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Ricardo Barros dá novo tom à articulação do governo federal na Câmara

Atuação do deputado contribuiu para manutenção do veto de Bolsonaro ao reajuste dos servidores.


24/08/2020 04:00 - atualizado 24/08/2020 07:27

Ricardo Barros assumiu a articulação do Palácio do Planalto na Câmara (foto: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL/ 26/12/16)
Ricardo Barros assumiu a articulação do Palácio do Planalto na Câmara (foto: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL/ 26/12/16)
“Vitória da base do governo Bolsonaro na votação do veto que assegura o rigor fiscal.” Foi com essas palavras que o novo líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR) comemorou em suas redes sociais a manutenção do veto do presidente Bolsonaro, que impede o reajuste aos salários de servidores públicos até 2021.

Alguns analistas consideram que a troca na liderança do governo do deputado Major Victor Hugo (PSL- GO) por Barros marca nova fase na articulação de Bolsonaro com o Congresso Nacional e que a vitória da semana passada seria um indício disso. Vale fazer uma retrospectiva do que ocorreu na semana passada para que se tenha pistas do que vem por aí.

"Alguns analistas consideram que a troca na liderança do governo do deputado Major Victor Hugo por Barros marca nova fase na articulação de Bolsonaro"



Que Barros é mais capacitado politicamente do que Victor Hugo para administrar parte da conturbada articulação política do governo ninguém duvida. O deputado do Paraná é uma típica figura de centro: foi aliado de Collor a Temer, de quem foi um elogiado ministro da Saúde. Com essa história política, Barros empresta credibilidade para o governo no momento de negociar cargos e emendas com seus pares. Mas a votação do veto ao reajuste de servidores públicos já pode ser atribuída a essa mudança?

Pode até ser que parte dos 316 votos para manutenção do voto tenham sido conseguidos pelo ex-ministro de Temer, mas é fato que outros deputados defensores do rigor fiscal tiveram importante participação. Foi nesse sentido que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, quando questionado se a votação teria sido uma vitória do governo, respondeu: “Foi a Câmara que construiu a solução. Não tirando a importância do governo, mas foram os líderes que construíram a solução”. Foi uma clara resposta a Barros, mas também ao Senado.

Isso porque os senadores, em votação anterior, haviam derrubado o veto de Bolsonaro. A derrubada pegou mal, sendo que alguns parlamentares sofreram nas redes sociais por estarem concedendo privilégios a quem já tem salários muito superiores à média nacional. Um deles foi o senador Major Olímpio (PSL-SP), que divulgou vídeos comemorando o resultado da votação. O senador tentou se explicar, mas o estrago já estava feito.

Ecoando a repercussão negativa, ainda na noite da votação, o ministro Paulo Guedes disse que o sinal é “péssimo” e chamou de “crime” o uso de dinheiro emergencial do combate à pandemia para reajustar salário de servidores. Na mesma esteira, Bolsonaro sustentou que o país poderia ficar ingovernável e que a votação no Senado daria um prejuízo de R$ 120 bilhões. Assim, a repercussão negativa da votação no Senado começa a explicar a vitória da manutenção do veto na Câmara. Caso o impacto na opinião pública não tivesse sido tão ruim, certamente o cenário poderia ter sido diferente.

A pressão funcionou para forçar os líderes da Câmara dos Deputados, a casa com a palavra final nesse caso, a buscar uma saída para o enrosco. A primeira, e talvez principal, manobra tomada pelos deputados alinhados à proibição dos reajustes foi o pedido de adiamento da votação por 24 horas. A votação no Senado ocorreu na quarta-feira e poderia ser apreciada no mesmo dia na Câmara, mas a derrota do governo seria quase certa.

Assim, agiu bem a nova articulação do governo sob o comando de Ricardo Barros, pois esse tempo foi fundamental para que a pressão da opinião pública crescesse, bem como para que os líderes da Câmara conseguissem chegar a um acordo. Deu certo. No mapa de votação dos deputados, tanto partidos mais próximos do governo quanto os mais ligados a Rodrigo Maia registraram poucas traições.

Sobre as lições do primeiro teste da articulação do governo na Câmara “sob nova direção” ficam algumas lições: 1) Independentemente do líder, Maia reforça seu compromisso com a pauta econômica. 2) Deputados mais uma vez ficaram com o ônus de dizer não ao populismo do Senado (certeza que virá troco). 3) As falas incisivas e decisivas do presidente da República só vieram quando ficou evidente que a possibilidade de derrota era grande (ficou novamente claro a hesitação de Bolsonaro quanto a votações que atingem o funcionalismo).

Respondendo à pergunta do terceiro parágrafo; sim, é difícil imaginar que o major Victor Hugo conseguisse fazer o que Ricardo Barros fez semana passada. Porém, mais difícil ainda é imaginar que a manutenção da proibição do reajuste dos servidores fosse possível, sem a atuação de Maia e a repercussão negativa do resultado do dia anterior.









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