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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Se eu fosse o presidente da CBF, demitiria Tite


postado em 18/11/2019 04:00 / atualizado em 17/11/2019 21:46

Na derrota para a Argentina, o técnico da Seleção Brasileira cometeu o 'pecado' de dar a camisa 10 para Paquetá(foto: FAYEZ NURELDINE/AFP)
Na derrota para a Argentina, o técnico da Seleção Brasileira cometeu o 'pecado' de dar a camisa 10 para Paquetá (foto: FAYEZ NURELDINE/AFP)

Nepotista, pois emprega o filho, que não tem história nem histórico no futebol. Prolixo, com um discurso pronto a cada fracasso. Sem esquema tático ou padrão de jogo. Com um estafe de quase 50 pessoas à disposição e com convocações que banalizam a Seleção Brasileira. Essa mentira se chama Tite! Não dá mais para esse cidadão continuar tocando o maior patrimônio esportivo do povo brasileiro, a nossa Seleção. E para fechar a tampa do caixão, deu a camisa 10, imortalizada por Pelé, Rivellino, Zico, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, para Paquetá.! Isso mesmo, senhoras e senhores, Paquetá vestiu a camisa 10 na derrota para a Argentina e, ainda por cima, foi substituído no intervalo. Não sei se Tite está senil, pois, aos 58 anos, acho difícil isso ter ocorrido, mas que ele não tem a menor noção do que representa essa camisa para o nosso futebol e para o mundo, disso eu tenho certeza. E confesso, fui um dos culpados por ele ter assumido a Seleção. Depois da derrota para o Peru, na Copa América Centenário, nos Estados Unidos, sugeri ao então presidente Marco Polo del Nero o nome dele para substituir o pseudotécnico Dunga. Que arrependimento! Tite é mais do mesmo. Apenas mais um dos técnicos gaúchos que acabaram com a nossa arte, o toque, a tabela, o drible, o gol. Sim, não tenho dúvidas de que os técnicos gaúchos Felipão, Tite, Celso Roth e Mano Menezes acabaram com o nosso futebol.

Assisti ao jogo Brasil x Argentina. Os Hermanos deitaram e rolaram e só não fizeram mais gols porque seus atacantes não estavam com os pés calibrados. Messi fez o que quis, inclusive o gol da vitória, e mandou Tite calar a boca quando o técnico brasileiro pediu cartão amarelo para o craque argentino. Tite chega a beirar o ridículo com seu discurso pastoral e seu pouco entendimento de futebol. Jamais esquecerei que foi ele quem derrubou o Galo para a Segundona. A cada coletiva dele na Seleção dá sono. Um discurso prolixo, que agrada aos puxa-sacos – e ele tem vários, principalmente os jovens, que não sabem o que é futebol de verdade. Tite não conseguiu dar padrão de jogo ao time brasileiro. Nas Eliminatórias, quando pegou o time em sexto lugar, não havia como não subir. Ganhou oito jogos seguidos e conquistou uma legião de fãs. Bastou uma competição de verdade, o Mundial da Rússia, para a máscara dele cair. Jogos sofríveis contra seleções de qualidade duvidosa, uma vitória sobre a Costa Rica, com dois gols nos acréscimos, um sufoco contra o México nas oitavas de final e a morte contra a Bélgica nas quartas. Tomou um nó tático do técnico Roberto Fernández, espanhol que comanda a equipe belga, e perdeu até o rumo de casa. Ali, naquele vestiário, deveria ter sido demitido, tamanha sua incompetência. Levou vários jogadores machucados, entre eles Fred, Renato Augusto e Taison, além de manter no time sua confraria, Thiago Silva, Daniel Alves, Paulinho e tantos outros engodos. Não me venham dizer que ganhou a Copa América no Brasil! Ganhou, sim, empatando com o Paraguai, em 0 a 0, quando os paraguaios tinham um jogador a menos, e com a 'poderosa'? Venezuela. A final foi contra o fraquíssimo Peru. Porém, no discurso dele foi como se tivéssemos vencido a Alemanha. Tite é assim: um 'encantador de jornalistas'.?

