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Estado de Minas

Rodriguinho chegou chegando

Contratação mais cara da Raposa neste ano, o armador tem representado a junção perfeita entre expectativa e realidade


postado em 05/04/2019 05:08 / atualizado em 05/04/2019 11:39

Volta e meia a gente se vê em sintonia com alguém que acabamos de conhecer. A afinidade é imediata, a energia flui. Sabe quando o santo bate? É assim, conjunção astral favorável, aquela coisa de estar na hora e no lugar certos – no caso do futebol, o clube certo. Com Rodriguinho e o Cruzeiro tem sido assim. Uma conexão meteórica que, para sorte do time celeste, tem resultado não apenas em boas atuações, como também em gols. Mais do que isso: em golaços.

Em pouco mais de dois meses, Rodriguinho já fez o suficiente para cair nas graças da torcida cruzeirense. Apesar de ter sido o último reforço contratado pela diretoria, ganhou cadeira cativa na equipe. São, precisamente, 65 dias de clube, nove partidas, sete gols e duas assistências. Na Copa Libertadores, três gols em três jogos. Não por acaso, é o jogador mais valioso do grupo segundo avaliação do site Transfermarkt, especializado no mercado da bola: no Top 5 cruzeirense, Rodriguinho, que vale 5 milhões de euros, é seguido por Thiago Neves (3,5 milhões de euros), Dedé (3,5 milhões de euros), Sassá (3 milhões de euros) e Fred (2,5 milhões de euros).

Contratação mais cara da Raposa neste ano, o armador tem representado a junção perfeita entre expectativa e realidade. É claro que a relação custo/benefício no futebol depende diretamente de títulos, de quão decisiva é a participação de um jogador nos confrontos mais importantes, na reta final de campeonatos. E para isso é necessário esperar um pouco mais. Não invalida, no entanto, a percepção de como esse potiguar, de 31 anos, conseguiu, tão rapidamente, encontrar seu espaço num time que já vinha montado, que já tinha uma estrutura desenhada. Rodriguinho chegou chegando.

Essa liga entre atleta e equipe é explicada por diversos fatores, entre eles, o casamento entre tática e técnica. Individualmente, o camisa 23 do Cruzeiro é diferenciado, talentoso, dono de repertório variado. Já mostrava isso, inclusive, nos tempos de América. Tem muito a oferecer, mas igualmente é importante ressaltar que talvez não estivesse brilhando tanto, ou pelo menos em tempo recorde, se não fosse alicerçado por um esquema de jogo favorável ao seu estilo e companheiros de time que o ajudam a render o que sabe.

Dentro de campo, está dando tudo certo, ele está correspondendo. Agora, a questão é administrar bem o extracampo, que rendeu alguns puxões de orelhas em Rodriguinho ao longo da carreira. A fama de boêmio começou no ABC, clube que o revelou: em entrevista ao Portal Uol em 2016, Ferdinando Teixeira, que o treinou no time de Natal,  relatou que nos primeiros anos o armador se deixou levar pelo deslumbramento com a fama. “O garoto se empolga com retrato no jornal, com carro, com um dinheiro que não ganhava até então, com a mulherada dando em cima”, disse.

Em Belo Horizonte mesmo, Rodriguinho envolveu-se em acidente de carro na Avenida Pedro II, na madrugada de 17 de setembro de 2012, e acabou conduzido ao Detran por suspeita de embriaguez, depois de se negar a fazer o teste do bafômetro. Na época, já era um dos destaques da equipe alviverde, que disputava a Série B do Campeonato Brasileiro.

No Corinthians, que pagou R$ 4 milhões ao América para contratá-lo em outubro de 2013, o gosto pela noite também foi notícia. Andrés Sanchez, ex-presidente do Timão na época, chegou a confidenciar em entrevista a uma rádio, em outubro de 2016, que Rodriguinho já tinha chegado a um treino de ressaca. “Não bêbado”, ressaltou o cartola. O episódio repercutiu, já que o jogador vivia sua ascensão no clube. Ele tratou o caso sem polemizar, dizendo nunca ter se atrasado para o treino, nem ter comprometido seu desempenho em campo por causa de bebida.

Rodriguinho nunca foi espalhafatoso, de estilo marqueteiro, dono de declarações bombásticas ou preocupação em “jogar para a galera”. Com um jeito até meio mineiro, fala mansa, vem sedimentando seu caminho. O início na Toca da Raposa tem sido promissor e deixa boa perspectiva a respeito do que está por vir. Pelo menos até agora, tudo tem conspirado a favor. Ele está valendo o quanto pesa e justificando os milhões desembolsados pelo clube para vestir a camisa azul.


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