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Estado de Minas Comportamento

Bom-dia!

É mais comum dar um oi ao passar por alguém%u2019


08/11/2020 04:00

Uma coisa que a quarentena tem nos forçado a aprender é interpretar expressões faciais por trás das máscaras. Eu sempre tive o hábito de cumprimentar as pessoas com um sorriso, o que custei a tirar de minha rotina. Até então, acho que passei como deseducada e deselegante muitas vezes, acreditando que mostrar meus dentes ainda seria suficiente para dar um simples bom-dia.
 
Ao contrário de meu marido, que não perde a chance de perguntar “o senhor, ou a senhora, está bom/boa? ” para conhecidos ou desconhecidos no meio dos passeios por onde caminha. Mas se ressente muito de ter sido obrigado a abrir mão do tapinha que gostava de dar nas costas dos homens idosos, principalmente, mais acostumados a esse tipo de cumprimento mais invasivo.
 
Confesso que nesse quesito sempre o repreendi com medo de ele receber de volta um tapão, o que nunca aconteceu, graças a Deus. Do contrário. Sempre recebe uma resposta amigável. Acho que ele consegue perceber, ao bater o olho na pessoa, quem é receptivo a este tipo de abordagem e quem vai se aborrecer com tamanha intimidade.
 
Se pararmos bem para pensar, ou melhor para observar, saberemos também interpretar o olhar, o franzir da testa, o levantar das sobrancelhas, o balança da cabeça para cima e para baixo daqueles que não precisam emitir sons como cumprimento. Um belo aprendizado, sem dúvida. Pois as expressões faciais são mais difíceis de ser dissimuladas ao contrário do que se se diz através de palavras.
 
Em minhas andanças pelo interior e roças de Minas, onde é mais comum se dar um oi ao passar por alguém na rua, aprendi que mostrar ao outro que percebo sua existência e sua presença é sempre um bom negócio, além de ser educado e civilizado de minha parte.
 
Os mal-encarados e mal-humorados, na maioria das vezes, ficam sem graça e acabam abrindo um sorriso, mesmo que amarelo ou, em tempos de pandemia, soltam um gru- nhido. Bem ou mal, ao menos retribuem. Um amigo acredita que essa tática evita inclusive pequenos assaltos, ao deixar o meliante sem graça. Vai que ele está correto em sua suposição! Não custa nada.
 
Há quem estenda a conversa, desejando que Deus me acompanhe, me abençoe ou que eu tenha um proveitoso dia de trabalho. E aos poucos tenho conseguido perceber que o brilho do olhar de quem está de bem com a vida diz tudo sobre aquilo que a pessoa deseja tanto a gregos quanto a troianos.
Olhar diretamente nos olhos nunca foi uma prática muito comum, pois há quem acredite que, dependendo da intensidade e de sua real intenção, pode gerar um grande constrangimento. Talvez também porque tenhamos dificuldade de encarar pessoas que, mesmo sem ter a mínima ideia de quem somos, simplesmente nos desejam o bem.

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