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Empresas com caixa reforçado ampliam aquisições em Minas e no Brasil

Minas tem chance de renovar fôlego para fusões e aquisições neste ano, após negócios expressivos nas áreas de saúde e alimentos. Operações cresceram 30% em 2020


28/08/2021 04:00 - atualizado 28/08/2021 08:42

Pardini, uma das empresas do setor de medicina diagnóstica, busca oportunidades principalmente em regiões de Minas onde não tem unidades próprias de atendimento(foto: Beto Staino/Divulgação - 29/6/20)
Pardini, uma das empresas do setor de medicina diagnóstica, busca oportunidades principalmente em regiões de Minas onde não tem unidades próprias de atendimento (foto: Beto Staino/Divulgação - 29/6/20)

Com aparente indiferença aos efeitos dramáticos da COVID-19 sobre o emprego, a renda e a inadimplência no Brasil, entre outros indicadores econômicos afetados pela crise, empresas favorecidas por um caixa reforçado neste ano, ou o ambiente amigável de liquidez de recursos financeiros no mercado internacional, protagonizaram novas investidas sobre seus concorrentes. As transações envolvendo Minas Gerais surpreendem. À frente de recentes e expressivos negócios, o grupo Pardini, um dos maiores do setor de medicina diagnóstica, e a Camil Alimentos S/A, gigante brasileira do segmento, confirmam disposição para buscar novas aquisições no estado.
 
Ontem, o grupo Mira S.A comunicou a compra de 80% das ações do Grupo Semper, formado pelo Hospital Semper, Semper Home Care e Semper Diagnóstico. No ramo da locação de veículos, a mineira MM Aluguel de Carros, que anunciou, esta semana, sua fusão com a empresa paulista Panda, também admitiu a intenção de acelerar seu crescimento. Consultorias focadas no mercado bilionário das fusões e aquisições sustentam que o caminho está livre e mostra tendência de aumento, talvez recorde, dos negócios em 2021.
 
O Pardini tem grande atuação em Minas, mas ainda concentrada na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Camilo de Lelis, diretor-executivo de finanças e relações com investidores afirma que outras aquisições são possíveis, principalmente, em regiões onde o grupo não tem unidades próprias para atendimento. “Estamos organizados para expandir ainda mais em outras regiões do Brasil, especialmente Nordeste e Sul”, afirma.
Apenas de abril a junho, o laboratório mineiro anunciou as aquisições do Laboratório Paulo C. Azevedo, líder em medicina diagnóstica no Pará, e do APC – Laboratório de Anatomia Patológica, que se tornou referência no Brasil em exames na área de oncologia. A companhia vê espaço para novas transações, estimulado inclusive pela retomada dos exames tradicionais, à exceção daqueles relacionados à COVID-19. “Considerando que não há saúde primária sem diagnóstico, o futuro da saúde está no custo evitável. Por isso estamos investindo tanto em capilaridade para dar acesso à alta especialização”, destaca de Lelis.
 
A Camil Alimentos continua à procura de boas oportunidades de aquisição, segundo o diretor-presidente da companhia, Luciano Quartiero, tanto em Minas, quanto em outros estados e na América do Sul. Na terça-feira, a empresa informou ter comprado o tradicional pastifício mineiro Santa Amália por R$ 260 milhões, negócio que permitiu seu ingresso na categoria de massas e a intenção é investir no aumento da capacidade da fábrica, assim como obter mais eficiência da fabricante.
 
“Outro ponto a ser considerado é a complementariedade geográfica que a Santa Amália trará para a Camil, já que pretendemos expandir nossa presença nas categorias em que já atuamos (grãos, pescados e adoçados) também em Minas Gerais”, afirma o presidente da Camil. A empresa mira aquisições não somente para obter ganho de escala, como também na perspectiva de reforçar sinergia com portfólio de produtos das linhas de farináceos, café e biscoito, além de massas.
 
Minas Gerais tem chance de renovar fôlego no mercado de fusões e aquisições, e que isso implique vantagens ao estado, claro, mesmo depois de ter registrado, em 2020, crescimento de 30% das transações, em relação a 2019, como identificou estudo da consultoria PwC Brasil. Representou performance bem superior ao desempenho no Brasil. Foram realizadas 68 operações em Minas no ano passado, frente a 52 no anterior, capitaneadas por companhias de serviços de saúde. O Brasil, por sua vez, registrou 1.038 transações, aumento de 14% no período.
 
As expectativas mais positivas perante a ampliação da vacinação dos brasileiros, embora em ritmo lento quando comparado ao de outros países, também impulsionam as aquisições, agora com outro caráter e não só associadas ao objetivo de garantir a sobrevivência, que marcou as transações durante a pandemia, na avaliação de Leonardo Dell'Oso, sócio da PwC. Os movimentos de consolidação e diversificação de negócios passaram a servir a metas de mais crescimento das empresas, uma vez vencida a crise sanitária.
 
Ao menos duas outras consultorias, a Duff & Phelps e a Dealogic, divulgaram estudos mostrando que as transações cresceram nos primeiros três meses de 2021 e também na comparação do primeiro semestre com o período do janeiro a junho de 2020. Que seja mais como alternativa de expansão com geração de postos de trabalho e renda do que saídas individuais de empresas em delicada situação financeira.

Sem acomodação

A expansão dos negócios da saúde não deve ter volta, na avaliação de Camilo de Lelis, diretor de Finanças do Pardini. Resultados do laboratório no segundo trimestre do ano indicaram retomada vigorosa de exames não ligados à COVID-19, totalizando 34 milhões, volume superior ao do mesmo período em sequência de anos anteriores à pandemia, incluindo 2019.

Dianteira

7% foi a participação de Minas no mercado de fusões e aquisições em 2020, ficando atrás apenas de São Paulo (50%) e Rio de Janeiro (8%)

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