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Cruzeiro na Série B: rivais, abram os olhos!

O Atlético está diante deste desafio quase particular: o perigo de deitar em berço esplêndido, se contentar em ver o rival na Segunda Divisão e acabar pagando um alto preço por essa zona de conforto


postado em 20/12/2019 04:00 / atualizado em 19/12/2019 23:36

Atlético apresentou proposta ao argentino Jorge Sampaoli para comandar a equipe nas próximas temporadas(foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP - 28/2/19)
Atlético apresentou proposta ao argentino Jorge Sampaoli para comandar a equipe nas próximas temporadas (foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP - 28/2/19)


Diferentemente do que muitas pessoas podem pensar, o rebaixamento do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro não se encerra nos domínios celestes. O impacto vai além dos muros da Toca da Raposa, da decepção de seus torcedores. A inédita queda cruzeirense para a Série B respingará tanto nos vizinhos de Belo Horizonte, Atlético e América, quanto em rede nacional. E tais conexões são facilmente explicadas: regionalmente, a Raposa exigirá dos rivais também nova postura, diante de uma situação nunca antes vivida por eles. Nacionalmente, é um concorrente a menos para os grandes clubes na busca pelos principais atletas do país – e essa análise mercadológica é apenas um dos ângulos da teoria.

Em primeira instância, os efeitos serão sentidos na Cidade do Galo. Como o alvinegro vai se comportar em 2020, sem ter, pela primeira vez, um clássico com o Cruzeiro na elite nacional? Se para os torcedores a resposta a essa pergunta passa pelo âmbito da provocação, na prática, uma grande armadilha pode se configurar a partir de agora. Afinal, a rivalidade sempre foi um dos componentes a estimular os times a ser melhores, ou pelo menos mais fortes que o arquirrival. Terminar à frente do outro no Brasileiro era praticamente questão de honra. Lembram-se da história do flanelinha? Então...

O Atlético está diante deste desafio quase particular: o perigo de deitar em berço esplêndido, se contentar tão somente em ver o rival na Segunda Divisão e acabar pagando um alto preço por essa zona de conforto. Precisa estar atento à qualificação de seu grupo, pois as batalhas serão travadas em outros campos. A rivalidade como ingrediente de motivação sai de cena. Agora, o Galo vai se motivar apenas em si mesmo, na necessidade de apagar a péssima impressão deixada nas duas últimas temporadas, de reconectar-se com seu torcedor. Razões que, friamente falando, deveriam se bastar.

Se depender da postura ambiciosa demonstrada pela diretoria, com a tentativa de contratar Jorge Sampaoli, a perspectiva é positiva. É sabido que o alvinegro, por suas próprias pernas, não conseguiria bancar um treinador do porte do argentino. Até porque, o custo não é só dele – com Sampaoli vem, a reboque, uma comissão técnica cara e, sobretudo, a exigência de investimento em um time qualificado.

Calhou de o Galo contar com o interesse de parceiros em comprar essa ideia. Mas não há almoço grátis, é sabido. Para tudo na vida (ou quase tudo), há uma explicação. Uma das teses dá conta da intenção dos parceiros atleticanos na construção do estádio de ver uma equipe suficientemente forte na ocasião da inauguração da arena. E Sampaoli seria o ponto de partida. É uma tentativa. Se dará certo ou não, o argentino dirá.

Já no caso do América, será o contrário. A presença da Raposa na Série B obriga o Coelho a ter um grupo mais encorpado para colocar em ação seu plano de retornar à Primeira Divisão. Mesmo com todos os problemas que o Cruzeiro enfrenta, e de toda a incerteza acerca do futuro, não resta dúvida de que a presença da Raposa dará outro tempero à campanha do alviverde na Segundona em 2020.

Curiosamente, será a primeira vez que o Coelho vai encarar um clássico na Série B. Em 2006, enquanto o Atlético disputava a Segunda Divisão, o América amargava péssima participação na Terceirona. Nem sequer avançou ao octogonal final. Um verdadeiro vexame. Neste ano, bateu na trave na tentativa de voltar à elite, ficando em quinto lugar. Na próxima temporada, os obstáculos serão maiores. É certo que o Cruzeiro será o adversário mais perigoso na jornada americana.

O impacto nacional, em princípio, passa pelo mercado. O Cruzeiro sempre foi um forte agente na busca por jogadores de ponta. Para os outros grandes times do cenário nacional, será um concorrente a menos na luta pelos bons atletas, pelos grandes reforços.

A presença da Raposa na Série B também serve de alerta para aqueles que adotam o discurso de que “time grande não cai”, máxima em que a Raposa se fiou por muito tempo, até mesmo com sua torcida ostentando uma faixa alusiva a isso nos dias de jogos no Mineirão.

Essa filosofia, que não passa de autoenganação, não caiu só por terra. Ela despencou, num grande choque de realidade. A história está aí para provar, mais uma vez, que não há condescendência do destino com um ou outro time. Todos são reles mortais, sujeitos à punição pelo descaso com o futebol. Chegou a vez de o Cruzeiro cumprir sua penitência. Que os demais abram os olhos.



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