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Estado de Minas Mina$ em foco

Contaminação nas áreas rurais de Minas exige atenção e medidas emergenciais

Além da obrigação do poder público perante o direito à vida, a recuperação da economia demandará mais do que se imagina das áreas rurais no estado


26/03/2021 04:00 - atualizado 26/03/2021 07:36

Vista de Uberaba: Municípios que se destacam na produção agropecuária de Minas, setor que amenizou a queda da economia em 2020, enfrentam aceleração da COVID-19(foto: PREFEITURA DE UBERABA/DIVULGAÇÃO - 23/3/21)
Vista de Uberaba: Municípios que se destacam na produção agropecuária de Minas, setor que amenizou a queda da economia em 2020, enfrentam aceleração da COVID-19 (foto: PREFEITURA DE UBERABA/DIVULGAÇÃO - 23/3/21)

O aumento do número de diagnósticos de COVID-19 na área rural impressiona em Minas Gerais, como no Brasil, e liga o alerta para a atividade da agropecuária.

O setor foi o único com crescimento no estado em 2020 e segurou a queda da produção de bens e serviços de Minas, contabilizada no PIB, de 3,9%. Enquanto a indústria e as empresas de prestação de serviços fecharam o ano no vermelho, houve ganho de 11,2% no campo, estimulado por elevação de preços e bons resultados das lavouras e da criação de animais.

Em menos de quatro meses, mais que dobrou o número de pessoas contaminadas desde o início da pandemia nos 10 maiores municípios da produção agropecuária mineira.

Segundo o boletim epidemiológico de ontem da Secretaria de Saúde de Minas Gerais, o universo de infectados pelo vírus nesse grupo de cidades que puxaram a salvação da economia alcançou 119.471. Representa 110,7% a mais na comparação com os 56.704 diagnósticos que haviam sido confirmados em 30 de novembro do ano passado.

O número de mortos subiu 124,4%, de 1.120 para 2.513 nesse período. Os 10 municípios com maior participação no PIB agropecuário de Minas são, nesta ordem: Unaí, Uberaba, Paracatu, Uberlândia, Estrela do Sul, Coromandel, Patrocínio, João Pinheiro, Perdizes e Sacramento.

Há indicações de que a velocidade tomada pela pandemia em quase quatro meses está associada à saída de moradores das zonas urbanas em direação ao interior nas férias de fim de ano e às viagens realizadas em feriados de carnaval.

No epicentro da crise sanitária, Uberaba e Uberlândia, polos do Triângulo Mineiro, vivem situação dramática em seus sistemas de saúde, com a acelerada contaminação pelo vírus. Preocupante também se mostra a situação de municípios menores com extensas áreas rurais.

Grande produtor de carvão de eucalipto, João Pinheiro, no Noroeste de Minas, registrou total de óbitos cinco vezes superior entre o fim de novembro e esta semana, de sete para 36 notificações até ontem. Os diagnósticos cresceram mais de 2,6 vezes (de 902 para 2.830) contados desde março de 2020.

Coromandel, cidade de destaque no mapa da produção de leite e grãos do Noroeste do estado, viu elevação de 470,5% no número de pessoas que se infectaram, de 275 para 1.569 casos.

Os registros de mortes cresceram mais de 15 vezes, de 5 para 77 no período. Em Estrela do Sul, forte em extração vegetal no Triângulo, o vírus contaminou 273 pessoas, 279% a mais que os 72 diagnósticos verificados no fim de novembro do ano passado.

Até meados do segundo semestre de 2020, pesquisadores no Brasil acreditavam que a COVID-19 estava mais associada a grandes cidades, onde ações nos hospitais ficariam concentradas.

Em entrevista ao Portal Fiocruz, da Fundação Oswaldo Cruz, o pesquisador Cassiano Franco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, observou que foi dada muita atenção à situação da pandemia e às aglomerações nos maiores municípios país afora.

“Questões relacionadas à falta de acesso à agua, ao saneamento, a médicos, desabastecimento frequente de insumos e medicamentos sempre ocorreram nas áreas rurais. Agora, na pandemia, isso salta aos olhos”, afirmou. De acordo com estimativas do IBGE, 60% dos municípios no Brasil são caracterizados como urbanos.

A piora das contaminações e das mortes nos municípios com grandes áreas rurais requer atenção das autoridades, para que eles sejam incluídos na logística de distribuição de insumos, remédios e equipamentos de proteção individual.

Além da obrigação do poder público perante o direito à vida, onde quer que seja, a recuperação da economia demandará mais do que se imagina das cidades com grandes áreas rurais no estado.

Cassiano Franco, da UFRJ, sugeriu, como política pública essencial nas zonas rurais e remotas, que os grupos vulneráveis ao coronavírus sejam identificados.

Outra medida recomendada é o mapeamento precoce de casos de contaminação que estiverem se agravando para que os profissionais da saúde possam antecipar a busca por transferência tanto para realização de exames quanto para tratamento hospitalar intensivo.

Aceleração


156,50% - Foi quanto aumentou o total de diagnósticos de COVID-19 em Minas entre 30 de novembro do ano passado e ontem

Mandioca


A Emater-MG e a Embrapa Cerrados firmaram parceria para estudar cultivares de mandioca, que os seus pesquisadores desenvolveram. Em Minas, foram implantadas 60 unidades de avaliação nas regiões Noroeste, Central, Norte, Mucuri, Sul e Zona da Mata. Desse universo, metade se destina ao estudo das chamadas cultivares de mesa, próprias para o consumo in natura, e o restante para avaliação de uso industrial. 






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