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Atlético e Cruzeiro podem fazer, neste sábado, o único clássico do ano

Na seara das confabulações, pode ser que Jorge Sampaoli e Adilson Batista nem sequer se enfrentem como treinadores dos arquirrivais


postado em 06/03/2020 04:00 / atualizado em 05/03/2020 23:19

(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 29/11/2019)
(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 29/11/2019)
 


Você, torcedor, não está lá muito animado com o jogo de amanhã, entre Atlético e Cruzeiro? Vai preferir outro programa para a noite de sábado, para distrair a cabeça dos dias difíceis que tem vivido neste início de ano? Melhor não. Se você realmente gosta de futebol e, sobretudo da energia de um clássico, aqui vai um aviso: deixe as mágoas com seu time de lado, releve os últimos acontecimentos negativos e vá ao Mineirão. Ou acompanhe pela TV. Pode ser que você só tenha outra oportunidade de ver um confronto entre os arquirrivais mineiros em 2021.

Não é exagero pensar que a partida de amanhã, às 19h, pode ser a única entre Atlético e Cruzeiro neste ano. Isso porque os dois fazem campanha muito irregular no Estadual e é possível até que não se reencontrem no mata-mata. Aqui vale um parêntese: quem diria imaginar uma fase final de Mineiro sem os dois grandes do estado, não é mesmo? Mas hoje essa é uma realidade muito factível. Mais do que matematicamente, inclusive.

O começo irregular de temporada de ambos, o desempenho instável e a falta ainda de um “time” são fortes indicativos. Em condições normais, seria inconcebível qualquer previsão nesse sentido. Mas atualmente é muito justa tal perspectiva, condizente com o que os rivais vêm produzindo. A classificação atual mostra o Cruzeiro em quarto lugar no campeonato, com 14 pontos, e o Atlético em quinto com 12. O líder do Mineiro, América, soma 17. Em seguida aparecem Tombense e Caldense com 14, mas saldo de gols melhor que a Raposa. A quatro rodadas do fim da fase de classificação, tudo é possível. Inclusive um dos dois (ou até os dois) fora da semifinal – como tem até jogador se confundindo, não custa lembrar que somente os quatro primeiros avançam para a próxima fase.

E aí, caso alvinegros e celestes não se reencontrem nesta edição do Estadual, eles só voltarão a duelar no ano que vem mesmo. Isso porque na Copa do Brasil não há mais chance de confronto, pois o Galo caiu precocemente, eliminado pelo modesto pernambucano Afogados. Mais uma da série “quem diria”. E no Campeonato Brasileiro, já é sabido, eles estarão em divisões diferentes – o Atlético na Série A e o Cruzeiro na B.

Para os torcedores, será uma grande diferença. Para ter ideia, no ano passado, foram nada menos do que sete clássicos, sendo três pelo Mineiro – um pela fase de classificação e dois valendo o título, conquistado pela Raposa –, dois pela Copa do Brasil (nas quartas de final, com os cruzeirenses levando a melhor e indo às semifinais do torneio) e dois pelo Brasileiro. Um equilíbrio impressionante nesse retrospecto: duas vitórias de cada lado e três empates, além de sete gols marcados por cada uma das equipes.

E aí, nesse cenário, cabem outras confabulações. Se a gente não sabe o dia de amanhã, imagina fazer uma programação para daqui a 11 meses? É tanta coisa que pode atravessar o caminho que fica difícil vislumbrar quem serão Atlético e Cruzeiro até lá. Friamente falando, pode ser que Jorge Sampaoli e Adilson Batista nem sequer se enfrentem como treinadores dos rivais. Afinal, o argentino vai acompanhar o duelo de amanhã de um camarote do Mineirão, só assumindo o time alvinegro efetivamente a partir de segunda-feira, já que o domingo será de folga geral – talvez uma maneira de evitar colocar no currículo vitória que nada acrescentaria e derrota que não cairia bem, diante das circunstâncias.

Com o destino incerto dos técnicos no futebol brasileiro, quem pode cravar que Sampaoli e Adilson estarão no cargo em 2021? Ninguém se arrisca, possivelmente nem eles próprios. Tanto pelas intempéries naturais da jornada quanto pelo temperamento forte dos dois comandantes. Adilson, por exemplo, adora uma teoria da conspiração, e já soltou a primeira de 2020, insinuando que o árbitro Marco Aurélio Fazekas deu o cartão amarelo para o volante Filipe Machado, ao fim do jogo contra o Uberlândia, na rodada passada, para tirar o jogador cruzeirense da partida contra o Atlético – foi o terceiro amarelo do meio-campista na competição.

Há uma outra vertente nessa análise. Em caso de êxito no trabalho a curto prazo, portas mais rentáveis podem se abrir para os dois técnicos. Diante do panorama de Atlético e Cruzeiro, Sampaoli e Adilson resistiriam? Porque da mesma forma que maus resultados derrubam treinadores, o canto da sereia de outros clubes, sobretudo os que pagam em dólares e euros, costuma ser sedutor para os comandantes. Até 2021 vai ter muito chão pela frente. Por isso, meus caros, aproveitem o clássico de amanhã. O próximo, só entidades divinas sabem quando será.




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