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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Terminaram na Era Kalil os anos de ouro do Atlético


postado em 16/02/2020 04:00 / atualizado em 16/02/2020 12:12

Na gestão de Alexandre Kalil o Atlético conquistou a Libertadores e a Copa do Brasil (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press 3/12/14)
Na gestão de Alexandre Kalil o Atlético conquistou a Libertadores e a Copa do Brasil (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press 3/12/14)

Alexandre Kalil aprendeu tudo sobre o futebol com seu saudoso pai, doutor Elias, o maior dirigente da história do Galo. Por isso, conseguiu fazer uma coisa inédita: saneou o Atlético e ganhou taças. Sim, não é fácil conseguir os dois feitos ao mesmo tempo. O Flamengo, por exemplo, foi ajeitado por Bandeira de Mello, mas quem colhe os frutos, leia-se taças, é o atual presidente, Rodolfo Landim. Bandeira foi um fracasso nesse quesito. Lembro-me de quando Kalil assumiu a presidência e não permitia que se comprasse um sabonete sem a sua autorização. Negociações com jogadores eram feitas pelo saudoso Eduardo Maluf, mas com a supervisão do chefe – o mesmo com a indicação dos atletas. Ele é do ramo. Daí o período mais vitorioso da história do clube, com as conquistas das Copas Libertadores e do Brasil e da Recopa. Um time que tinha um ataque com Ronaldinho Gaúcho, Bernard, Jô e Tardelli era uma verdadeira máquina. Tardelli de 2013/14, que se tornou ídolo da Massa atleticana. Naquela época, os jogadores se valorizaram tanto, que Bernard foi vendido por R$ 77 milhões (na época), a transação mais cara da história do Atlético. Depois do título de 1971 e do brilhante time da década de 1980, o torcedor só foi saber o que é ser campeão de forma nacional e internacional em 13/14 com os homens da linha de frente do clube.

E a gestão para sanear o clube? O presidente contou com sua fiel escudeira, a “dama de ferro” Adriana Branco, e seu fiel amigo, leal, um dos advogados mais renomados da área tributária, Rodolfo Gropen. Conseguiram Refis, desbloquearam dinheiro de vendas de jogadores, faturaram com bilheteria, no Independência, casa do Galo, onde os adversários saíam com o rabinho entre as pernas, sempre mantendo um time e um técnico de qualidade. Lembro-me de quando Cuca perdeu seis jogos seguidos e entregou o boné. O então presidente o chamou num canto do vestiário e disse: “O técnico é você. Fique tranquilo que será campeão aqui”. E foi o que ocorreu. Com fama de pé-frio até então, Cuca faturou o maior título de sua carreira, a Copa Libertadores de 2013. Não era hora de trocar o treinador. O Atlético tinha um timaço e as peças se encaixariam. Gente, olha o nível do time. Faltava um goleiro, e ele tuitou: “Se é goleiro que vocês torcedores querem, tá aí o Victor”. São Victor, batizado pela Massa, que fez a defesa histórica com o pé esquerdo em cobrança de pênalti de Riascos. Não fosse aquela defesa, o projeto Libertadores teria  acabado ali.

“Que saudades do Kalil”, dizem os torcedores atleticanos. “Ele não vai voltar?”, me perguntam outros. Sinceramente, não volta mais. Faz uma bela gestão como prefeito e deverá ser reeleito. Sua contribuição foi dada. Talvez um dia, como ele mesmo diz, “depois que morrer”, um de seus três filhos – João Luís, doutor Felipe Kalil e Lucas, poderá querer ser presidente. Vivo, ele não permitirá jamais. E olha que os garotos – chamo-os assim pois os vi crescer e convivi com eles no sítio da Pampulha, anos e anos – sabem tudo de bola. João Luís, então, é uma enciclopédia. Assiste aos jogos do mundo inteiro e conhece as características dos jogadores. É um craque. Como está no sangue e o Galo teve na família os dois maiores presidentes da história, talvez chegue o dia em que um dos jovens assuma a presidência para continuar a saga da família. Lembro-me do quanto o torcedor era feliz no Horto, no “Chiqueirinho”, muito bem desenhado e cuidado. Sempre lotado, era o terror dos adversários. Ali o Galo teve viradas épicas, principalmente na Libertadores, que ganhou ali – o jogo final, no Mineirão, foi apenas uma exigência da Conmebol –, e a Copa do Brasil, com 2 a 0 no lombo do Cruzeiro. O 1 a 0 no Mineirão, no jogo de volta, apenas confirmou a taça. Esse Kalil é f...!

Olho para o Galo hoje e vejo três venezuelanos: o técnico Dudamel, Otero e Savarino. Não sou xenófobo, jamais. Porém, o primeiro esporte na Venezuela é o beisebol. O segundo, o boxe. Terceiro, o ciclismo, e quarto, o futebol. Entenderam? Os jogos do Atlético têm sido um filme de terror. Aquele de quarta-feira, que coisa horrorosa. Nem mesmo Alfred Hitchcok escreveria roteiro mais medonho. O Atlético há muito não é aquele desenhado e imortalizado por aquela diretoria de ponta. Aliás, os grandes dirigentes daquele ano foram banidos do clube e não pisam mais lá. Perguntem ao doutor Rodolfo Gropen que ele dirá. E olha que ele teve a chance de ser presidente em duas oportunidades. Porém, sempre declinou. É movido apenas por amor ao clube e não pela vaidade. Resta aos atleticanos torcerem para o time se ajeitar, se encorpar e buscar as taças. Pelo que foi mostrado neste começo de temporada, será difícil. É uma pena que dirigentes tão imponentes e que devolveram a autoestima ao atleticano não frequentem mais a sede do Galo, o auditório das grandes votações. Os anos de ouro do Galo, 2013/14, parece que não voltarão mais.

Procurador-geral

O doutor Jarbas Soares, um dos procuradores mais atuantes do Ministério Público, atleticano de quatro costados, continua sua peregrinação pelo estado buscando sempre o melhor para todos. O Rio São Francisco é sua paixão. Foi ali que ele nasceu. Doutor Jarbas não perde um jogo do Galo, mas anda chateado pelo péssimo momento da equipe. Meu amigo de longa data, Jarbas Soares é um orgulho para nós, mineiros. Quem for ao Independência nos jogos do Atlético o encontrará, com certeza. Sorriso aberto, sempre disposto a ajudar.


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