Sei que o presidente da CBF, Rogério Caboclo, homem sério, conhecedor de futebol, e que está dando uma repaginada no nosso esporte bretão, gosta de Tite como pessoa. Eu também acho Tite um cara honrado e educado. Porém, é preciso avaliar o péssimo trabalho do técnico. Depois da Copa América, tem acumulado fracassos contra adversários fracos. Hoje, ninguém respeita o Brasil. Pode ser africano, japonês ou europeu. Os caras jogam de igual para igual, abrem placares e a gente é quem corre atrás do empate. É até provável que o Brasil vença a Coreia amanhã em Abu-Dhabi, mas o time coreano tem esquema de jogo e é bem definido. Se eu fosse o presidente da CBF, demitiria Tite tão logo ele desembarque em solo brasileiro, além de toda a sua equipe. Mudaria também o assessor de imprensa, Vinícius Rodrigues, que faz tudo para atrapalhar o trabalho da imprensa. O elo entre comissão técnica e jogadores é o assessor de imprensa, que tem que ser uma pessoa que conheça os jornalistas, que saiba ter sensibilidade. Hoje, não é permitido fazer uma exclusiva, conversar com velhos companheiros, como Taffarel, e ele chegou ao ponto de me dizer que caso eu marcasse uma matéria com alguém, ele precisaria primeiro saber qual é a pauta, para autorizar ou não.? Não sabia que a censura havia chegado à Seleção Brasileira. Nunca foi assim. Desde Gata Mansa, o saudoso, Robério Vieira, passando por Carlos Lemos e Rodrigo Paiva, sempre tivemos acesso a jogadores e treinadores, que desciam no hall dos hotéis, conversavam conosco, mesmo que o assunto não fosse futebol, e respeitavam nossos elogios e críticas. Tenho a prerrogativa de falar com propriedade, pois cubro a Seleção desde 1986, quando o saudoso Telê Santana montou aquela Seleção inesquecível de Falcão, Sócrates, Zico, Cerezo, Júnior. Na época, eu trabalhava na TV Globo de BH.

Os tempos mudaram. Sei que qualquer um hoje é blogueiro e se acha repórter. Porém, é preciso separar o joio do trigo. Eu faria uma mudança radical em todas as divisões de seleções. Contrataria o português Jorge Jesus e pediria a ele que fizesse uma revolução, como está fazendo no Flamengo, resgatando a alegria do torcedor em ver uma equipe jogar pra frente, com o toque, o drible, a tabela, o gol. A maioria dos nossos treinadores não evoluiu ou se modernizou. Por isso, tecnicamente estamos na lama. Ou, se quisessem uma solução caseira, chamaria Vanderlei Luxemburgo, que está na vanguarda há tempos e que dá show de competência no fraquíssimo time do Vasco. Renato Gaúcho é outro que a mim agrada muito. Não me venham dizer que é gaúcho, pois ele mora no Rio há 30 anos e não é do tipo que manda matar a jogada ou dar porrada. Renato foi um belíssimo atacante e gosta do futebol ofensivo.

Para fechar, é preciso que a Seleção seja menos de empresários e mais de jogadores raízes. Façam uma pesquisa e percebam que 90% dos jogadores convocados têm suas carreiras conduzidas por Giuliano Bertolucci, empresário de futebol ligado a Kia Joorabchian. Criticavam Mano Menezes, que tinha como empresário Carlos Leite e que convocava muitos jogadores dele, mas se esquecem de olhar para Tite e seus convocados. Não há aqui nenhuma alusão a favorecimento financeiro, de forma alguma. São apenas coincidências constatadas. Bertolucci é um empresário competente, que ganhou o mercado internacional por sua penetração e network. Porém, há tantos jogadores atuando no Brasil que são superiores a alguns convocados, mas que não têm empresário forte. Para esses, Tite nunca olhou. Futebol é momento. Seleção Brasileira tem de reunir os melhores jogadores do momento, e não privilegiar jogador de empresário A ou B. Tite é uma mentira, e quem é de verdade sabe quem é de mentira. Não acredito que ele peça demissão. