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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Meio século na fila é demais. Chegou a hora do Galo?

Se o Atlético será campeão brasileiro, só o tempo dirá, mas que está no caminho certo para tal, não há dúvidas


27/09/2020 20:18 - atualizado 27/09/2020 20:25

Keno, que estava sendo criticado pelo torcedor, virou xodó da Massa depois de fazer seis gols em dois jogos(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Keno, que estava sendo criticado pelo torcedor, virou xodó da Massa depois de fazer seis gols em dois jogos (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

 
A pergunta que mais tenho ouvido nos últimos é dia é sobre a possibilidade de o Atlético ser campeão brasileiro depois de 50 anos, meio século na fila. Digo que sim. Primeiro pelo fato de o Galo ser o time mais regular das 12 rodadas disputadas. Segundo porque Sampaoli é um técnico que pensa em atacar, atacar e atacar. Terceiro, porque o grupo que investe e manda no Galo hoje, comandado por Rubens e Rafael Menin, Ricardo Guimarães, com o apoio de Renato Salvador, está mesmo disposto a gastar o que for preciso para levar a taça para a Cidade do Galo. Muitos atleticanos me dizem que sofrem da síndrome de o time, por várias temporadas, largar na frente, iludir o torcedor e, na hora da chegada, o gás acaba. Vimos esse filme várias vezes, o que deu ao alvinegro o título de “cavalo paraguaio”, aquele que sempre larga na frente e chega atrás. Só que desta vez estou vendo o Galo como cavalo árabe, aquele que sempre chega na frente. Claro que é cedo, pois faltam 26 rodadas para o fim da competição, mas não custa nada o torcedor, tão sofrido e carente, sonhar. Tirando o Brasileirão de 1971, com Nélson Campos, o timaço de 1980, com Elias Kalil, e os títulos da Libertadores, Copa do Brasil e Recopa, com o presidente mais vencedor da história do clube, Alexandre Kalil, que outra alegria o atleticano teve nesses 112 anos de história? Portanto, acredito que passou da hora de o clube se firmar como vencedor no cenário nacional.
 
Um clube com uma torcida tão apaixonada não pode ficar tanto tempo sem levantar o principal troféu nacional. Tenho muitas restrições ao trabalho de Sampaoli, que aos 60 anos tem apenas um título na carreira: a Copa América com a Seleção do Chile, em 2015. Os outros títulos são campeonatos chilenos, que, cá pra nós, são inexpressivos. Acho que se ele fosse isso tudo que imaginam, teria dirigido Boca ou River, principais clubes argentinos, ou um grande clube europeu. Ao contrário disso, pegou equipes medianas, e quando teve a chance de dirigir Messi, Agüero e Di María, foi um fiasco na Copa da Rússia, em 2018. Mas os torcedores podem perguntar também que técnico ganhou com a Argentina de 1996 para cá? Nenhum, é verdade, mas, Alejandro Sabella levou os argentinos à final da Copa de 2014, no Brasil. Contra a Alemanha, sucumbiu na prorrogação. Mas chegou e só um pode ganhar. Sampaoli tomou de 3 da Croácia, de 4 da França e disse adeus ao Mundial da Rússia. Contratado pelo Santos, foi vice-campeão brasileiro, com um time bem comum. Mas vice-campeão o Galo foi umas oito vezes, e com técnicos diferentes. Até aí, nada demais.
 
Não há como negar, porém, que esse Atlético é diferente, mesmo com um time bem comum, sem nenhum destaque, é o mais regular da competição, marca a saída de bola do adversário e quer gols o tempo todo. É outra postura, bem parecida com a de Jorge Jesus, no Flamengo, ano passado, que resgatou o verdadeiro futebol brasileiro. E JJ tinha um grupo muito forte em mãos. Sampaoli não tem e isso é um mérito seu. Ele é de pouco diálogo. No clube, como já escrevi, só conversa com Gabriel Andreata, Renato Salvador e Rubens Menin. Com o presidente e o diretor de futebol, dá bom dia e boa noite. Sim, pelo que a fonte me revelou, ele trabalha o dia inteiro e muito. Trata todos muito bem, mas com seu jeito fechado de ser. Não faz churrascos com dirigentes, não toma cerveja com eles. Um bom vinho na casa de Renato Salvador, isso sim cai bem. E olha que os vinhos lá não são qualquer um. Só vinho que os entendidos chamam de “cabeção”, das melhores safras e anos.
 
Por ser uma torcida muito sofrida e maltratada, qualquer coisa que leve o time à possibilidade de título é bem-vinda. Keno era um capeta, péssimo. Bastaram dois jogos, nos embalos de sábado à noite, para se transformar em artilheiro, com seis gols contra o Atlético-GO e o Grêmio, para virar um herói. “Amado” pelo torcedor. O mesmo torcedor que será capaz de voltar a odiá-lo, caso o título não aconteça. O atleticano aceitou até um diretor de futebol, cruzeirense, que acompanhava o time azul com torcidas organizadas quando era mais jovem. Tudo em nome de uma possível, sonhada e esperada conquista que não vem há meio século.


Por fim, as duas correntes que mandam no Galo já seacertaram e concordaram em escolher um candidato de consenso para dirigir o clube no triênio 2021/2023, que vai inaugurar o estádio e, quem sabe, levantar o troféu do Brasileirão em fevereiro de 2021. Sérgio Coelho, dono de uma concessionária de carros, que já foi dirigente do clube, é o nome que agrada as duas correntes.
Conheço-o há muito tempo e acho um grande nome. É atleticano roxo, amigo de Ricardo Guimarães e Rubens Menin, um cara do bem. Acho que nas mãos dele o Galo terá um grande futuro. Uma coisa é certa: o Galo será novamente um time vencedor e, com sua casa, uma das potências do futebol brasileiro. Esse é o objetivo dos homens que mandam no clube e que são os donos do dinheiro para contratações e tudo o que for necessário. Se o Atlético será campeão brasileiro, só o tempo dirá, mas que está no caminho certo para tal, não há dúvidas. Organização e qualidade, com estádio próprio, com certeza o levarão a isso. É preciso correr contra o tempo, pois o Palmeiras tem 10 Brasileiros, o Flamengo 7, o Corinthians também 7 e por aí afora. Um clube da grandeza do Galo não pode, e não deve mais, ficar 50 anos na fila, com apenas uma taça, conquistada no século passado. Chega, basta, o torcedor quer é comemorar!

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