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Os desafios para gerar empregos em 2020

Um dos preços mais altos da recessão econômica, a falta de oportunidades no mercado de trabalho tende a se transformar em uma chaga social difícil de curar, fruto da retração do país nos últimos anos


postado em 04/02/2020 04:00 / atualizado em 04/02/2020 07:45

Agência de emprego em BH: apesar do aumento de vagas no país durante o ano passado, número de desempregados ainda é muito alto, de 11,6 milhões(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press 15/4/15)
Agência de emprego em BH: apesar do aumento de vagas no país durante o ano passado, número de desempregados ainda é muito alto, de 11,6 milhões (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press 15/4/15)

Poucas pessoas, muitos economistas entre elas, se deram conta de que o Brasil se despediu de 2019 registrando um recorde em nosso sofrido mercado de trabalho. Nunca antes na história deste país havia tantos brasileiros trabalhando como no trimestre encerrado em dezembro: 93,39 milhões. Com esse resultado, apontado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, divulgada na semana passada, o índice de desemprego ficou em 11%, o patamar mais baixo dos últimos três anos.

Os dados do quarto trimestre revelam ainda a criação no setor privado de 593 mil empregos com carteira assinada, modalidade que já começa a crescer mais depressa do que a das vagas abertas na informalidade. De fato, o aumento dos empregos formais foi de 1,8% em relação ao trimestre julho/setembro, melhor desempenho para esse período em toda a série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012.

Mas não há como fugir à realidade do estrago causado pela brutal recessão de 2015/2016 e pela lentidão da retomada do crescimento da economia nos três anos seguintes. Dados da mesma Pnad Contínua fornecem motivos de sobra para que a sociedade permaneça vigilante quanto à irresponsabilidade dos governos que levaram o país a essa situação.

As consequências de haver perdido cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) em apenas dois anos são, como se percebe ainda hoje, muito mais nefastas do que pensavam os autores do desequilíbrio fiscal, do descontrole da inflação e de desastradas interferências no funcionamento dos mercados.

A importância da Pnad Contínua do IBGE está no fato de que ela mede, com razoável precisão, o quanto as famílias das classes média e baixa da população brasileira pagam pelos erros das políticas econômicas. O desemprego é um dos preços mais altos da recessão econômica e tende a se transformar em uma chaga social difícil de curar. Se for ampla e duradoura, como no caso brasileiro, a perda dos empregos traz efeitos colaterais.

Um desses efeitos é o subemprego, o brasileiríssimo bico, que pode aliviar o bolso, mas não tem futuro e ainda acabará pesando nas contas da Previdência Social. É, geralmente, resultado da falta de intensidade da atividade econômica, que não consegue pagar o custo social do trabalho. No Brasil, esse problema não é pequeno: daqueles mais de 93,39 milhões de pessoas trabalhando no fim de 2019, 41%, ou seja, 38,6 milhões, estavam na informalidade.

CHAGA SOCIAL

 
O desalento daqueles que param de procurar emprego por perder a esperança de conseguir uma vaga é outro efeito da recessão prolongada. Provoca danos à saúde e a baixa da autoestima nas vítimas. Assim que as coisas melhoram na economia, esse contingente acaba engordando a estatística do desemprego, já que boa parte volta para a fila dos que buscam colocação no mercado de trabalho.

Portanto, se os dados do IBGE confirmam o aumento do número de postos de trabalho, inclusive os de carteira assinada, também deixam claro o tamanho da herança maldita deixada pelos desatinos governamentais dos anos anteriores. Entre dezembro de 2018 e dezembro de 2019, houve uma redução de 520 mil no número de pessoas desempregadas, ou seja, uma queda de 4,3%. Mas ainda restavam 11,6 milhões de brasileiros procurando emprego.

Por qualquer ângulo que se encare essa realidade, não é possível desprezá-la. Pelo contrário, deve ser mantida a prioridade de buscar a aceleração do crescimento econômico do país e, assim, promover a criação de empregos formais duradouros, ainda que sob modalidades não tradicionais, como parecem indicar a automação industrial e a modernização dos serviços.

É nessa perspectiva que se questiona se o bom desempenho do último trimestre de 2019 será mantido ou mesmo ampliado em 2020. A maioria dos indicadores tem resposta positiva. É normal, aliás, começar um novo ano sob o impulso dos últimos dois ou três meses do ano anterior.

PIB CRESCENDO


Ainda não se conhecem os números oficiais do desempenho do PIB de 2019, mas a média das expectativas geralmente aceitas indica um crescimento de até 1,4%. Já para 2020, as projeções chegam a dobrar essa taxa de expansão da economia brasileira. Então, se vamos crescer este ano o dobro do ano passado, quer dizer que criaremos o dobro de empregos em 2020?

Na verdade, essa proporção nem sempre é automática. É bom lembrar que seria muito mais fácil lidar com a economia se ela fosse uma ciência exata, mas ela não é. A economia trabalha com tendências que podem ou não se confirmar. Certo é que sem crescimento não há emprego. Os empresários da indústria e da agricultura projetam avanços do PIB entre 2,4% e 3% em 2020, enquanto os do setor terciário (comércio e serviços) esperam expansão acima de 3%.

Também é claro que, sem a certeza de que o governo e o Congresso vão continuar levando a sério o ajuste fiscal e a agenda de reformas estruturais, não há confiança na economia e, muito menos, na política. A esta altura, a sociedade já sabe o que quer e, principalmente, o que não quer. 
 

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