Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas mina$ em foco

Em ano de perdas, colheita do café pode também ser decisiva no estado

Lavouras foram grandes responsáveis pelo desempenho da agropecuária no estado em 2020, e podem fazer a diferença em 2021


02/04/2021 04:00 - atualizado 02/04/2021 08:17

Trabalho nas plantações é aguarda como medida das perdas esperadas da cultura em 2021(foto: Beto Novas/EM/D.A Press - 24/3/09)
Trabalho nas plantações é aguarda como medida das perdas esperadas da cultura em 2021 (foto: Beto Novas/EM/D.A Press - 24/3/09)
Começa neste mês uma colheita com significado especial do café de Minas Gerais, estrela da produção agrícola e das exportações do agronegócio do estado. Só com o trabalho nas lavouras será possível medir a extensão das perdas esperadas neste ano, período desfavorável da bienalidade típica da cultura.

Os cafezais foram responsáveis pelo bom desempenho da agropecuária no estado em 2020, a despeito dos drásticos impactos do novo coronavírus sobre a economia, e podem fazer a diferença na aguardada reação de 2021. Agricultura e a pecuária resgataram Minas de um tombo que poderia ter ido além dos 3,9% registrados no ano passado.
 
Além de produtividade inferior, depois de um 2020 marcado por expressiva safra do café de Minas, desde setembro do ano passado a estiagem afetou o processo reprodutivo nas plantações e altas temperaturas se juntaram ao déficit hídrico. A bienalidade baixa custa ao redor de 20% de queda à produção cafeeira.
 
Estudo conduzido por pesquisadores da Emater-MG e do Sistema Faemg junto a cafeicultores, cooperativas e entidades do setor, cobrindo 322 municípios do estado, estimou perdas por intempéries em 193 mil hectares de área cultivada. Esse efeito poderá significar redução de 20,7% da safra neste ano.
 
De setembro, quando ocorre a floração da planta, ao fim do ano, foram registradas temperaturas superiores a 25 graus. Entre os 73,1% de municípios onde houve relatos de perdas da cultura, a intensidade do comprometimento da frutificação variou do nível médio a alto.
 
A perda tende a subir a 40,7% quando associada àquela carga de estresse do ciclo natural da planta. A Conab, por sua vez, estimou produção deste ano entre 19 milhões e 22 milhões de sacas em Minas, ante 34 milhões de sacas no ano passado. A projeção data de dezembro passado, quando a situação era crítica do ponto de vista climático.
 
Ana Carolina Alves Gomes, analista de agronegócios da Faemg, chama a atenção para o acompanhamento dos primeiros resultados da colheita, tendo em vista a importância da atividade para o desempenho econômico do estado. “A valorização dos preços pode compensar parcela da perda da produção, minimizando o impacto nas lavouras, mas não vivemos um momento positivo”, destaca.
 
Ampliada pelo efeito da estiagem e de altas temperaturas, a queda prevista da safra fez soar alerta nas regiões cafeicultoras de Minas, onde alimenta uma cadeia produtiva e de renda. Além da sustentação de famílias em centenas de municípios, ela move as compras locais de bens e serviços e a arrecadação tributária.
 
A Cooxupé, líder em exportações do produto, informou esta semana que trabalha com estimativa de produção de 7,49 milhões de sacas neste ano, 38,1% a menos que no ano passado, quando ofertou 10,99 milhões de sacas. Cerca de  96% dos cooperados vivem do sistema da agricultura familiar no extenso território abrangido pela entidade, no Sul,  no cerrado mineiro e na região conhecida como Média Mogiana de São Paulo.
 
As chamadas commodities agrícolas contaram, de fato, com bons preços no ano passado, o que também explica o bom desempenho do agronegócio. Não se sabe, agora, como vão se comportar num segundo ano já marcado por indicadores dramáticos da pandemia da COVID-19 no Brasil e por surpresas e restrições ao funcionamento do comércio, das empresas de serviços e à circulação de pessoas também de volta em países como a França e Alemanha.
 
Na semana passada, a saca de 60 quilos do café arábica cru alcançou R$ 730, quando a média da cotação no ano passado transitou entre R$ 450 e R$ 500. Resta ainda aguardar o comportamento do dólar em 2021. São movimentos que Ana Carolina Gomes, da Faemg, prefere avaliar com reservas. “Por mais que o preço esteja valorizado, se o cafeicultor não tem produção para entregar, não adianta”, diz. Os sinais de abril e maio serão vitais não só para a cafeicultura como para a reação essencial do PIB de Minas.

Embarques

As exportações de café não torrado de Minas Gerais subiram 13,7% em janeiro e fevereiro deste ano, com receita de 
US$ 682 milhões. Os embarques representaram 15% da receita das vendas externas totais do estado, de US$ 4,476 bilhões no bimestre.

No pedestal

17%. Foi a participação da produção da Cooxupé na safra nacional do café arábica em 2020

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade