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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

O futebol brasileiro precisa de uma varredura depois do coronavírus

Baixa qualidade no futebol, salários exorbitantes de jogadores e dirigentes são alguns pontos abordados por Jaeci Carvalho


postado em 13/04/2020 04:00

Messi e outros jogadores do Barcelona teriam concordado com a redução dos salários em até 70%(foto: Lluis Gene/AFP)
Messi e outros jogadores do Barcelona teriam concordado com a redução dos salários em até 70% (foto: Lluis Gene/AFP)


As previsões mais otimistas das autoridades americanas são de que teremos aqui menos de 100 mil mortos pela pandemia do coronavírus. Senhoras e senhores: 100 mil mortos! Se uma vida não tem preço, imaginem quase 100 mil pessoas morrendo. Uma tragédia sem precedentes. Já temos casos da doença em todos os 50 estados americanos, mas em Nova Iorque a situação é mais grave, pois é uma cidade turística, e as autoridades demoraram para tomar a decisão do isolamento social.

Com certeza, gente que esteve na Big Apple em dezembro, janeiro e fevereiro, contaminou outras pessoas, e, assim sucessivamente. Não há outra solução que não seja o isolamento social, evitar aglomeração e ficar em casa. É o que determinam as autoridades médicas. Tenho visto, mundo afora, muitos futebolistas fazendo campanhas de doação de dinheiro, cestas básicas e equipamentos médicos. Muito humano da parte deles, já que podem arcar com tais despesas. Não são obrigados, mas, os que fazem de coração, estão ajudando o semelhante. Não me interessa aqui citar A ou B. Como eu disse, ninguém tem a obrigação de ajudar, mas, em tempos tão difíceis, quem pode, não custa nada.

O futebol mundial perdeu seu valor e os clubes estão em situação delicada. Até os poderosos clubes europeus passam por problemas, com as receitas secando e os pagamentos sem parar. Barcelona e Real Madri já fizeram acordos com seus jogadores para a redução de salários. No Caso do Barça, parece que os jogadores aceitaram 70% de redução. Por exemplo, se Messi ganhar R$ 150 milhões anuais, ou R$ 12,5 milhões por mês, receberá nos próximos três meses a “bagatela” de R$ 3,75 milhões. Vejam que quem é rico, mesmo em períodos de crise, continua rico, e com força. Agora, reduzir o salário de quem ganha pouco, é um crime, pois fará falta e muita. Minha geração e a mais nova, que aí está, jamais passaram por uma situação tão grave. Já enfrentamos chicungunha, dengue, malária, e outras doenças, e sempre nos curamos.

Agora, esse inimigo invisível é diabólico e silencioso. Já matou dezenas de milhares de pessoas no mundo, e continua fazendo vítimas. Vejo alguns líderes, irresponsáveis, mandando o povo para as ruas e determinando que as lojas abram. É tudo o que o vírus quer para se propagar. Aglomeração e pessoas nas ruas, sem proteção. Eu sigo a determinação das autoridades médicas. Elas sim estão abalizadas a nos informar o que devemos fazer. O brasileiro é muito bobo e tem nos políticos uma espécie de ídolos. Para, gente! Esses caras são nossos empregados. Nós, povo, pagamos os salários deles e devemos exigir transparência, decência e honestidade. Olhem quantos políticos acusados de crimes estão no Congresso Nacional. Tem gente que não tinha nada, antes de ser político, e está nadando em dinheiro. Se o dinheiro não for encontrado nas contas deles, com certeza, chequem nas dos “laranjas”. Há as exceções e gente honesta, mas são tão poucos.

No futebol não é diferente. Façam uma pesquisa e vejam quantos dirigentes entraram com a mão na frente e saíram ricos, poderosos. Pesquisem nos 20 maiores clubes do país, e constatarão. Alguns já morreram, mas os familiares ficaram ricos. Essa promiscuidade não para. Os clubes são dos torcedores e não dos dirigentes. Eles devem servir ao clube e não se servir dele. Espero mesmo que essa pandemia terrível do coronavírus possa alertar o povo brasileiro sobre esses bandidos. Chega! Os torcedores têm o direito de saber quanto ganha um jogador, de que forma foi feita a negociação, os valores que entraram no clube e quem ganhou na transação. Isso é o certo. Por que os dirigentes dizem que as negociações são sigilosas? Quem não tem o que esconder pode muito bem divulgar tudo.

Alguns jogadores dizem que alguns diretores de futebol fazem conchavos com empresários e dividem com eles a comissão que cabe somente ao empresário na negociação. Isso é roubo, é crime. Tenho informações de que há um ex-presidente de um clube que está empenhado em descobrir as falcatruas de um diretor de futebol. Ele está em cima, já juntou alguma documentação e está buscando a prova final para pôr o vagabundo na cadeia. É isso mesmo. É preciso desmascarar essa gente! Ou o futebol se torna algo sério e decente, ou é melhor acabar.

Do jeito que está não dá. Alguns dirigentes ricos, clubes quebrados. Temos uma safra de dirigentes honesta e séria. Entretanto, é pouco. Precisamos de mais gente comprometida com o clube, de verdade. Ainda bem que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse que “não há pressa para a volta do futebol”. Quem sabe assim haja tempo para mudarmos da água para o vinho, com uma qualidade de jogo melhor, salários de jogadores e técnicos, dentro da realidade do Brasil, e dirigentes mais honestos. Somente assim, o futebol brasileiro terá jeito. Caso contrário, vamos piorar o que já não está bom, e corremos o risco de uma quebradeira geral no esporte bretão, pelo menos pelas bandas do Brasil.

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