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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Grandes erros!

Não há como voltar no tempo e pensar melhor antes de agirmos com vista a fazer diferente%u201D


postado em 24/11/2019 04:00


 
Há um bom tempo, quando eu preparava algumas guloseimas árabes para uma festa de confraternização de final de ano com os amigos, cometi um erro que me serviu de lição para o resto da vida. Uma grande amiga, já bem idosa na época, me ensinou a fazer quibe, tabule, coalhada e homus (ou húmus). Apertada de serviço e com os afazeres em atraso, cheguei em casa bem tarde e decidi adiantar a agenda do dia seguinte.
 
Para amassar o grão de bico e assim fazer a mistura que resultaria no homus, recorri a um brau minipimer, uma espécie de processador que deixa expostas as lâminas de corte. Cansada do dia corrido e quase dormindo em pé, lá fui eu. Esta mistura de circunstâncias não costuma dar certo. Enfim, como a mistura de ingredientes estava muito grossa, as lâminas não se moviam e eu, literalmente sem pensar no que fazia, coloquei o indicador esquerdo entre elas na tentativa de liberar o movimento. Firmei o aparelho na mão direita e acabei acionando-o. Poderia tê-lo feito, desde que o tivesse desligado.
 
O que mais repeti no caminho do hospital e durante os dias subsequentes foi: “meu Deus, como eu sou burra! ” E também “meu Deus, eu sou inteligente, como fui capaz de fazer uma coisa destas? ” Por sorte, o corte atingiu apenas carne e estava de plantão um residente que, aposto, se tiver escolhido a cirurgia plástica como especialidade, deve estar fazendo grandes milagres. Havia a possibilidade de eu perder a sensibilidade na ponta do dedo, pois o corte foi lá no osso, levando consigo os nervos. Mas não. A sutura foi tão bem-feita que hoje até eu tenho dificuldade de enxergá-la e nada no dedo indica que um dia sofrera tal violência.
 
A mesma sorte não teve uma jovem que conheci outro dia. Quando bem criança teve boa parte do rosto queimada por um desastre na cozinha. A mãe, responsável por múltiplas atividades, fazia sempre várias coisas ao mesmo tempo e numa destas, ao jogar água quente pela janela, na tentativa de aproveitar para molhar as plantas, não sabia que a filha estava bem na mira.
 
Amarga hoje ver no rosto dela o fruto de seu inominável ato. Difícil de nominar não por seu aspecto socialmente condenável, pois isto com certeza ela ouve todo tipo de adjetivos capaz de qualificá-la (como se este ato não estivesse ao alcance de todos nós). Digo inominável por ela mesma que, se tivesse que escolher uma vítima entre ela e a filha, preferiria a automutilação.
 
A questão é que não há como voltar no tempo e pensar melhor antes de agirmos com vista a fazer diferente. E sou capaz de apostar que, mesmo se isso fosse possível, repetiríamos muitos de nossos atos mal pensados. Este é um de nossos maiores problemas. Sabemos as consequências que podem vir de nossas ações, mas persistimos nelas. Dirigimos sob efeito do álcool, experimentamos drogas pesadas, pulamos lá do alto de uma pedra cá em baixo no fosso raso. Esta lista pode ser infindável, como nossa capacidade de nos trapacear.


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