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Sobreviver ao inferno da Série B é o primeiro desafio do Cruzeiro


postado em 15/12/2019 04:00

Presidente do Conselho deliberativo do Cruzeiro, Dalai Rocha vai se reunir nesta segunda com Wagner Pires, a quem sugerirá a renúncia(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Presidente do Conselho deliberativo do Cruzeiro, Dalai Rocha vai se reunir nesta segunda com Wagner Pires, a quem sugerirá a renúncia (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

Vivendo sua mais grave crise, o Cruzeiro se prepara para a Série B – ou a “morte”, como dizem alguns torcedores. Os problemas financeiros são graves e quase impagáveis. A dívida de R$ 60 milhões com a Fifa pode rebaixar o clube à Série C, e o presidente, investigado por corrupção, diz que não larga sua cadeira e que não vai renunciar. “Renúncia é para covardes”, diz ele. Já penso ao contrário. Renúncia, neste momento, seria um ato de grandeza de alguém que realmente gosta do clube. Desde as denúncias do programa Fantástico, em maio, eu sugeri que os acusados se afastassem, com a possibilidade de uma defesa melhor. Ninguém é culpado até que se prove o contrário. Porém, ao ficar no clube, eles causaram instabilidade no grupo e o time caiu de forma assustadora. Com as denúncias, vieram a crise financeira gravíssima, salários atrasados e insatisfação coletiva. O resultado foi uma campanha pífia e ridícula, com o Cruzeiro fazendo apenas 36 pontos em 38 jogos, uma vergonha para um bicampeão da América, seis vezes campeão da Copa do Brasil e quatro do Brasileirão. O Cruzeiro fazia parte do seleto grupo dos quatro times que jamais caíram, com Flamengo, Santos e São Paulo. Porém, agora, sua quase centenária história foi manchada por incompetência, apego aos cargos e denúncias de corrupção. O Conselho Deliberativo do clube, em parte, parece omisso. Não há mais clima para o atual presidente continuar. Ele não tem o respaldo da torcida, dos jogadores e da sociedade de bem em geral. Já que garantiu que não renuncia, que os conselheiros façam uma assembleia e votem pelo seu afastamento definitivo. Com ele no poder o clube não consegue empréstimos nem mesmo no botequim da esquina, quanto mais num banco. A situação é gravíssima, mas ainda há tempo de salvar o gigante Cruzeiro. A única solução é pôr gente nova no clube, que realmente o ame e trabalhe por ele, sem usá-lo nem um segundo sequer.

Enxugar a folha será uma das medidas extremas. O problema é saber quem vai aceitar a redução de salários, pois a coisa tem que ser feita de forma bilateral. Diz a diretoria que o jogador que não aceitar será posto à parte, treinando separadamente. Primeiro, a lei não permite isso. Segundo, se o jogador for à Justiça, quebra o clube de vez. O Cruzeiro tem que tentar negociar os jogadores que ainda têm mercado. Por exemplo: Fred e Thiago Neves, que custam fortunas mensais, são pretendidos pelo Fluminense. Se o Cruzeiro liberá-los de graça, estará no lucro. Vale lembrar que Fred ou Cruzeiro, um dos dois, tem uma dívida de R$ 13 milhões com o Atlético, que deverá ser executada em breve. Há outros ex-jogadores em atividade que ganham muito e que não terão espaço para jogar no Cruzeiro. Ver-se livre dos salários, ainda que ceda os jogadores de graça, é uma das soluções. O Cruzeiro terá que se adequar à realidade da Série B, na qual as receitas são pequenas, e a visibilidade, péssima. Não adianta negar. Lá no “inferno”, como chamam os torcedores, o time vai penar. E logo no ano em que foi rebaixado, o clube não terá a cota de R$ 90 milhões da TV. Quando os outros grandes caíram, não se mexia nessa cota. Porém, de uns tempos para cá, a regra mudou, e na Segundona caberá ao Cruzeiro apenas R$ 6 milhões. Vejam o tamanho da irresponsabilidade!

Sem crédito no mercado, é difícil imaginar o que o Cruzeiro vai fazer para vencer a crise financeira. Contar com a ajuda de um mecenas não é a solução. Ninguém dá dinheiro de graça a ninguém. Se o mecenas emprestar, vai querer receber com juros e correção. E resta saber se o mecenas vai acreditar em assinatura do atual presidente. O Cruzeiro está naquela situação de que “se correr o bicho pega; se ficar o bicho come”. Não vejo solução nem a médio prazo. A coisa chegou a um ponto extremo. Ou a diretoria renuncia ou o conselho a põe para fora. Não há outra solução para os atuais problemas do Cruzeiro. Se o clube não pagar os R$ 60 milhões que deve à Fifa, poderá cair para a Série C. Aí, seria o fim. O Cruzeiro só não acabou porque tem 9 milhões de torcedores espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Se fosse qualquer outra instituição, com torcida reduzida decretaria falência. Não brinquem com a verdade. O futebol do Brasil é arcaico e inconsequente. Gestões equivocadas, amadoras – e algumas, fraudulentas. Os dirigentes vão acumulando dívidas e jogando para a gestão seguinte, até que chega uma hora em que a bomba explode. Ou os clubes viram empresas ou a maioria vai quebrar e apenas figurar nas competições. Não há mais espaço para amadorismo no futebol brasileiro.

Fla é o Brasil no Mundial?

Esse negócio de dizer que o “Flamengo é o Brasil no Mundial Interclubes” é balela! Exceto os torcedores do rubro-negro, todos torcerão pelo fracasso do time carioca, numa possível final com o Liverpool. A rivalidade entre os clubes e torcedores leva a isso. E não seria diferente com qualquer outra equipe brasileira. Um ou outro torcedor rival pode, sim, querer a vitória do Flamengo, mas a maioria esmagadora quer ver o rubro-negro ser goleado e voltar ao Brasil derrotado. Isso faz parte da nossa cultura e, desde que seja saudável, não vejo problema. Quando o Vasco disputou o Mundial, em 1997, contra o Real Madrid, acordei cedo para torcer pelo time espanhol. Jamais torceria pelo Vasco. Portanto, se o Flamengo for campeão, haverá festa somente da torcida dele. Se perder, todas as outras torcidas, irmanadas, vão soltar foguetes. Essa é a real!


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