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Estado de Minas Mina$ em foco

Diamantina ingressa no mapa da produção mineira de vinhos finos

Produtores do município histórico estão em plena safra, com oferta que vem crescendo e partem também para a elaboração de espumantes


28/11/2020 04:00 - atualizado 28/11/2020 00:19

Plantação de uva no município do Vale do Jequitinhonha é a nova face da economia lavrada com a mineração (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press - 7/2/08)
Plantação de uva no município do Vale do Jequitinhonha é a nova face da economia lavrada com a mineração (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press - 7/2/08)
Surge um reforço especial para a próspera produção de vinhos finos e azeites de Minas Gerais. Conhecida por suas terras fustigadas pela mineração desde o Século 18, Diamantina mostra uma nova face de bem-sucedidos e promissores vinhedos. A cidade histórica pôs seus pés no mapa da bebida mineira obtida de parreirais em áreas onde os produtores abraçaram técnicas de manejo e poda que proporcionam vida ao chamado terroir. Eles começam a ganhar reconhecimento.

Fruto de investimentos feitos desde 2003, a safra deste ano está em plena elaboração, com diversidade de oferta, e preparação de espumantes, embora em volume ainda modesto. Parcela da produção, que atinge entre 10 mil e 12 mil garrafas por ano, é feita em instalações montadas pela Associação de Vitivinicultores e Olivicultores de Diamantina e Alto Jequitinhonha (AVODAJ).

O aumento da produção tem ocorrido devagar, mas amparado na experimentação orientada para seleção de uvas melhor adaptadas ao clima e ao solo – Syrah e Sauvignon blanc são algumas delas – e o regime da dupla poda das videiras difundido por meio de acordo firmado entre a entidade, que reúne 12 produtores, e a Epamig.

O presidente da entidade, João Francisco Meira, estima que os produtores tenham investido cerca de R$ 15 milhões desde 2003, incluindo aportes em plantio, manejo, compra de equipamentos e construção de instalações. O cultivo avança, ocupando, hoje, ao redor de 50 hectares de área plantada, alguns deles ainda em desenvolvimento. “Nos últimos dois anos nos concentramos na questão do volume de produção, já que a adequação e a qualidade do produto estão consagrados. Já há muitas encomendas feitas pelas redes sociais”, diz Meira.

Como o presidente da AVODAJ tem observado, o trabalho dos vinicultores de Diamantina é, a rigor, uma retomada estruturada em tecnologia moderna e no uso de variedades europeias. Há relatos sobre o cultivo de uva no município no Século 19 e de iniciativas tomadas pelo então governador Juscelino Kubitschek (31/1/1951 a 31/3/1955) para incentivar o setor, que, praticamente, desapareceu na década de 1970.

Com vasto mercado consumidor a ser explorado, os produtores aliam, agora, a oferta de vinhos finos à conceituada gastronomia local e ao turismo, e criaram roteiro de visitas às vinícolas. Outra medida importante foi a assinatura de acordo de cooperação técnico-científica pela AVODAJ com a Epamig, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e a Prefeitura de Diamantina para desenvolvimento da vitivinicultura e da olivicultura. Foi ainda negociado o apoio da Emater-MG.

Não era a disposição que faltava aos produtores para desenvolver os olivais e planejar a produção de azeites, mas orientações e suporte aos tratos culturais. Por meio do acordo firmado com a Epamig, serão criados dois campos experimentais, um deles dentro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e outro no município de Maria da Fé, com as mesmas variedades, no que os técnicos chamam de 'espelho'.

A despeito do cuidado no cultivo de oliveiras entre 1.300 e 1.400 metros de altitude, a produção não é significativa. Pesquisadores da Epamig visitaram áreas implantadas em 2011 e 2012 e avaliaram a plantação. Embora o cultivo se estenda por terras em elevadas altitudes, – segundo o pesquisador Pedro Moura, é o recomendado para o cultivo de oliveiras na Serra da Mantiqueira – a latitude em Diamantina é cerca de 4 graus inferior, portanto, está mais próxima da linha do Equador, o que implica temperaturas um pouco mais elevadas.

O desenvolvimento de duas promissoras riquezas da produção mineira significa mais do que valorizar o agronegócio. Leva diversidade à economia do município histórico, patrimônio cultural da humanidade, gerando renda e emprego numa região pobre e carente de investimentos do estado e da iniciativa privada.

MATÉRIA-PRIMA


16 mil toneladas - É a produção mineira de uvas estimada, neste ano, até outubro pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento

DIANTEIRA

Duas das regiões de Minas que despontam na produção de vinhos de qualidade são o Sul do estado, com vinhedos das variedades Syrah e Sauvignon Blanc, e a Serra da Mantiqueira, onde as uvas melhor adaptadas são da variedade Chardonay. O potencial do Sul foi estimulado a partir de 2000 pelo método da dupla poda, orientado pela Epamig, que altera o ciclo da videira. Na Mantiqueira, os produtores adotaram clones, porta-enxertos e técnica inspirada na região francesa de Champagne.

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