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Por que nenhum governo, de fato, se debruça sobre a educação?

Como disse Freud, governar, educar e psicanalisar são tarefas impossíveis, mas não podemos recuar diante delas


postado em 28/06/2020 04:00

Todo mundo sabe que a educação é a esperança de um país, de uma vida. Sem ela, somos despreparados, incapazes de nos relacionar com os outros e de integrar o mercado de trabalho em boa posição. Para um país, o povo educado é a maior riqueza, fundamental para o progresso e estabilidade de suas instituições.

Não ignoramos os ideais da cultura, porém, realizar algo pelo menos próximo a eles é que são elas. Os ideais são elevados, a realidade pouco complacente em realizá-los, o real é osso duro. Precisamos mesmo assim mantê-los em foco, pelo menos partes deles. E insistimos neles. Por que é tão difícil realizar o que é desejável? Por que nunca se investe efetivamente naquilo que é obviamente importante? Difícil responder aos porquês, os homens nem sempre fazem o que é melhor, em nível individual e coletivo.

É um mistério, parcialmente solucionado pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud, quando descobriu que vivemos entre pulsões de vida e de morte, e a existência do inconsciente nos retira de um autocontrole pleno. O fato de sermos divididos entre consciente e inconsciente e sem saber de fato que desejo nos determina faz de nós errantes.

Portanto, existe em nós uma dificuldade de sair de nosso pequeno mundinho particular no qual nos defendemos e protegemos, acumulamos garantias e pouco nos importamos com o outro. Nem mesmo olhamos muito para o que falta ao outro. Sério problema.

Queríamos que o óbvio fosse feito. Queríamos entender, já que é tão clara a importância da educação, por que nenhum governo se debruça de fato sobre a questão, ficando ela sempre muito aquém do mediano.

Semana passada fomos agraciados com a exoneração do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Achei muito bom, pois ele de fato não contribuiu com nada de relevante em sua passagem pelo ministério. Suas opiniões antidemocráticas e mal-educadas confirmavam as evidências de que não estava à altura de ocupar tal cargo.

Tanto é que tratou de fugir do país depois de ofender os ministros do Supremo, fazer declarações racistas contra o povo chinês e muita falta de planejamento e propostas para a Educação sob seu comando. Triste passagem. Feia saída. Tão deselegante e antidemocrático quanto se mostrou no seu mandato, desde a entrada, quando fez declarações bem autoritárias sobre dispensar quem não aderisse ou concordasse. Saiu ele próprio.

O que se vê – por incrível e óbvia que seja a necessidade do país – é que ninguém faz o que deve, o correto, o certo pelo país. Será tão difícil botar gente que sabe o que fazer no lugar certo? Parece um objetivo inalcançável que nos trará um desalento terrível, diante do qual ficamos assistindo ano após anos o fracasso continuado.

Não nos enganemos: como disse Freud, governar, educar e psicanalisar são tarefas impossíveis. Estamos, então, frente a três situações de grande dificuldade, embora não possamos recuar diante delas por serem imprescindíveis. Enfrentar impossíveis é um desafio que nos obriga a insistir e apostar neles mesmo que toda aposta seja sem garantias.

Mais uma vez, volto a Freud na abertura do seu grande livro O mal-estar na cultura, no qual comenta ser impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo o que verdadeiramente tem valor na vida.

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