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Estado de Minas MÍDIA E PODER

7 sacadas sobre a Datafolha que dá primeiro turno a Zema e Lula em Minas

Tamanho de Lula e Zema é o mesmo no estado síntese, cenário em que o petista se descola de Kalil e o governador recebe votos pragmáticos à esquerda e à direita


02/07/2022 12:35 - atualizado 02/07/2022 13:08

Romeu Zema e Lula
(foto: Juarez Rodrigues/EM e NELSON ALMEIDA / AFP)


Do que leio, ouço, conjecturo e prevejo sobre a DataFolha desta sexta que coloca Zema Lula vitoriosos no primeiro turno em Minas:

1 - A indicação de 48% das intenções para reeleição de Romeu Zema já no primeiro turno contra Alexandre Kalil (21%) é do mesmo tamanho mas com menor diferença da de Lula em relação a Bolsonaro (28%). Indica que o petista está descolado do ex-prefeito de Belo Horizonte e larga faixa do eleitorado do interior vota nos dois, o Lulema ou LuZema.

2 - Com seus 21%, Kalil conseguiu ficar conhecido no interior, onde tem maior rejeição, com o apoio declarado a — e de — Lula, mas não o suficiente para conseguir todos os votos do lulopetismo, que os estatísticos colocam na faixa de 33%, um terço do eleitorado. Indica também que mesmo lulopetistas mais fiéis votam no governador. Sintomático que são também 21% que não votariam em Zema de forma alguma.

3 - Bom de campanha e prefeito ultra bem avaliado na capital por sua política de menos mortes na pandemia, o ex-prefeito dá o azar de enfrentar um candidato fortíssimo. Zema tem 50% de aprovação, menor rejeição, diferença de mais de 37% contra ele no interior (58% a 21%) e o recall de ter remendado grande parte do estrago deixado pelo governo anterior, sobretudo os salários atrasados do funcionalismo.

4 - Como Minas é síntese da votação no país, onde Lula tem a mesma diferença sobre Bolsonaro no mesmo Datafolha (47% a 28%), o sucesso de Lula deve repercutir em favor de Zema e vice-versa. Mas a situação de Zema é ainda melhor por arrastar também a maioria do eleitorado de Bolsonaro, 71% de seus eleitores, segundo a pesquisa. Terá voto dos dois líderes da pesquisa nacional. E ainda tem a poupança das indicações dadas ao candidato de Bolsonaro, Carlos Viana (4%), que têm mais chances de ir para ele.

5 - A campanha em Minas não parece opor a mesma clivagem nacional, de uma esquerda ideológica de maior controle do estado sobre interesses coletivos contra uma direita idem de maior liberdade econômica e individual, em tese. Para o eleitor, estão importando os resultados apresentados pelo governo Zema, conhecidos e infinitamente melhores do que os do governo Bolsonaro. Não está importando com a cor do gato desde que cace o rato.

6 - Onde estão muito equivocadas as inserções e aparições de Alexandre Kalil em rádio, TV e redes sociais combatendo 'a zelite', que soa esquerdizóide e ultrapassado. Nem é um caso de hipocrisia para quem é parte descarada dela, mas porque a maior parte do eleitorado de Zema, que precisa conquistar, pertence a ela. Deveria prestar atenção em seu padrinho para aprender que nem ele ataca mais as elites, um discurso da campanha de 2002. Não lhe ocorre que o mito das esquerdas pagou o desgaste de se aliar a Geraldo Alckmin e se aproximar do centro?

7 - No calor da campanha, nem Lula deve deixar totalmente claro, além da deferência, que seu candidato em Minas é Alexandre Kalil e nem Romeu Zema deve fazer muita força de dizer que seu candidato é Jair Bolsonaro depois de rifar o candidato do seu partido, Felipe D'Ávila. A vitória de cada um deles, mais para Lula, é prioridade absoluta. Pode ser que Bolsonaro faça o contrário, deixe entender e até enfatize que seu candidato é Romeu Zema, num apadrinhamento ao contrário. Vai rifar Carlos Viana, se ele não subir, como deve, nas pesquisas.

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