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Governo Zema: tempo curto para a Cemig

Talvez o mercado esteja com o pé atrás enquanto não se decide a situação da empresa. Mas existem duas coisas muito claras na cabeça do investidor, a valorização do patrimônio e o lucro


postado em 11/10/2019 04:00 / atualizado em 11/10/2019 08:02

Do ponto de vista de seu desempenho no mercado de ações, o momento para o estado se desfazer da Cemig não poderia ser melhor(foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A PRESS - 14/7/06)
Do ponto de vista de seu desempenho no mercado de ações, o momento para o estado se desfazer da Cemig não poderia ser melhor (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A PRESS - 14/7/06)


Cereja do bolo que o governo de Minas Gerais pretendia servir logo aos investidores, a Cemig transitou do caldo entornado na Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa, na semana passada, sobre a proposta de Romeu Zema para privatizar a concessionária, à festa de lançamento da empresa criada para atuar no promissor mercado das fazendas solares. São forças opostas, mas que, em comum, não vão dar o tempo com o qual o governador esperava contar em busca de apoio no Legislativo ao seu projeto de venda.

Do ponto de vista de seu desempenho no mercado de ações, o momento para o estado se desfazer da Cemig não poderia ser melhor. O valor de mercado – quer dizer, a avaliação do conjunto das ações da companhia – teve recuperação meteórica de 2017 para o ano passado, quando saiu de R$ 8,45 bilhões para R$ 20,78 bilhões. O avanço continuou neste ano, na cifra de R$ 21,3 bilhões, segundo cálculos levantados pela consultoria Economatica, a pedido da coluna.

Trata-se do maior valor de mercado da Cemig em 11 anos, próximo da melhor performance, até então, da série histórica da Economatica, que foi de R$ 20,913 bilhões em 2011. Pode parecer que em todo esse período dos últimos oito anos a empresa ficou girando como uma enceradeira, dessas que o comércio aboliu das lojas, mas, para um governo aflito por fazer caixa pode significar uma bela recuperação, como observa o economista Paulo Vieira, professor da Uni-Horizontes.

“Talvez o mercado esteja com o pé atrás enquanto não se decide a situação da empresa. Mas existem duas coisas muito claras na cabeça do investidor, a valorização do patrimônio e o lucro”, afirma. Há que se considerar uma série de indicadores como se o valor de mercado se traduz em bom patrimônio e a progressão de uma dívida superior a R$ 12 bilhões nos próximos cinco anos.

Ainda assim, a bula dos investidores tem sido seguida. A companhia lucrou R$ 1,7 bilhão em 2018, 70% mais que no ano anterior, melhorou a geração de caixa em 8,3%, embolsou R$ 654 milhões ao se desfazer de ativos na área de telecomunicações e reduziu a folha de pessoal em 13%. Em 2019, medidas de corte de custos e melhorias de eficiência, além da redução de 25% dos cargos de gerência e superintendência, deverão render economia de R$ 300 milhões em 2020.

De abril a junho, a Cemig continuou a lucrar, com resultado líquido de R$ 2,114 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações foi de R$ 1,8 bilhão, 105% mais na comparação com o segundo trimestre de 2018. Nada mal para os analistas de bancos e corretores, que, como lembra Paulo Vieira, “adoram essa conversa de privatização”.

O caminho para o governo mineiro, no entanto, pode ser mais longo e espinhoso do que se imagina, e não é por outro motivo que Zema encaminhou projetos de lei para a ajuste fiscal do estado à Assembleia sem incluir a venda das ações da Cemig. “A empresa enfrentou comportamento errático, no entanto, em 2018, o investidor voltou a comprar e a rentabilidade melhorou”, observa Paulo Vieira debruçado sobre os números destacadas pela Economatica.

As ações ordinárias (CMIG3) da companhia ofereceram rentabilidade de 7,95% entre o fim de dezembro de 2018 e o último dia 4, ainda de acordo com o ranking da Economatica. Os papéis preferenciais (CMIG4) tiveram valorização de 3,96% no mesmo intervalo de tempo. São percentuais modestos quando comparados à evolução de 16,69% do Ibovespa, o índice das ações mais negociadas na bolsa brasileira, a B3, e de 37,32% do Ieelétrica, o índice do setor. O retorno, entretanto, serve de grande conforto ao se observar o inferno astral que a companhia enfrentou em 2015, com perdas superiores a 51%.

Pode ser muito cedo para apostar na receita de mais de R$ 10 bilhões que o secretário Otto Levy estimou esta semana, considerando o prêmio que o estado terá com a venda das ações de controle. O governo também será testado nas suas justificativas para a privatização.

O discurso dos ganhos para o consumidor com empresas mais eficientes e competitivas nas mãos da iniciativa privada não tem colado no Brasil em várias áreas nas quais se acreditava em tarifas mais baixas com o estímulo à concorrência, a exemplo da telefonia. Os deputados da Comissão de Minas e Energia da Assembleia ouviram de seus pares de Goiás, onde a Celg foi privatizada, que o consumidor pagou reajustes bem maiores depois da venda da companhia.

Alsol e Fiemg
Empresa especializada em tecnologia de geração de energia solar fotovoltaica, a Alsol Energias Renováveis, do grupo Energisa, acertou com a Fiemg parceria para oferecer aos associados da entidade a produção de fazendas solares com descontos nas contas de energia. A companhia tem três empreendimentos em fase de conclusão para ser entregues até o fim do ano e tem planos de investir no estado R$ 300 milhões até 2021.

Como funciona
No novo modelo de negócios, empresas não terão de investir em placas solares ou dispor de espaços adequados à captação de luz do sol para se beneficiar da energia gerada. Elas podem participar de consórcios para alugar cotas de uma usina solar, dimensionada de acordo com o histórico de consumo do cliente. O excedente de energia injetada na rede pela fazenda solar será descontado do consumo na fatura do cliente, na forma de créditos.

GANHO
26%
É a economia estimada para as indústrias que aderirem aos contratos de geração de energia distribuída a partir do acordo firmado entre a Fiemg e a Alsol
 
 


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