

Analistas estimam que a vacinação comece a produzir efeitos apenas no último trimestre. Até lá, é bom que os políticos usem máscara não só nas fotos


22/03/2021 04:00 - atualizado 22/03/2021 07:06

Na semana passada, deputados assumiram tom crítico ao presidente Jair Bolsonaro, devido ao avanço da pandemia no país(foto: Evaristo Sá/AFP)
Na semana passada, deputados assumiram tom crítico ao presidente Jair Bolsonaro, devido ao avanço da pandemia no país (foto: Evaristo Sá/AFP)

Quem trabalha com política sabe que muitos em Brasília só usavam máscara na hora de ser fotografados ou gravados, além de fazerem pouco caso do distanciamento social. Não se trata apenas dos mais chegados ao presidente Bolsonaro.

Mesmo alguns em espectro ideológico oposto, pareciam viver em estado de negação. A semana que passou dá indícios de que esse descaso com a doença finalmente acabou. A pandemia chegou tragicamente no Poder Legislativo, literalmente.

O Senador Major Olímpio faleceu apenas 16 dias depois do diagnóstico. Antes dele, os também senadores José Maranhão (MDB-PB) e Arolde de Oliveira (PSD-RJ) foram à óbito em função da COVID-19.

Na Câmara dos Deputados a situação é igualmente tensa. Desde março do ano passado, 88 deputados federais e 641 servidores da Casa foram infectados.

Por tudo isso, e no mesmo dia da morte do senador Major Olímpio – na última quinta-feira (18) –, o presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL), decidiu restringir por duas semanas a presença física de parlamentares e funcionários. Só que a pandemia parece ter chegado para ficar no Congresso Nacional, também em um sentido menos literal.

Na semana que passou ocorreu a primeira sessão do Congresso sob a direção dos novos presidentes da Câmara e do Senado. A condução do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi tranquila, mas os congressistas que tomavam a palavra nitidamente assumiram um tom bem mais crítico contra a atuação do governo Bolsonaro no combate à pandemia.

Certamente, o aumento das críticas foi resultado da conturbada troca do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, da tentativa frustrada da indicação da Doutora Ludhmila Hajjar, e depois da confirmação no cargo do cardiologista Marcelo Quiroga.

Além disso, os parlamentares foram vocais do sentimento popular trazido tanto pela última pesquisa do Datafolha quanto pela mais recente pesquisa XP/IPESP. Em ambas, a avaliação negativa do presidente elevou-se, para 44 e 45%, respectivamente.

É digno de nota que, em que pese o mau humor dos parlamentares, a base do governo passou em seu primeiro teste. Mesmo tendo perdido batalhas importantes nessa primeira sessão – em especial, a derrubada do veto que autoriza o pagamento de emendas parlamentares do relator do Orçamento e das comissões –; ganhou outras, como a manutenção dos polêmicos vetos ao Novo Marco do Saneamento.

Nesse último caso, os deputados entregaram 198 votos dos 462 presentes. Nada mal, considerando que o número de deputados de partidos que oficialmente apoiam o governo gira em torno dos 200 votos.

Ainda assim, tem sido cada vez mais difícil para os parlamentares defenderem um posicionamento negacionista da pandemia, com o Brasil próximo dos 3 mil mortos por dia.

Não existe qualquer dúvida para a maioria dos parlamentares que o paliativo do novo auxílio emergencial será insuficiente para manter a roda da economia girando, como ocorreu no ano passado. Aliás, na economia o cenário é igualmente preocupante.

A elevação da taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual na primeira reunião do Banco Central (BC) independente foi considerado excessivo pela maior parte dos agentes econômicos. A elevação da Selic tende a reduzir o consumo, já que o crédito fica mais caro, além de – em tese – aumentar a entrada de dólares pelo afluxo de investidores ávidos por um juro mais alto.

A decisão do Comitê de Política Monetária do BC foi no sentido de conter a inflação, impactada tanto pelo aumento de custos em dólar quanto pelo aquecimento da demanda. Os críticos dizem que economia fraca precisa de crédito barato e que a credibilidade das contas públicas brasileiras continuará afastando qualquer um, mesmo com a possibilidade de um retorno maior.

Além disso, é fato que o custo da dívida brasileira pesará mais e sobrará menos dinheiro para investimentos. Mesmo os que criticaram a decisão do Banco Central concordam com a conclusão expressa na ata do Copom: no curto prazo, só a vacina salva a economia; no médio prazo, será necessário o retorno da agenda de reformas. Aqui, a bola volta de novo a Bolsonaro e ao Congresso Nacional.

Mesmo tentando vender um discurso de “continuidade”, o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga parece vir com a missão de vacinar a população a qualquer custo e o mais rápido possível.

Os novos contratos do governo federal com Pfizer e Janssen para receber 138 milhões de doses de vacina foram uma boa notícia. Elas se somarão aos imunizantes CoronaVac e da AstraZeneca/Oxford, que já estão sendo aplicados no Brasil.

Alguns analistas estimam que o resultado da vacinação comece a produzir efeitos apenas no último trimestre. Até lá, é bom que os políticos continuem a usar máscara, e não só na hora das fotos.

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