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Atrás do arroz, há muitos aumentos chegando além da mesa, como os combustíveis

A inflação de agosto mostra o avanço de outros custos que as famílias estão pagando. Energia elétrica, gasolina, óleo diesel, etanol e o transportes em geral, além da manutenção da casa, ressurgiram com reajustes importantes e superiores à inflação medida tanto no Brasil quanto na Região Metropolitana de Belo Horizonte


12/09/2020 04:00 - atualizado 12/09/2020 00:47

Gastos com a gasolina subiram, em média. 4,41% em agosto, mais de 10 vezes a inflação (de 0,44%) medida pelo IPCA da Fundação Ipead, vinculada à UFMG(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press %u2013 17/4/20)
Gastos com a gasolina subiram, em média. 4,41% em agosto, mais de 10 vezes a inflação (de 0,44%) medida pelo IPCA da Fundação Ipead, vinculada à UFMG (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press %u2013 17/4/20)
 
O arroz levou a culpa numa semana marcada pela repercussão do aumento dos preços dos alimentos e por uma única medida anunciada pelo governo para contê-los, a isenção da tarifa de importação sobre 400 mil toneladas do produto até dezembro. No entanto, esse carro-chefe da mesa dos brasileiros está bem distante da condição de único culpado. A inflação de agosto mostra o avanço de outros custos que as famílias estão pagando. Energia elétrica, gasolina, óleo diesel, etanol e os transportes em geral, além da manutenção da casa, ressurgiram com reajustes importantes e superiores à inflação, medida tanto no Brasil quanto na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O desamparo diante da corrida dos preços afeta mais quem depende do auxílio emergencial, agora reduzido a parcelas de R$ 300 até dezembro, enquanto a previsão de queda dos preços dos alimentos continua na base de discurso e da expectativa. Em BH, a ajuda do governo  equivale, apertado, a 10 sacos de arroz de 5 quilos.

Como numa espécie de ciranda, os brasileiros, assustados com os aumentos, assistiram a um presidente que, preocupado com a curva da inflação, pede patriotismo aos varejistas, os quais acusam fornecedores pelos reajustas e estes, por sua vez, enumeram uma série de custos que subiram. Só não sobrou aos consumidores, principalmente aqueles de baixa renda, a quem recorrer para repassar a conta.

Na mesa ou fora dela, há um fardo lançado sobre as famílias e, se não parece, é fato que os aumentos dos preços não vão se resolver rapidamente, como vem alertando André Braz, coordenador do IPC da Fundação Getulio Vargas/IBRE. “Enquanto a taxa de câmbio não se estabilizar, não haverá baixa consistente de preços”, afirma. O mesmo governo que sobe no palanque para estranhar as razões de aumentos que já conhecia segue firme sem mexer em políticas que pressionam o câmbio e levar confiança aos investidores internacionais.

“Tomara que o trabalhador, que vive do voucher emergencial, agora reduzido à metade, consiga aumentar a renda com a reabertura do comércio. O maior fardo que o trabalhador carrega hoje é o desemprego”, diz André Braz. Num desabafo, ele lembra que as famílias se sacrificam, quando a renda cai, e mudam os hábitos de consumo, como mostrou a reportagem do Estado de Minas. Os políticos, no entanto, não querem dar a sua cota de sacrifício e o exemplo reduzindo privilégios. E nem o go- verno. Melhor sinal seria levar a sério o compromisso com a  redução de gastos públicos que poderiam liberar recursos para investimentos, estes sim, capazes de induzir à recuperação da economia.

Além da elevação dos gastos com os alimentos, em BH, a inflação de agosto indicou reajuste médio de 4,41% nos preços da gasolina, mais de 10 vezes a inflação (de 0,44%) medida pelo IPCA da Fundação Ipead, vinculada à UFMG. O aumento das despesas com habitação, de 1,45% superou o comportamento de alta, inclusive, de alguns alimentos, como os industrializados, que encareceram 1,16%. No caso do condomínio, o reajuste foi de 0,85%, quase o dobro do IPCA do mês passado.

Na apuração do indicador oficial da inflação no país, o IPCA do IBGE, a pressão dos gastos dos brasileiros com os produtos não alimentares em agosto ficou clara. Diante da inflação de 0,21% medida na Grande BH, destacaram-se os aumentos de despesas com energia elétrica residencial (2,65%); gasolina (2,89%); óleo diesel (6,12%), etanol  (1,88%) e o transporte em geral (0,84%).

Ainda entre os alimentos, é preciso tomar cuidado com as substituições dos produtos mais caros e considerados vilões do bolso. Não são poucos esses vilões. Bola da vez, o macarrão  é recomendado para substituir o arroz, mas também encareceu neste ano bem acima da inflação geral. Os gastos com o produto subiram 4,05% em BH de janeiro a agosto, frente ao IPCA de 1,74%, segundo a Fundação Ipead.

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