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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

O América cresceu, mas falta dar fim a tabu contra o rival

Perder o clássico segue incomodando, porém, uma preocupação rumo à Libertadores é a ausência de padrão de jogo


15/02/2022 04:00

Duelo entre Atlético e Coelho
No duelo com o Atlético, o Coelho até se comportou bem em alguns momentos: ao fim, a qualificação técnica do adversário falou mais alto (foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)


Como é duro ganhar deste time preto e branco. Até que jogamos um clássico duro no início, com cara de rivalidade, pegado, mas o enredo final foi o mesmo de sempre, infelizmente. Aliás, desde 2016 é assim, quando ganhamos aquela fatídica final no Mineirão lotado. De tempos em tempos damos uma dessas.

É claro que devemos esclarecer aqui que perder de um dos melhores times do Brasil não é algo fora do normal, ainda mais com a diferença de investimento e estrutura. No entanto, o que me incomoda é ver que este time ainda não tem padrão de jogo e nem um jogador que faça o inesperado, a diferença.

Ainda acredito, de qualquer forma, que Matheusinho possa ser essa aposta, caso ganhe confiança, sequência e ritmo. Por outro lado, é muito complicado ter um time insinuante e combativo, igual o do ano passado, sem peças criativas no meio de campo e na frente, como tivemos Mauro Zárate que, pasmem, fechou com o Juventude para a temporada. Vai entender por que não ficou em BH.

A questão é que o time nem mesmo está em formação, pois a minha sensação é de que não há peças suficientes para pensarmos em um esquema válido do tamanho desse América que daqui a oito dias, dia 23, estreia na Libertadores, no maior jogo de sua vida. A propósito, saio de Uberlândia, onde moro atualmente, só para acompanhar essa partida, que será de fato um marco histórico.

Voltando ao nosso eterno fantasma e rival, podemos dizer que o jogo até teve alguns momentos favoráveis e uma ou outra parte interessante. Mas, como de praxe, a soma de tudo quanto é coisa ruim sempre vem contra eles: quando jogamos bem, a bola não entra, quando fazemos a nossa parte, a arbitragem não deixa (não foi o caso), e quando eles jogam mal, no final, a bola que entra é a deles.

Já disse algumas vezes e repito: se o América enfrentar o Real Madrid, acredito mais em uma vitória do que se enfrentar o Atlético. Esta maldição precisa, urgentemente, acabar. Especificamente falando sobre os bastidores, fica aqui a minha discordância sobre a iniciativa da diretoria de igualar, ou melhor, de privilegiar, a torcida visitante, o que nunca ocorre quando é o contrário.

Os ingressos foram desproporcionalmente caros, por ser Campeonato Mineiro, e ainda assim pagamos o mesmo que eles. Fora isso, a torcida rival não teve carga percentual de visitante, e, sim, de um setor todo. Resultado? Além da pressão do campo, com todo descompasso de investimento e plantel, ainda sofremos com pressão na arquibancada, no nosso próprio estádio. Mesmo assim, o que influenciou o resultado final foi o futebol aquém que jogamos mesmo, sem magia, sem curingas, sem o fator “a mais”.

Eu geralmente não acredito muito, no América, em um sistema de jogo que privilegia um atacante referência, como o Wellington Paulista (embora tenha sido combativo), mas seja desprovido de meia-armadores ou meia-atacantes que fazem facão ou aquela função de ponta. Felipe Azevedo fez muita falta nessa partida na caída das pontas. E o bom lateral Marlon ficou tão preocupado, com razão, em marcar Ademir (e o fez), que acabou se anulando no ataque, que é uma de suas grandes habilidades.

Mas agora é bola pra frente. O Coelho precisa mesmo identificar este trauma severo e entender que, em algum momento, precisará ganhar do Atlético – pelo menos se quiser mesmo ser a segunda força de Minas.

O Mineiro, no entanto, segue em aberto, e funciona mesmo como um laboratório. Ainda dá para se classificar para as semifinais e, quem sabe, com um jogo só na finalíssima (e com VAR), conseguimos beliscar o título. Para isso, é preciso vencer o Patrocinense em casa, amanhã, de qualquer forma.

A vida continua. O americano sofre menos hoje em dia. Aliás, o América de hoje não é o mesmo, mas ainda falta a última virada de chave: parar de perder tanto do rival alvinegro. Será que isso um dia muda? Bom, se tanta coisa já mudou, eu prefiro acreditar que sim. Saudações americanas!

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