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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Um gigante como o Cruzeiro precisa voltar ao seu lugar de origem

"O lugar do Cruzeiro é com Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Corinthians, tão vencedores quanto ele. Na B, será um estranho no ninho, mas terá que passar por essa humilhação, pela qual já passaram outros gigantes"


postado em 16/07/2020 04:00

O hexacampeonato da Copa do Brasil, em 2018, foi o último grande título conquistado pelo Cruzeiro antes de cair para a Série B(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 17/10/18)
O hexacampeonato da Copa do Brasil, em 2018, foi o último grande título conquistado pelo Cruzeiro antes de cair para a Série B (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 17/10/18)


Os cruzeirenses me perguntam se a equipe voltará à elite em 2021, ano do centenário. Não tenho bola de cristal, não jogo búzios, tarô ou coisa parecida, porém, é o mínimo que se espera desse gigante, que teve sua história comprometida por uma gestão desastrosa, fraudulenta e corrupta. A Série B não é tão simples assim, mas a pandemia do coronavírus enfraqueceu a maioria das equipes da Segundona e isso poderá ajudar o Cruzeiro a ter um pouco mais de tranquilidade, embora eu ache que tirar seis pontos de diferença não é missão tão simples. O time azul perdeu os pontos por não ter pago dívida na Fifa e já é o lanterna da competição. Acho que há muitas carências, mas, para o começo, os jogadores mais experientes darão um suporte. Fábio, Leo, Marcelo Moreno e Henrique. O problema do Cruzeiro não será somente voltar à elite, mas, sim, ficar na fila, sem ganhar nada nos próximos anos. A não ser que haja um parcelamento da dívida de R$ 1 bilhão e que surja um investidor que assuma o clube – tipo um chinês, cheio de dinheiro. Se isso não acontecer, a sala de troféus do clube, abarrotada de taças, vai ficar esperando durante bom tempo por uma nova conquista, talvez por décadas. Acho que o título da Série B não vai interessar aos cruzeirenses, somente o acesso à A.

Seis Copas do Brasil, quatro Brasileiros e duas Libertadores, só para citar os títulos de verdade. Não é qualquer clube que consegue isso. Alguns, sonhadores, levarão séculos para tentar igualar tais conquistas. O problema é como fazer para segurar uma torcida acostumada a gritar “é campeão”. O que fizeram com o clube do Barro Preto é mesmo caso de cadeia. E o dinheiro, supostamente roubado, não será devolvido? Essa é a pergunta que me fazem os cruzeirenses a todo o momento. Acredito na Justiça e entendo que ela deverá indiciar os culpados e puni-los com os rigores da lei. Porém, só cadeia é pouco. O produto do suposto roubo tem que ser encontrado, bloqueado e devolvido aos cofres do clube. O Cruzeiro sempre foi organizado, pés no chão e vencedor. Nunca pagou R$ 700 mil a um técnico, como pagou a Mano Menezes, que, aliás, foi um dos responsáveis pela queda do clube para a Segundona. Perceberam como ele saiu de cena? É sempre assim. Eles fazem um péssimo trabalho, derrubam o clube e vão fazer estágio em Portugal. Sim, Portugal, pois na ausência do inglês, com os nossos patrícios fica mais fácil entender a língua. Vanderlei Luxemburgo, campeão da Tríplice Coroa, custava ao clube R$ 175 mil mensais. Que diferença!

São as irresponsabilidades de quem não entende do riscado. O Cruzeiro também gastou o que tinha e o que não tinha para conquistar o tetra Brasileiro, em 2013-14. A conta chegou, e ela é cara. A irresponsabilidade do antigo diretor de futebol, que contratava a rodo, sem responsabilidade fiscal, aumentou a dívida substancialmente. Quantos negócios feitos com os mesmos empresários, quantos jogadores contratados a peso de ouro. É muito fácil ser diretor de futebol assim: você contrata o que de melhor há no mercado, paga salários irreais e aumenta a dívida em milhões e milhões. Aí, lá na frente, percebe que quebrou o clube também. Esse tipo de diretor de futebol não serve. Figura esdrúxula, que em clubes sérios não existem mais. O Flamengo não tem. O Santos não tem. A maioria dos clubes trabalha com vice-presidentes, que não são remunerados e, sim, movidos pela paixão. Esses têm a confiança do torcedor. Vejam o trabalho de Marcos Brás no Flamengo. Vice-presidente eleito, é ele quem negocia, com transparência, e a torcida rubro-negra sabe de cada detalhe da negociação.

O Cruzeiro é um dos gigantes do nosso futebol, pela sua trajetória, pelas taças, pelos times famosos que sempre teve. É uma fase ruim, que vai passar, ainda que demore décadas. Mas o sofrimento na B não será como eu imaginava. Os times que lá estão vivem crise pior que a do time azul. Porém, não será fácil também. O novo presidente tem se esforçado para gerir o clube, pagar salários em dia e tudo o mais. Porém, é bom lembrar que a dívida com os atletas, que por amor ao clube reduziram seus salários, aumenta a cada mês. Ela será gigantesca e uma hora terá de ser paga. Não é fácil gerir um grande clube sem o dinheiro necessário. A volta para a Série A, além de melhorar a imagem do gigante, servirá também para aumentar as cotas de TV. É um trunfo que não pode, e não deve, ser descartado. O lugar do Cruzeiro é com Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Corinthians, tão vencedores quanto ele. Na B, será um estranho no ninho, mas terá que passar por essa humilhação, pela qual já passaram outros gigantes. Exceto Flamengo, Santos e São Paulo, todos os outros já estiveram no chamado inferno, deram a volta por cima, sacudiram a poeira e voltaram a ganhar taças, casos de Grêmio, Corinthians e Palmeiras. Portanto, torcedor azul, não fique arrasado. É uma fase que vai passar. O Cruzeiro tem uma linda história no futebol. É conhecido mundialmente, um grande vencedor de taças, e essa linda história ninguém vai apagar, nem mesmo a Série B.


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