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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

A incógnita Dudamel e o fracasso do futebol mineiro

Espero que Dudamel chegue com mentalidade de futebol pra frente, de técnica, passes, dribles e gols. Se for para implantar a filosofia defensivista, que fique na Venezuela


postado em 09/01/2020 04:00 / atualizado em 08/01/2020 23:29

Rafael Dudamel (c) foi apresentado como treinador do Atlético nessa quarta-feira, na Cidade do Galo(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Rafael Dudamel (c) foi apresentado como treinador do Atlético nessa quarta-feira, na Cidade do Galo (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)


Lembro-me de Dudamel como goleiro da Seleção da Venezuela, país comandado pelo então ditador Hugo Chaves e atualmente pelo sucessor, o também sanguinário, Nicolás Maduro. Dudamel foi excelente goleiro e, como técnico, se destacou, elevando o nível do futebol venezuelano. Fazia belo trabalho na seleção e rompeu o contrato para dirigir o Galo. É bom o público saber que na Venezuela o esporte número 1 é o beisebol, seguido de boxe, ciclismo e do futebol.

Os internautas e meus seguidores do Instagram (jaecicarvalhooficial) me perguntam se Dudamel foi uma boa aquisição. Gosto muito da ideia de técnicos estrangeiros. Deu certo com Jorge Jesus, Jorge Sampaoli e alguns clubes estão apostando nessa nova moda. Os treinadores brasileiros, a maioria ricos, são fracos, ultrapassados e retrógrados, com raras exceções. E não adianta dizerem que o Brasil foi pentacampeão do mundo dirigido sempre por gente nativa, pois tínhamos também as melhores safras de jogadores. A fonte secou, não temos mais craques e o resultado é esse futebol pobre, de retranca e botinada. A Seleção não ganha um Mundial há 18 anos e completará 20 anos na Copa do Catar. Não acredito em vitória com o ultrapassado Tite e sua trupe.

Espero que Dudamel chegue com mentalidade de futebol pra frente, de técnica, passes, dribles e gols. Se for para implantar a filosofia defensivista, que fique na Venezuela. Claro que no comando da seleção ele não poderia se expor, já que a Venezuela é considerada a seleção mais fraca da América do Sul. Porém, no Galo, terá que mudar sua filosofia.

Gravei um vídeo, no começo do ano, dizendo que não acredito que o Galo vá conquistar nada neste ano. Não sou vidente, não jogo tarô, não faço previsões. Analiso dentro da expectativa do time formado. O Atlético dispensou jogadores e alguns ex-jogadores em atividade. Fez uma bela economia, pois só Luan ganhava R$ 400 mil mensais, um descalabro para um jogador medíocre. Outros engodos foram embora. Se olharmos Grêmio, Flamengo, Santos, Palmeiras e até Corinthians, vamos perceber que todos são superiores ao Atlético, com times formados e definidos. Jogadores de alto nível, de qualidade. Flamengo, Grêmio e Palmeiras têm dinheiro que nenhum outro clube tem. O Galo segue sua política de pés no chão, gastando o que pode, sem contratar ninguém de nome.

Depois que o Cruzeiro quebrou, tem muito dirigente ressabiado no futebol brasileiro. Não é mais possível gastar R$ 200 milhões se você só arrecada R$ 100 milhões. A conta não vai fechar e vai estourar a qualquer momento. A política do presidente Sérgio Sette Câmara é a de enxugar o clube e, segundo ele mesmo disse, entregá-lo ao sucessor com a casa mais arrumada. O estádio, com certeza, porá o Atlético em outro nível, mas, até lá, não há como imaginar esse time campeão brasileiro. Nem mesmo na Copa do Brasil. Os favoritos são os clubes mais arrumados, com mais talentos e qualidade.

O Santos trouxe um técnico português. Sampaoli pediu muito para ficar e não deu resultado. Aliás, ele também pediu a “Cidade do Galo e a sede administrativa” para fechar com o alvinegro. Em que mundo vive esse argentino? É muito bom treinador, mas um pouco “louco” e soberbo. Se acha o maioral, mas fracassou no Sevilla e na Seleção Argentina.

O Grêmio manteve Renato. Jorge Jesus deve ficar no Fla, pelo menos até maio, e Luxemburgo, que fez belo trabalho no fraco Vasco, está de volta ao Palmeiras. Porém, ninguém está fazendo loucuras ou contratando jogadores caros. Não há grandes jogadores no mercado e os preços são absurdos. Repatriar jogador “europeu” não deu certo. São caros e chegam ao Brasil como bagaços da laranja chupada lá fora. O jeito é manter uma base e investir na base.

O Atlético tem que pensar em taças, assim como sua torcida. Porém, eu tenho que escrever sobre a realidade. Não estou aqui para agradar A ou B. Não vejo o futebol mineiro em condições de ganhar taças. Cruzeiro e América na Série B. O primeiro, quebrado e sem direção, tentando achar um Norte. O segundo, com sua vidinha média de quem sonha em subir, mas que, se subir, sabe que vai voltar logo para a Segundona. E o Galo, único representante da Série A, com um time fraco, um diretor de futebol no qual eu não acredito e com um técnico que é uma incógnita. A não ser que algum mecenas ponha dinheiro alto no Atlético, não vejo muita perspectiva para títulos. O torcedor tem esperança, me xinga e não quer enxergar a realidade. Como analista, posso até errar, mas, pelo cenário proposto, o futebol mineiro vai passar em branco, mais uma vez.


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