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Estado de Minas ANÁLISE

Governo e Banco Central erraram muito na leitura da curva inflacionária

As nuvens da economia já seriam pesadas, mesmo na ausência das complicações da política mundial


18/06/2022 04:00 - atualizado 18/06/2022 07:24

Sede do Banco Central
Sede do BC em Brasília: Selic de 13,75% empurra o país para nova rodada de sofrimentos financeiros (foto: Marcelo Casal JR/Agência Brasil)
Nuvens de chumbo se aproximam da sociedade planetária. Vai chover forte. Tempos de tempestade escondem as mudanças e as oportunidades que virão acompanhando sofrimentos. Parte desses presságios vem da economia; outros tantos, da ambição humana, que não encontra limites quando se trata de disputar território, proeminência militar e supremacia.

As nuvens da economia já seriam pesadas, mesmo na ausência das complicações da política mundial. Na quarta feira passada, o FED – banco central americano – fez um movimento brusco e tardio de elevação de juros. Brusco porque uma elevação de 0,75 ponto percentual no juro básico não se via desde a década de 1980. Tardio porque os compromissos políticos dos diretores do FED os impediram de agir ao primeiro sinal de perigo inflacionário. Ao tratar a inflação como “transitória” o diretor Powell cometeu grave erro de avaliação.

A subida do juro americano, apesar de significativa, parte de um patamar próximo a zero. Ainda tem muito chão pela frente até que o juro básico venha a refletir algo parecido com a inflação na casa dos 8%. Tal descompasso mantém a viabilidade orçamentária da rolagem da dívida pública dos EUA. Mas o momento de crise fiscal se aproxima. Não é exatamente algo confortável para o chamado Ocidente saber que o principal garantidor do balanço de forças do lado ocidental ameaça capengar justamente nas finanças. Discreta, mas atenta como nunca, a China se prepara para um lance de supremacia, usando a captura da pequena Taiwan como discurso moral. Uma recessão inflacionária nos EUA poderia ser um convite velado para iniciar a confrontação, que deixaria a atual guerra na Ucrânia parecer uma festa de São João.

A Europa joga também um jogo perigoso ao cutucar a Rússia de Putin onde mais lhe doem as costelas. A Ucrânia é um corredor de penetração natural para o coração da Rússia. O que para nós parece não ter maior importância, para os estrategistas russos é como uma adaga espetada a meros 500km da capital, Moscou. O sonho da grande unidade europeia pode naufragar por excesso de passageiros nessa enorme Arca de Noé. Dentro dessa arca também estão embarcados os passivos bilionários das dívidas dos países-membros. Nem todos fazem o dever de casa como a Alemanha. Os alemães não conseguirão financiar os juros baixos dos endividados por muito mais tempo.

Se as nuvens se acumulam no horizonte mundial, aqui não tem problema: o tempo já está fechado há bastante tempo.  Governo e Banco Central erraram muito na leitura da curva inflacionária. Agora, ao elevar nesta semana o juro básico (Selic) para 13,75% as autoridades locais empurram o país para uma nova rodada de sofrimentos financeiros com inevitáveis e dramáticas repercussões no campo político.

O Brasil continua se destacando por suas nuvens pesadas e chuvas fortes.

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