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Lição da ioga


postado em 08/03/2020 04:00


SANDRA KIEFER





Ela encara a formiguinha com carinho. Sente-se pequena diante daquele ser trabalhador e responsável, provedor do próprio formigueiro'

É hora da ioga. O professor começa a aula contando sobre Shiva quando criança, com seus vários braços e cabeça de elefante. A aluna se pega pensando na conexão das práticas espirituais com os bichos, árvores, natureza. Xô, pensamentos!

Ei, precisamos seguir os movimentos do mestre. E dá-lhe espelhar as posturas infantis de Shiva. Vamos nos recordar da posição fetal, ficar na ponta dos pés e, o mais difícil, equilibrar-se em um pé só. A aluna pende o corpo, ora para um lado, ora para o outro. Quase cai.

É incrível lembrar o tanto que já fomos flexíveis quando pequenos. Se deixar, a vida vai endurecendo a gente. Lembra-se da brincadeira “cabeça, ombro, joelho e pé”. Agora,  não passa da altura do joelho. “Desde quando seus braços deixaram de alcançar os pés?”, pergunta-se ela internamente.

E lá vamos nós para o próximo exercício. Aos trancos e barrancos, ela chega inteira ao momento final do relaxamento. Sorrindo, o mestre sugere a todos a posição fetal. Ufa! Ela se prepara para o nirvana. Que alegria deitar de conchinha consigo mesma, voltando ao útero da mãe.

Merece descansar, após a dura série de exercícios, que remexem com o corpo, mente e alma. Ela se ajeita para deitar no tapetinho azul. No meio do caminho, porém, havia uma formiga. Nada que um peteleco não resolva. Ela volta a ter cinco, seis anos. Com o dedão e o indicador, improvisa um estilingue e se ajeita para atirar longe o inseto.

Um, dois, três e... Erra a mira, acertando o tecido emborrachado do tapete. Foi a salvação.  Segundos antes de arremessar a pobre formiga rumo ao jardim, ela escuta as palavras do mestre. Como se adivinhasse, ele ensina sobre a importância de respeitar todos os animais, assim como os irmãos indianos, que consideram sagrada a vaca. São um exemplo, sem dúvida.

Ela encara a formiguinha com carinho. Sente-se pequena diante daquele ser trabalhador e responsável, provedor do próprio formigueiro. Seria o oposto das cigarras, preguiçosas e aproveitadoras. Mentira!

Pura fábula. Tocadoras de viola, artistas, as cigarras também são dignas de respeito, raciocina ela, enquanto transporta a formiga até o jardim, com a ajuda de uma folha seca em forma de canoa. A formiga embarca. Confia naquela que, por pouco, seria sua algoz.

A outra fecha os olhos. Respira três vezes. Relaxa, já deitada no colchão, com a consciência limpa. Mais do que isso. Está orgulhosa de si mesma. A integridade de ambas foi preservada a tempo. Sobreviveram. Foi mais uma lição de ioga.

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