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Rumores de Mancini no Fluminense: será que ele deixaria o América de novo?

O simples fato de o nome do Mancini aparecer em especulações sobre o próximo comandante do Fluminense é uma amostra grande do que é o futebol brasileiro


28/04/2022 19:53 - atualizado 29/04/2022 09:11

Vagner Mancini à beira do campo, no Independência, em jogo do América
Vagner Mancini retornou ao América após a demissão de Marquinhos Santos (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
O timing foi bem desfavorável. Menos de 48 horas depois de o América amargar a decepcionante derrota para o Tolima, no Independência, por 3 a 2 – que tornou mais difícil a classificação para as oitavas de final da Copa Libertadores –, surgiu no Rio de Janeiro a notícia de que o técnico Vagner Mancini, mesmo ainda em início de sua segunda passagem pelo Lanna Drumond, teria sido oferecido por empresários ao Fluminense, para ocupar a vaga de Abel Braga, que pediu demissão. 

A informação partiu do experiente jornalista Cícero Mello, dos canais ESPN. O nome de Mancini agradaria aos dirigentes tricolores. No futebol carioca, ele já dirigiu Vasco e Botafogo, em ambos sem muito brilho.

No América, retornou há pouco mais de duas semanas, após a demissão de Marquinhos Santos. Voltou seis meses depois de interromper o ótimo trabalho que fazia no Coelho para tentar salvar o Grêmio da queda para a Série B do Campeonato Brasileiro. Não conseguiu. Acabou dispensado do clube gaúcho em 14 de fevereiro.

A primeira pergunta que vem à cabeça é: tomaria Mancini de novo a decisão de deixar o América? Ele foi recebido de braços abertos, na volta ao Lanna Drumond. Para os americanos, significou o fio condutor com um passado recente de recordações positivas. Era a senha para esse resgate.

O início foi animador, com intervenções alçadas ao patamar de milagrosas: do dia para a noite, o ataque desandou a marcar gols, o ânimo dos jogadores mudou, a confiança em campo voltou.

Mas, no futebol, meus caros, não tem mágica. E o banho de realidade veio com a derrota para o Tolima Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, diriam os antigos. O trabalho de Marquinhos Santos não era horroroso como muitos pregaram por aí, nem tampouco Mancini chegou com um toque de Midas a transformar o Coelho em um grande time em questão de dias. O grande problema no futebol (e na vida) são esses extremos.

O simples fato de o nome do Mancini aparecer em especulações sobre o próximo comandante do Fluminense é uma amostra grande do que é o futebol brasileiro. Um futebol que, em três rodadas de sua principal competição, já viu quatro times mudarem de técnico: Athletico-PR, América, Internacional e Fluminense. E ninguém tem dúvida de que não vai parar por aí. 

É como se houvesse uma sensação eterna de insatisfação. E de todos os lados. A expectativa de trabalhos a longo prazo esbarra numa "harmoniosa" via de mão dupla: nem clubes nem treinadores parecem gostar muito da ideia por estas bandas. Uma questão cultural que sempre nos fará enxergar o futebol europeu como uma realidade paralela, inatingível. 

Nesta quinta-feira, o Liverpool anunciou a renovação de contrato com Jürgen Klopp até 2026. Cumprindo o vínculo até o final, ele vai completar 11 anos no clube, para onde foi em 2015. Fácil enxergar o cenário pela ótica de um time que disputa título em todas as competições de que participa. Mas não é bem assim.

Os troféus vieram a partir da terceira temporada do alemão em Anfield: conquistou o título da Liga dos Campeões em 2018/2019 e da Premier League e da Supercopa da Uefa em 2019/2020. Em 2019, também venceu o Mundial de Clubes. Em 2022, já assegurou a Copa da Liga Inglesa, está na final da Copa da Inglaterra (contra o Chelsea), na semifinal da Liga dos Campeões e na disputa do título inglês, um ponto atrás do Manchester City.

O que garante a longevidade de Klopp no Liverpool, mais do que os troféus, é a conjunção de convicções, dele e do clube. Os dois lados sabem o caminho a seguir, e essa rota não estará sempre associada a conquistas – embora desemboque nelas, naturalmente, como consequência do bom trabalho.

Aí a gente fica daqui, olhando com aquela invejinha não só o fato de o Liverpool ter um treinador do talento e da personalidade de Klopp, mas também de existir essa visão além dos resultados por lá.

Se a passagem de Klopp pela terra dos Beatles já é utópica em termos brasileiros, imagina vislumbrar um treinador no cargo por 21 anos, como ocorreu com Arsène Wenger no Arsenal. Ou o lendário Alex Ferguson, que dirigiu o Manchester United por 26 temporadas. Talvez, só numa próxima encarnação.

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