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O que é que há de bom na quarentena

Os canais esportivos estão recorrendo a uma programação de jogos históricos, documentários e reprise de entrevistas que, por alguns minutos, nos fazem até esquecer do confinamento


postado em 27/03/2020 04:00

Documentários sobre a vida e a carreira de Ayrton Senna, que no dia 21 teria completado 60 anos, são uma das opções para os amantes do esporte na TV(foto: JULIO PEREIRA/AFP - 28/3/93)
Documentários sobre a vida e a carreira de Ayrton Senna, que no dia 21 teria completado 60 anos, são uma das opções para os amantes do esporte na TV (foto: JULIO PEREIRA/AFP - 28/3/93)


Se você, como eu, leu o livro Pollyanna, de Eleanor H. Porter, na adolescência, a esta hora está buscando aceitar todo o isolamento que a pandemia do novo coronavírus nos impõe. É quase um exercício diário de “Jogo do Contente”, artifício usado pela menininha sempre que estava diante de uma adversidade. O desafio de Pollyanna era enxergar algo de bom em cada circunstância, para conseguir lidar melhor com as dificuldades do dia a dia. Sem competições esportivas, está aí um jogo para nos entreter. E quer saber? Tem funcionado.

Quem tem condição de permanecer em casa para driblar o vírus, gosta de esporte e já começa a sofrer de abstinência por não poder ir ao campo, ou acompanhar uma competiçãozinha sequer que seja, pode fazer da quarentena um período de reacender boas lembranças. Sem eventos ao vivo para transmitir, para manter a clientela, os canais esportivos de TV estão recorrendo a uma programação de jogos históricos, documentários e reprise de entrevistas que, por alguns minutos, nos fazem até esquecer do confinamento. São partidas de Copa Libertadores, Copa do Brasil (outro dia, passou a final de 2014, entre Atlético e Cruzeiro), Copa do Mundo e por aí vai.

Jogos antológicos da NBA também estão no cardápio. Assim como combates marcantes (como o duelo entre Muhammad Ali e George Foreman, em 1974, que ganhou a alcunha de “A luta do século”) e curtas ligados ao esporte. A ESPN tem uma série, chamada ESPN Filmes, sensacional, em que resgata muito desses momentos históricos. Ontem, mostrou a magia da Seleção Brasileira de 1982. A mesma emissora apresenta os documentários 30 for 30, outra joia pura para assistir.

Nesta semana, em que Ayrton Senna comemoraria 60 anos (no dia 21), a oferta de atrações ligadas ao piloto, morto naquele acidente na fatídica curva Tamburello, no circuito de Imola (ITA), em 1994, também tem sido grande. À altura do ídolo que Senna é – sim, ele permanece sendo idolatrado mundo afora, por isso não cabe o verbo no passado. Senna é daquelas figuras eternas, e quem o viu nas pistas entende bem o motivo. É uma intensa viagem no tempo rever as corridas, as entrevistas, a seriedade como ele encarava o automobilismo.

Engraçado é perceber que mesmo a maior parte desse material sendo reprise, ainda assim ele desperta emoção. Em alguns casos, como a da primeira vez. São imagens que resgatam dentro de nós uma memória afetiva dos tempos em que não havia o medo e a incerteza do que virá. Havia tão somente o presente. E em um momento como o atual, de muita angústica, é importante abrir espaço para todo tipo de sensações positivas. Nutrir a nossa mente e alma de informações que nos passem conforto.

Não é apenas a TV o atalho para esse reencontro atemporal. Muita gente tem recorrido a arquivos pessoais, aquele DVD da grande conquista do seu time, que está encostado na estante – ou, para os mais jovens, guardado em algum canto da memória de seu computador. Os álbuns de figurinhas empoeirados merecem ganhar um carinho. Pode ser a oportunidade de ler (ou reler) a biografia de seu personagem favorito. No âmbito virtual, uma boa pedida para os amantes do esporte é o site The Players Tribune, com conteúdo em primeira pessoa escrito pelos próprios atletas.

É hora de ver, de rever, de reviver. E cada um faz isso à sua maneira. A família do volante atleticano Zé do Monte, um dos principais jogadores da história do clube alvinegro, está aproveitando este tempo para reunir fotos, artigos de jornais e tudo o que tem guardado sobre o ex-jogador e montando um arquivo da carreira dele.

À esta altura, não dá para prever quando você vai voltar a frequentar o estádio. Quando terá, na TV, aquela programação farta de partidas do futebol europeu, campeonatos de vôlei, a retomada da NBA, da Fórmula 1, dos torneios de tênis... Os organizadores dessas competições não podem nem arriscar uma nova data, reprogramar o calendário.

Mas isso vai passar. Dentro de toda a incerteza, há esta certeza: uma hora, vai passar. Até lá, é cada um cuidando de si, e, consequentemente, do outro. É ouvir as autoridades de saúde, que recomendam o recolhimento para preservar o máximo de vidas possível. A bola vai voltar a rolar. Precisamos ter paciência. Até o árbitro apitar o reinício desse jogo, a gente vai trocando passes de longe e se revigorando com as boas recordações.


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