Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas COLUNA

Na sala de aula

Passado o tempo do sofrimento ficará o tempo do conhecimento feito com lágrima de professor e sorriso de criança


25/10/2020 04:00 - atualizado 22/10/2020 10:56




Por seis vezes Jesus, cita as crianças nos livros do Novo Testamento. Ora colocando-as no meio deles para que os discípulos aprendam como ser verdadeiramente pequenos, ora deixando-as se aproximar para os abraços e uma doce acolhida. Chega a ficar aborrecido com a insistência dos discípulos em afastá-las. “Não as proibais.”

Enquanto os discípulos seguem o Mestre rumo a Jerusalém discutindo quem ficará à direita ou à esquerda, quem é o maior, quem tem o direito de expulsar demônios, Cristo suaviza o caminho da cruz deixando a inocência das crianças brotar como sementes nos corações de todos.

Nada de domínio ou poder. Chega ao céu quem se comportar com simplicidade, humildade, sinceridade. Naquele tempo, crianças eram como mulheres e doentes – pessoas sem a menor importância na sociedade.

Hoje, as crianças são amadas, respeitadas, ouvidas. Nas comunidades religiosas, por exemplo, têm presença marcante nas celebrações, na catequese, nos eventos. Às vezes, são elas que levam os pais para missas e cultos.

Com a chegada da pandemia, viram o mundo virar de cabeça para baixo e estão se ajeitando como dão conta. Parece que a pandemia lhes roubou a terra encantada e não há mais rios correndo chocolate em seus dias.

Pais fazem relatos emocionados pelas redes sociais. Filhos que andam na ponta dos pés porque acham que o chão está contaminado, filha única sem um único amigo para brincar, pequenos que se agarraram demasiado à mãe e fogem dos avós porque acham que eles vão levá-los.

 E do outro lado, irmãos que se tornaram os melhores amigos um do outro porque agora, com todo o tempo do mundo à disposição, se conhecem mais, se amam mais.

Neste mês em que se comemorou o Dia da Criança, psicólogos, pais, professores intensificaram os debates em busca de soluções.

Como resolver a falta de convivência entre as crianças pequenas, que adoram viver em bando, disputar brinquedos, tomar banho de ducha na hora do recreio, viver ao ar livre? Criança é brincadeira, aprendizado e maravilhamento. Criança gosta de criança.

E colado no Dia da Criança veio o Dia do Professor, este profissional que depois do susto inicial está se reinventando a cada dia. Antes, recebia os alunos na sala de aula; hoje, ele é quem entra na casa do aluno, pela telinha de todas as plataformas que pode. A sala de aula é um cantinho da sua casa, onde o professor criou um cenário lúdico para servir de fundo às suas aparições na telinha.

Nesse dia 15, enquanto recebiam dos pais cestas de café da manhã, flores virtuais e desenhos engraçados, os professores se encantaram com o carinho das famílias enquanto choram de saudades dos alunos.

Encarregados de acompanhar os filhos nas tarefas escolares, os pais agora sabem como é árdua a tarefa de transformar conhecimento em capital, como é a responsabilidade de ensinar ao aluno aprender a aprender, colocar prazer no aprendizado.

A educação ainda tem as suas dores. Cresceu o desemprego, algumas escolas fecharam os cursos maternais, professores enfrentam a depressão. Mas o setor também se surpreendeu com sua capacidade de sobressair.

Surgiram as aulas de meia hora duas vezes por semana, atividades xerocadas, brincadeiras com movimento, músicas com ensinamentos diversificados. Foco no vínculo afetivo mais do que no conteúdo.

Ao ensino a distância veio se somar o ensino remoto, que, além das aulas gravadas em vídeo, apresenta videoaula, professor ao vivo interagindo com o aluno e criança mostrando seus trabalhos, entre risadas. Professores na calçada das escolas mandando beijos para as crianças que passam no carro do pai “só pra matar a saudade”.

O mês acaba, a pandemia ainda não. Dia da Criança, Dia do Professor. Ler, escrever e contar. Degraus se transformando em rampa. Sala de aula – onde doses de futuro se juntam a cabeças nas nuvens e sonhos que voam.

Nunca mais o ensino será o mesmo. Será melhor. Passado o tempo do sofrimento, ficará o tempo do conhecimento feito com lágrima de professor e sorriso de criança.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade