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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Um bom começo

Todos precisamos ceder


postado em 01/09/2019 04:00 / atualizado em 29/08/2019 15:38


 
 
Participei de um bazar no último fim de semana levando mercadorias doadas à instituição beneficente na qual sou voluntária. Ao meu lado, outros expositores, alguns conhecidos outros não, a maioria empresários que trabalham com brechós e antiguidades. Dois pontos me chamaram muito a atenção.
O primeiro, o espírito de colaboração entre todos. Quem levou muitos cabides, socorreu aquele que tinha muita roupa para pendurar e não se atentou a esse fato. Uma ou outra máquina de passar cartão se recusou a funcionar e o que não faltou foi oferta de compartilhamento de máquinas. Se o cliente manifestasse interesse num tipo de peça que o expositor não tinha, ele logo encaminhava para o colega ao lado.
 
A concorrência ganhou uma nova leitura. Se tiver que ser bom para mim, que seja para você também, filosofia que ficou bem clara no final, quando nos abraçamos felizes porque, por mais que a crise tenha atingido todos e as vendas não tenham sido tão gloriosas quanto nos tempos das vacas gordas, nada melhor do que saber que todos atingiram uma meta capaz de manter todos no páreo.
Não estou sendo ingênua achando que a vida é um conto de fadas. Fato é que nossa evolução passa pelo bem-estar do outro e não apenas pelo meu. Ainda bem que estamos descobrindo isso, experimentando e percebendo que o melhor é que todos sobrevivamos.
 
O segundo ponto que me chamou a atenção foi o comportamento do consumidor. Há alguns anos venho acompanhando as mudanças através das compras, minhas e dos outros, mas nada me surpreendeu como desta vez. O cartão de débito foi o grande astro. Confesso que me senti das antigas, pois ainda sou do tipo que compra no crédito pensando principalmente nas milhas as quais terei direito e que abaterão o preço de minha próxima passagem aérea.
 
Ao menos 60% dos consumidores preferiram pagar de uma vez e na hora. Se não tiver o dinheiro o cartão não autoriza. E ponto final. Teve quem fosse ainda mais radical, levou apenas dinheiro vivo, garantia contra as tentações dos cartões que nos fazem achar que podemos comprar tudo, mesmo quando temos a certeza de que não podemos pagar por tudo.
 
Para quem vende, certamente, melhor seria de outra forma, mas aos poucos aprendemos, como no primeiro ponto que citei acima, que o ideal é que os negócios sejam bons para todos, neste caso, vendedores e consumidores. Cada vez o consumo tem se tornado mais responsável, seja consequência das sucessivas crises financeiras ou de consciência. Mudamos para melhor? Sem dúvida que sim. Começamos, ao menos, mesmo que a custas de lamentos de ambos os lados. Afinal, neste caso, todos precisamos ceder e não apenas alguém.


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