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Estado de Minas Comportamento

Encontros e reencontros

Muitas vezes nos lembramos de agradecê-las


16/08/2020 04:00 - atualizado 14/08/2020 21:38


 
A maior parte das pessoas com as quais cruzamos passam por nossas vidas com uma rapidez enorme. Conosco compartilharam situações durante horas um único dia ou outro período curto de tempo e depois desaparecem, nunca mais as vimos, nem delas ouvimos falar, sequer nos lembramos de sua existência ou paramos para pensar no evento que um dia nos aproximou.
 
Algumas tiveram uma participação de suma importância em nossa existência. Por exemplo, o médico que descobriu e nos notificou a presença de uma doença grave que precisava ser tratada o mais breve; a pessoa que se esforçou para que tivéssemos um grande problema burocrático resolvido a fim de nos restituir a tranquilidade; o cidadão de nós desconhecido que ia passando por ali e nos viu em apuros com o carro estragado, sem combustível, pneu furado e, condoído, deu uma parada na sua correria para nos ajudar a conseguir ao menos sair do lugar e chegar a um ponto mais bem servido de socorro.
 
Muitas vezes, ocupados com nossos problemas, nem sequer nos lembramos de agradecê-las ou ao menos conseguimos gravar em nossa mente seus rostos e o primeiro nome. Lembro-me bem de quando, na véspera de Natal, há cerca de 30 anos, cortei o dedo indicador da mão esquerda na lâmina de um multiprocessador. No hospital, fui atendida por um residente que pacientemente fez todos os procedimentos necessários para estancar todo aquele sangue e me ajudar a calar a boca.
Eu não me conformava de ter cometido um ato de tamanha burrice. Me explicou que, como o corte atingira o nervo, existia a possibilidade de eu perder a sensibilidade naquela região. Saí de lá tão indignada com o que eu fora capaz de me infligir, por pura falta de atenção, que pouca importância dei ao que ele me falou.
 
Até hoje lamento muito não saber o nome daquele rapaz que fizera um serviço tão bem feito que o dedo não apenas recuperou toda a sensibilidade como até eu tenho dificuldade de enxergar onde foi o corte e a sutura. Fico imaginando o excelente cirurgião em que ele deve ter se tornado.
Mas o que desencadeou todas essas lembranças foi o reencontro com outro médico, de quem havia me esquecido completamente e que, com certeza, sua experiência e responsabilidade profissional foram muito importantes para minha vida pessoal. Meus amigos e companheiros de pedaladas de vez em quando convocam amigos sumidos para voltar às trilhas. Recentemente, um deles atendeu ao chamado e acabou se juntando definitivamente ao nosso grupo. No meio de uma conversa na qual dizíamos da necessidade de, numa certa fase da vida, diminuir a dedicação ao trabalho e aumentar à dedicação ao lazer, ele descreveu sua trajetória profissional.
 
De repente, me veio um estalo. Foi você o pediatra que esteve na sala de parto de meus dois filhos, um há 26 anos e outro há 24, exclamei. Da fisionomia dele eu não me lembrava, e muito menos ele da minha. Naquela hora eu só tinha olhos para meu filho, mas como a maior parte das mães, eu fizera questão de registrar no álbum do bebê todos os detalhes dos momentos anteriores e posteriores ao nascimento, sendo que me chamou a atenção o nome do pediatra por ser incomum. Meus filhos nasceram ambos numa terça-feira à noite, com um intervalo de um ano e nove meses entre um parto e outro. Terça-feira era dia de plantão noturno desse médico, que agora me deu a oportunidade de agradecer-lhe, mesmo que tardiamente, e de nos tornarmos amigos.

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