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Estado de Minas

Copa do Mundo, eu te amo

Cobrir o Mundial e poder mostrar a cultura do país, a tradição, o respeito, a religião, os costumes do povo, é muito legal


12/12/2022 04:00

A Copa do Mundo do Catar mostrou organização, transporte eficiente, boa infraestrutura, povo amável. Só faltou um melhor futebol da Seleção Brasileira, que acabou eliminada precocemente pela Croácia, nas quartas de final, nos pênaltis
A Copa do Mundo do Catar mostrou organização, transporte eficiente, boa infraestrutura, povo amável. Só faltou um melhor futebol da Seleção Brasileira, que acabou eliminada precocemente pela Croácia, nas quartas de final, nos pênaltis (foto: Jewel SAMAD / AFP)

DOHA – Fazer a cobertura de uma Copa do Mundo e não apenas da Seleção Brasileira foi uma decisão que tomei desde 2018, na Rússia, em comum acordo com meus superiores, por entender que nós não somos palhaços para gastar uma fortuna e cobrir uma seleção que esconde treinos, cujo técnico era uma vergonha, com jogadores mascarados e platinados. Há tantas outras coisas a cobrir num Mundial que a seleção de Tite, sim, de Tite, pois jamais representou o povo brasileiro, era de uma arrogância ímpar. Olhar para a cara de Daniel Alves, que disse que seria o “melhor pandeirista do mundo”, dava nojo. Aliás, será que ele tocou a marcha fúnebre, no pandeiro, no vestiário, após a eliminação para a Croácia? Ver a cara do treinador, com seu “titês” medonho e inexplicável, e perceber que o filhinho do papai, o tal Matheus Bachi, passou à frente do mesmo, na área técnica, para dar instrução durante os jogos, é realmente muito para mim, pois minhas referências são Zagallo, Parreira, Felipão, Vanderlei Luxemburgo, Carlos Alberto Silva e Telê Santana. Esses, sim, treinadores de verdade, que jamais esconderam um treino. Nem sempre ganharam, mas valorizaram o que de melhor tínhamos no nosso futebol arte, drible, tabela e gol. Tite jamais me representou, nem ao povo brasileiro.

Fico triste por Neymar, realmente um grande jogador, ídolo de milhões de crianças pelo mundo, entre elas meu filho, Lorenzo, de 12 anos, que joga na Escolinha do PSG, em Miami, e que chorou por ele. Lorenzo disse para a mãe: “estou chorando porque essa é a última Copa do Neymar, eu adoro ele, e queria vê-lo campeão do mundo”. Parece que Neymar não sabe o tamanho que têm, o que representa para os garotos e o que poderia ter feito de melhor. Ao se preocupar apenas em platinar o cabelo e mandar mensagens via rede social, ele se esqueceu do principal: jogar futebol. Em três Copas do Mundo, entre contusões e péssimo futebol, ele jamais provou ser o craque que sabemos que é. A mim não importa se ele tem jato, iate, helicóptero ou se é dono da fortuna de bilhões. Se tem isso é fruto do trabalho dele, e há quem pague por isso. Julgá-lo em campo é meu papel, assim como ele tem todo o direito de escolher o candidato A ou B. Ele não deve ser condenado por isso. As festas que fez durante a pandemia, sim, são condenáveis, pois enquanto tinha gente morrendo, sufocada, ele fazia um festão em sua mansão, em Mangaratiba, dizendo que seus convidados estavam testados, uma completa insanidade. Ninguém nunca disse não para Neymar e ele se tornou essa criança mimada, de 30 anos.

