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Estado de Minas Bra$il em foco

A inflação nossa de cada dia vai prosseguir firme no ano que vem

Esse ambiente fragiliza a economia e eleva o risco do país para investidores externos, pressionando o câmbio


11/11/2021 04:00 - atualizado 11/11/2021 08:54

Depósito de botijões de gás em Belo Horizonte
Aumento do gás de cozinha, que aflige consumidores, ajuda a elevar os impostos e contribuições recolhidos pelo governo (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press -14/6/21)

Quando se fala de inflação – um item no qual o brasileiro já deveria ser phD pelo histórico de reajustes de preços estratosféricos – é preciso considerar que ela se dá em um período de tempo e portanto, o passado realimenta o futuro se não houver cuidado com os riscos de que isso venha a ocorrer. E no Brasil hoje o maior perigo é a acomodação do governo diante da aceleração dos preços até por ele não sofrer impactos negativos diretos e, pelo contrário, ver a alta catapultar a arrecadação de impostos. Só com o aumento dos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha, que afligem milhões de famílias brasileiras, impactando seus orçamentos,  o governo deve receber nos cofres cerca de R$ 70 bilhões, entre PIS/Cofins, dividendos e royalties, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Além desse “ganho”, uma manobra feita na votação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados se valeu da inflação em alta para ampliar o orçamento de gastos do governo no próximo ano. O cálculo do Teto de Gastos, fixado com base na inflação de julho a julho passa agora a ser atualizado pelo índice de preços de janeiro a dezembro, quando o IPCA foi mais alto e libera cerca de R$ 47 bilhões no Orçamento da União. Como o IPCA de outubro ficou em 1,25% e no acumulado de 12 meses se mantém acima de 10%, pode ser que esse valor seja ainda maior. Com isso, o governo contribui para agravar um dos maiores riscos para a economia brasileira no momento: a inércia inflacionária, com a inflação passada alimentando a correção futura de preços.

A previsão de economistas do Banco Ourinvest é que a inflação continuará pressionada em 2022. “A pressão de custo prossegue, com a inflação em alta. Não conseguimos ver queda contínua de preços de commodities”, diz Fernanda Consorte, economista-chefe do Ourinvest. E não são apenas as commodities que vão pressionar os preços no Brasil em 2022. Se agora o governo já “vê com bons olhos” o aumento de gastos, no ano que vem a perspectiva é de que novas medidas populistas e que representam mais gastos sejam tomadas. “Essa combinação de medidas populistas com ambiente fiscal fragilizado gera pressão inflacionária”, lembra a economista.

Fernanda acrescente que esse ambiente fragiliza a economia e eleva o risco do país para investidores externos, pressionando o câmbio. “A desvalorização de mais de 30% no câmbio acabou sendo repassada para os preços e se o câmbio se mantiver por muito mais tempo vamos continuar vendo pressão inflacionária”, alerta a economista do Ourinvest, Cristiane Quartaroli. “O câmbio dificilmente vai ficar abaixo de US$ 5,00 ao longo do ano”, reforça Fernanda Consorte. No contexto de alta volatilidade de ativos que caracteriza anos eleitorais, teremos ainda em 2022 a continuidade do aumento dos preços da energia e dos combustíveis. “Há elevação dos preços do petróleo e da energia e as decisões da COP-26 com a transição energética vão encarecer os preços da energia nos próximos anos”, reforça Welber Barral, estrategista de comércio exterior do Ourinvest.

Com esse cenário, Fernanda, Cristiane e Barral concordam que a única ferramenta disponível no momento para combater a aceleração de preços é a política monetária do Banco Central. Com o risco de a inércia alimentar esse círculo de pressão sobre custos forçando reajustes, as taxas de juros devem continuar subindo e chegar a 12% ao ano. E mais juros vão significar menos crescimento econômico.


Desacelerando

As vendas de cimento em outubro somaram 5,4 milhões de toneladas, o que representa queda de 9,5% sobre mesmo mês do ano passado. No ano, os números mostram aumento de 7,5% sobre 2020. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, o setor está em trajetória descendente desde abril, quando as vendas subiram 20,8%. Mas o período de maior crescimento ficou para trás.

Florestas

R$ 500 MIIlhões - É o valor que pode alcançar a linha coletiva de crédito do Floresta Viva, iniciativa do BNDES para financiar o replantio de florestas nativas

Reciclando

O processo de reciclagem de alumínio, que hoje é de mais de 90% no Brasil começa a ser expandido para outros setores. A Unilever desenvolveu tecnologia para reaproveitar o polietileno de alta densidade (embalagens rígidas – xampus, produtos de limpeza, etc –, que assim como no caso das latas, é recolhido, processado e volta para a fábrica como nova resina. Hoje já são 6 mil toneladas/ano de resinas reutilizadas no país.
 

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