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Sustentabilidade e os novos rumos para o dinheiro

Fórum Econômico Mundial destaca que investir em uma economia sustentável não é mais só questão de bom senso, mas de dinheiro também


postado em 25/01/2020 04:00

 Discursos em Davos mostraram que os dilemas do mundo são especialmente humanitários e ligados à Terra (foto: Faruk Pinjo/Divulgação)
Discursos em Davos mostraram que os dilemas do mundo são especialmente humanitários e ligados à Terra (foto: Faruk Pinjo/Divulgação)
 
Há um descompasso entre os governos, focados em resolver os problemas de sua própria nação (muitas vezes da elite dessa nação), e uma agenda mundial. Uma questão que ficou explícita em discursos durante o Fórum Econômico Mundial (foto), realizado nesta semana, em Davos (Suíça), é que os dilemas são especialmente humanitários e relacionados à Terra – não há desafios únicos e distintos para cada país do mapa-múndi político, são comuns e extrapolam fronteiras. Sustentabilidade deixou de ser, mais do que nunca, um jargão marqueteiro usado por grandes corporações para se tornar um termo de fato referente à sobrevivência do planeta, incluindo das empresas e instituições que o habitam. Afinal, fatores ambientais, sociais e de governança passam a afetar profundamente o crescimento econômico, os valores dos ativos e o mercado financeiro como um todo.
 
A BlackRock é maior gestora de ativos no mundo. O JPMorgan é líder mundial em serviços financeiros. Os presidentes das duas empresas norte-americanas, Laurence Fink e Jame Dimon, respectivamente, defenderam em Davos um distanciamento da mentalidade do "acionista primeiro" predominante há décadas.
 
Um dado revelado foi que 87% da geração dos millennials em amadurecimento (nascidos entre 1981 e 1996) toma decisões de investimento acreditando justamente que os fatores ambientais, sociais e de governança são importantes. Não só os millennials. O foco crescente na sustentabilidade por uma gama cada vez maior de investidores preparou terreno para uma realocação significativa de capital. A BlackRock acredita que os ativos percebidos como mais resilientes ao clima e a outros riscos relacionados à sustentabilidade podem proporcionar melhores retornos aos investidores. Isso muda o rumo do dinheiro no mundo.
 
Na contramão do espírito das discussões de Davos, o ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes, fez uma declaração polêmica de que "o maior inimigo do meio ambiente é a pobreza", alimentando a desconfiança contra o Brasil. E continua seu discurso chamando a atenção para o fato de que essa é uma preocupação que os países ricos não têm mais porque já desmataram, evidenciando um embate entre nações emergentes e desenvolvidas, enquanto não é isso o que os empresários, os fundos e o mundo querem ouvir. A atenção está voltada em como resolver o aquecimento global, a perda da biodiversidade e outras ameaças à humanidade.
 
O BIS, considerado o banco central dos bancos centrais, alertou que os riscos climáticos podem se transformar em crises financeiras permanentes. O Fórum Econômico Mundial destaca que investir em uma economia sustentável não é mais só questão de bom senso, mas de dinheiro também. Grandes fundos já ameaçaram deixar de investir no Brasil por causa da grave situação na Amazônia, entre outros fatores. É uma questão prática imediata.

Precisamos abordar o bem-estar social de nossa nação, não apenas o bem-estar econômico

Jacinda Ardern, de 39 anos, primeira-ministra da Nova Zelândia, a chefe de Estado mais jovem do mundo, durante discussão em Davos sobre indicadores para além do Produto Interno Bruto (PIB)



Uma nova política econômica
O governo de Jacinda Ardern apresenta um "orçamento de bem-estar" para avaliar o impacto da política a longo prazo na qualidade de vida das pessoas na Nova Zelândia. "A política precisava ser mais altruísta e mais a longo prazo para enfrentar os desafios profundamente arraigados com os quais estamos lidando à medida que a economia muda", disse. Segundo ela, a política se dá a partir de uma perspectiva de "bondade, empatia e bem-estar", medirá e reportará um conjunto mais amplo de indicadores para mostrar sucesso como país e como governo.

Diversidade no Goldman Sachs
O poderoso grupo financeiro Goldman Sachs anunciou nesta semana que, a partir de julho, só vai auxiliar empresas no lançamento de ações em bolsas de valores (IPO, na sigla em iglês) que tenham ao menos uma pessoa "diversa" em seu Conselho de Administração. O foco, segundo o presidente David Salomon, são mulheres. A partir de 2021, o banco passará a exigir dois conselheiros "diversos". Atualmente, o próprio Goldman Sachs conta com 11 conselheiros, sendo quatro mulheres. "Podemos perder alguns negócios, mas, a longo prazo, esse é o melhor conselho para as empresas que desejam gerar alto retorno a seus acionistas", disse Solomon.


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