O comportamento de um ídolo transcende as quatro linhas. É preciso comportamento exemplar, como sempre teve Zico, Zidane e como tem Lionel Messi, que não fez festa em pandemia, que não vive brigando por redes sociais e que sabe a sua importância e o seu lugar perante o mundo. Eu mesmo vou torcer para que ele seja campeão do mundo. Não sou argentino, mas amo o futebol de Messi. Um cara que durante as últimas duas décadas nos proporcionou dribles, tabelas, toques e gols geniais. Um atleta que jamais ludibriou árbitros, que nunca foi chacota mundial e que merece fechar sua carreira com chave de diamante. Neymar poderia ser isso tudo, mas abriu mão, pelos parças, pela vaidade, pela falta de humanidade. Eu nunca vi Neymar, que é negro, se engajar no movimento antirracismo. Nunca o vi se manifestar pelos 30 milhões de brasileiros, que vivem na mais completa e absoluta miséria. Um cara desses pode ter todos os bens materiais, mas jamais terá a paz necessária e direcionada aos grandes nomes da história, seja em que profissão for. Pobre Neymar, tão rico, financeiramente, tão pobre, espiritualmente.

Cobrir uma Copa do Mundo e poder mostrar a cultura do país, a tradição, o respeito, a religião, os costumes do povo, é muito legal. Muitos estão viajando comigo, quando faço posts para meu blog no Superesportes e meu canal de YouTube. É como se vocês estivessem aqui comigo no Catar. E essa é uma Copa diferente com todos os jogos na mesma cidade. Eu perdi a conta de quantos jogos cobri, quase 30, ao longo desses dias, e ainda faltam três. Duas semifinais, amanhã e quarta, e a grande decisão, domingo. Confesso que fiquei encantado com o Catar, onde havia estado outras quatro vezes. Uma Copa organizada, com transporte, infraestrutura, povo amável, voluntários maravilhosos, enfim, a melhor Copa que já cobri, das oito em que estive in loco, sob o ponto de vista de organização. Tecnicamente, deixou a desejar, pois o futebol no mundo está mais pobre.

Enfim, cobrir a Copa do Mundo, e não apenas o Brasil, nos dá a tranquilidade para criarmos pautas e produzirmos mais. Fiz duas belas entrevistas exclusivas, que interessaram ao mundo e, principalmente, aos cruzeirenses. Ronaldo Fenômeno e Pedro Lourenço (Supermercados BH). Ambos têm planos gigantes para o Cruzeiro em 2023, e esse grande campeão das Gerais, logo, logo, voltará aos seus melhores dias e seu DNA de campeão. Fui ao deserto, mostrei a cultura e a tradição religiosa, estive no Souq Wiqif, mostrei o metrô moderníssimo, a arquitetura ultrafuturista de Doha, as praias só para mulçumanos, as praias “ocidentais”, enfim, uma verdadeira viagem por esse belíssimo país.

Ainda falta uma semana, agora com o trabalho menos intenso. Aqui nós dormimos muito pouco, pois trabalhamos, por vezes, 20 horas diárias, pois o fuso de seis horas em relação ao Brasil nos castiga. Mas tudo vale a pena quando se faz o que gosta. Nosso trabalho é uma diversão, com responsabilidade, critério e isenção. Só posso agradecer aos leitores do Estado de Minas, internautas dos nossos sites, meus seguidores do meu canal de YouTube, das minhas redes sociais, por esse carinho e reconhecimento ao meu trabalho. Isso me motiva muito e me faz perceber que ainda há muita lenha para queimar. Agradecer sempre a essa casa maravilhosa, Estado de Minas, onde há 35 anos sou funcionário, nas figuras do doutor Álvaro Teixeira da Costa e do nosso diretor-executivo, Zeca Teixeira da Costa. Essa é a minha casa, de onde jamais saí e onde, com muito orgulho, estou cobrindo a minha oitava Copa do Mundo. Que privilégio, que benção! Gratidão e lealdade, palavras que levo para a vida toda. Vamos juntos, até domingo que vem, com a finalíssima do Mundial. Há quatro anos eu disse que França e Argentina fariam a grande decisão. Apenas um palpite que pode ou não se confirmar. Porém, acredito muito nisso. Não ficarei triste, porém, se algo diferente disso acontecer. Futebol não é matemática, ciência exata ou coisa parecida. Futebol é bola na rede, na casinha. E assim a gente vai contando a história de mais uma Copa do Mundo, para mim, a melhor que já cobri.

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