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Estado de Minas Bra$il em foco

Atritos de ministros colocam otimismo e crescimento em 2022 em dúvida

Divergências no governo, inflação pressionada por energia, combustíveis e dólar caros e elevação da taxa de juros são os ingredientes da economia no ano que vem


04/11/2021 04:00 - atualizado 04/11/2021 07:27

Ministro Paulo Guedes em evento no Palácio do Planalto
O ministro da Economia, Paulo Guedes, comemorou os números do Caged que ontem foram revistos para metade do anunciado em janeiro (foto: Sérgio Lima/AFP)

Há uma gritante divergência entre o otimismo dos discursos do ainda ministro da Economia, Paulo Guedes, mesmo após perder seus principais assessores na guerra entre os que defendem o teto de gastos e os que entendem que o Estado não dever ter limites de despesas para atender aos interesses da população.

E os dados divulgados por áreas diferentes do governo mostram turbulência sobre o antes todo-poderoso “Posto Ipiranga” da economia.

Desmembrado do superministério em julho deste ano, o Ministério do Trabalho e Previdência informou ontem que reviu os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)  do ano passado e que a geração de postos com carteira assinada foi 46,2% menor do que a alardeada em janeiro pelo próprio governo (leia-se Paulo Guedes).

Os números mostram que não foram abertos 142 mil empregos com carteira assinada, mas sim 75.883 no ano passado. A justificativa é o fato de as empresas que informam admissões e demissões terem prazo para atualizar os números.

Fora da explicação para inglês ver, os ministros do Trabalho, Onyx Lorenzoni, e Paulo Guedes estão se enfrentando abertamente dentro do governo.

A revisão dos números do Caged anunciada ontem ocorre cerca de um mês após Lorenzoni e Guedes trocarem farpas publicamente, com Paulo acusando Onyx de gastar mal as verbas da sua pasta e Onyx dizendo que o colega de primeiro escalão está “perturbado”.

O ponto de divergência entre os ministros é o Auxílio Brasil, programa substituto do Bolsa-Família. Enquanto Onyx se alinha com a ala política do governo (leia-se Centrão) e não vê problema no fato de se estourar o teto de gastos para bancar programas sociais, a ala econômica, capitaneada por Guedes, quer que os recursos para bancar o programa – visto como necessário, mas apontado como eleitoreiro por ter duração apenas até dezembro de 2022 – venham da PEC dos Precatórios e da reforma do Imposto de Renda, projetos que dependem do Congresso, onde o governo tem enfrentado dificuldades, principalmente no Senado.

É desse embate também que vem água fria na fervura do otimismo de Paulo Guedes. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa básica de juros (Selic) em 1,50 ponto percentual e anunciou que na próxima fará novo aumento de 1,50 ponto, levando a Selic a fechar o ano em 9,25% e com previsão de que ela volte ao patamar de dois dígitos em 2022, mostra que risco fiscal, com perspectiva de o governo romper o teto de gastos, e resiliência nos reajustes de preços levaram o Copom a considerar que o crescimento econômico em 2022 será menor.

Ainda assim, mantém a projeção do PIB em 2,1%, em linha com a previsão do governo, que fala em crescimento econômico acima de 2% no ano que vem.

Elevação das taxas de juros e reajustes de combustíveis e energia vão minar a geração de emprego e ajudar a derrubar as projeções para a economia no ano que vem. Nas contas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apenas o aumento na tarifa energética vai representar a subtração de R$ 8,2 bilhões do PIB este ano e de R$ 14,2 bilhões em 2022. Somados, são R$ 22,4 bilhões a menos na geração de riqueza do país.

É essa conjuntura que leva bancos e instituições financeiras a projetarem crescimento econômico abaixo de 1% no próximo ano, sendo que para a Acrefi essa expansão será de 0,4%, enquanto para o Itaú o PIB brasileiro vai cair 0,5% em 2022. Divergências no governo, inflação pressionada por energia, combustíveis e dólar caros e elevação da taxa de juros são os ingredientes da economia no ano que vem.

De chinês

Na próxima quinta-feira, dia dos solteiros na China, ocorre a “black friday” chinesa, com os sites esperando movimentos recordes, principalmente no Brasil, país onde a promoção movimentou US$ 16,6 bilhões, segundo dados do eBit. A previsão da AliExpress, marketplace de vendas internacionais do grupo Alibaba, é de que os descontos cheguem a 80% em 11 do 11. A empresa terá 80 voos fretados para entrega dos itens no Brasil.

Crédito

Já a aproximação da Black Friday no Brasil tem levado as empresas a buscarem crédito para incrementar a data. Entre 1º e 20 de outubro, a demanda por crédito no segmento de comércio de vendas on-line (e-commerce) teve crescimento de 18% na base da GYRA%2b em relação aos 50 dias anteriores. A GYRA é uma fintech especializada na liberação de crédito para pequenas e médias empresas.

Nas fábricas

R$ 6 bilhões
É quanto a alta da energia vai tirar do PIB industrial do Brasil neste e no próximo ano, nas contas da CNI

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