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Hulk e Seleção Brasileira: poucos merecem mais que o atacante do Atlético

Hulk tem a frieza dos grandes artilheiros, que não se afobam diante da chance de gol. O que, ressalte-se, costuma ser decisivo em momentos como Copa do Mundo


23/06/2022 19:15 - atualizado 23/06/2022 19:28

Hulk com a camisa do Atlético
Hulk, do Atlético, é um dos principais nomes do futebol brasileiro há um ano (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)
A palavra, por si só, já diz muito: seleção. Os melhores. O dicionário Michaelis define: ato ou efeito de selecionar ou escolher; escolha criteriosa e fundamentada. Pois são muitos os critérios e fundamentos que levam a uma crescente comoção nacional da indicação de Hulk para a Seleção Brasileira.

A cada gol, a cada passe preciso, a cada arrancada fulminante, os programas esportivos aumentam o volume do debate: por que Hulk não é chamado por Tite? 

A resposta é meio incógnita. Tite nunca falou diretamente os motivos. Usou metáforas, ênclises, próclises e mesóclises para comentar, quando questionado. Explicou, do jeito dele, as escolhas.
Mas, na prática, não teve um discurso tão claro a ponto de ser possível compreender (ou aceitar) o fato deixar de fora da Seleção o jogador mais regular em gramados brasileiros há um ano. Aquele que mais convenceu e venceu, com muita autoridade.

Com a proximidade cada vez maior da Copa do Mundo do Catar, e com o camisa 7 do Galo continuando a desafiar o tempo e a encantar, a pressão vai ficando maior. Extrapola fronteiras atleticanas. Vai além da paixão, pincelada por contornos racionais.

Não é difícil enumerar os motivos pelos quais Hulk merece um lugar no grupo da Seleção.

O golaço que ele marcou contra o Flamengo, na quarta-feira, no Mineirão, num toque de cobertura com precisão milimétrica, já valeria o carimbo no passaporte para o Catar. Ainda que fosse um lance isolado, até ia lá. Sorte, acaso... Mas não é. E Tite sabe que não é. Eu e você sabemos que não é. Aquilo ali foi mais uma amostra do que é Hulk.

Além de integrar uma safra de jogadores que tem respeito pela camisa da Seleção e o que ela representa – algo que se perdeu com o tempo, de certa forma –, ele se preocupa com sua condição de atleta. É admirável ver como entende os limites do seu corpo, o passar do tempo e trabalha para que possa exercer seu papel da melhor forma.

Aos 35 anos (perto de completar 36), tem preparo físico melhor que muito garoto por aí.

Outra qualidade que leva como aliada para campo: a inteligência. Hulk é o jogador da força física, do contato corpo a corpo, mas também consegue imprimir velocidade pela visão de jogo, que encurta caminhos, e pela potência para engatar a quinta marcha.

O segundo gol do Atlético contra o Flamengo é uma conjunção perfeita disso: ele partiu desde a defesa, deixou dois rubro-negros para trás e ainda chegou inteiro à frente, para colocar a bola na cabeça de Ademir, em uma assistência de cair o queixo. 

É apenas mais um lance que joga por terra qualquer pormenor relativo à idade que possa ser feito. É nítido que isso não é entrave para as atuações dele.

Centroavante moderno, não se contenta em ficar na área esperando a bola chegar. Não são poucas as vezes, inclusive, em que até se distancia demais, por vezes recuando até a defesa para desarmar adversários.

Tem o chute forte, que assusta qualquer goleiro, mas também o jeito. A frieza dos grandes artilheiros, que não se afobam quando estão diante da chance de marcar. O que, ressalte-se, costuma ser decisivo em momentos como Copa do Mundo.

Os números de Hulk


Tudo isso pode soar exagero, uma profusão sem fim de elogios, porém, é apenas reflexo do que Hulk apresenta. Para quem quer mais critérios e fundamentos, todos esses atributos são traduzidos em números.

O camisa 7 do Galo disputou 27 jogos nesta temporada. Tem 21 gols marcados (média de 0,77) e cinco assistências. Isso num time que oscila muito e que coletivamente não encontrou um padrão de atuação, nem regularidade.

Foi o artilheiro do Campeonato Mineiro de 2022, balançando as redes 10 vezes. Em 2021, também foi quem mais balançou as redes pelo Brasileiro e pela Copa do Brasil, sendo um dos principais (senão o principal) alicerces das campanhas vencedoras do alvinegro.

Em pouco mais de um ano no Atlético, já se isolou como o maior goleador do novo Mineirão (reaberto em 2013), é o quarto maior artilheiro do Galo no século – tem 57 gols, atrás de Marques, com 59; Guilherme Alves, com 76; e Diego Tardelli, com 112. Na centenária história alvinegra, já é o 40º goleador. 

As credenciais são muitas. Não fossem tão concretas assim, acreditem, os questionamentos a Tite não passariam das montanhas de Minas. A questão não é levar Hulk para ser titular. É saber que Hulk está à altura de ser chamado para estar no Catar.

Tirando um ou outro da mesma posição, intocável na lista do treinador da Seleção, não há justificativa para deixá-lo de fora.

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