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Estado de Minas Entre Linhas

O ano que mal começou e a espera por uma vacina para COVID-19

Para a maioria da população, o 2021 somente vai começar quando um imunizante contra o coronavírus chegar ao país


05/01/2021 04:00 - atualizado 05/01/2021 07:41

Voluntário recebe dose de vacina em teste realizado em Minas Gerais por laboratórios farmacêuticos(foto: Carol Morena/CCS Medicina/UFMG - 4/11/20)
Voluntário recebe dose de vacina em teste realizado em Minas Gerais por laboratórios farmacêuticos (foto: Carol Morena/CCS Medicina/UFMG - 4/11/20)

2021 é uma espécie de ano que ainda não começou, perdoem-me o trocadilho com o título do livro de Zuenir Ventura,  1968: o ano que não terminou. Talvez o sinal mais emblemático que ainda estamos vivendo no ano passado sejam os passeios do presidente Jair Bolsonaro em Guarujá (SP), nos quais voltou a provocar aglomerações e circular sem máscaras com assessores e seguranças da Presidência.

Mais déjà vu, impossível. 2020 foi um ano perdido, com 196 mil mortos pela COVID-19, e parece que não quer acabar.

Para a maioria da população, o ano somente vai começar quando a vacina chegar.

O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro e suas declarações sobre a real necessidade de as pessoas se vacinarem são uma cortina de fumaça para a incompetência do seu governo no enfrentamento da crise sanitária.

O aumento exponencial do número de casos no mês de dezembro é um recado claro de que é impossível restabelecer plenamente as atividades econômicas sem a imunização em massa da população.

A chegada do vírus mutante da Inglaterra é uma preocupação a mais, pela velocidade de sua propagação.

O tempo, porém, não corre igual para todo mundo. Por exemplo, para alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello –, que resolveram voltar a trabalhar em janeiro, em pleno recesso, o ano começou mais cedo.

No Congresso, o ano só começará com a eleição das Mesas da Câmara e do Senado.

Pega fogo a disputa entre o líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Bolsonaro, e Baleia Rossi (MDB-SP), o candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à sua sucessão no comando da Câmara, que ontem recebeu o apoio formal da maioria da bancada do PT.

Lira ainda é o favorito, mas ninguém ganha eleição de véspera. No Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) tenta emplacar o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) na Presidência, mas esbarra nas candidaturas do MDB, que tem quatro postulantes cabalando votos: Simone Tebet (MS), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ);  Eduardo Braga (AM), líder da bancada;  Fernando Bezerra (PE), líder do governo no Senado; e Eduardo Gomes (TO), líder do governo no Congresso. Quem conseguir mais apoio será o candidato de toda a bancada da legenda, pactuaram.

Entregas


No calendário do Executivo, o terceiro ano de mandato é o das entregas. Pelo andar da carruagem, até aqui, Bolsonaro levou o governo no gogó.

Além da vacina, não entregou a reforma tributária, as privatizações, a reforma administrativa, a retomada do crescimento etc.

Manteve sua popularidade em plena pandemia muito mais em razão do auxílio emergencial do que das suas realizações, à custa da expansão exponencial do déficit fiscal.

Como tem a pretensão de se reeleger, agora começará uma corrida contra o relógio, porque o tempo que lhe resta de mandato cada vez será o recurso mais escasso.

No calendário das entregas, a vacina é a principal demanda da população. Seu ano de entregas somente vai começar quando as pessoas forem imunizadas.

Mesmo assim, uma parcela enorme da população continuará desempregada, porque a economia somente deve entrar em recuperação no segundo semestre.

Sem auxílio emergencial, a vida não será fácil para 72 milhões de brasileiros que receberam o benefício no ano passado. Muitos terão que se reinventar, porque as atividades econômicas estão passando por muitas transformações.

Com a pandemia, o trabalho remoto e a concentração de capital avançaram bastante. A maioria das empresas que sobreviveram mudou suas operações, em maior ou menor grau, impactando outras atividades.

Por exemplo, o mercado imobiliário e as companhias de aviação sofreram impactos irreversíveis a curto prazo. A concentração de capital também é visível a olho nu, basta entrar num shopping center e ver as lojas que fecharam e as que estão sendo abertas.

As empresas de logística também se beneficiaram tremendamente do comércio eletrônico.

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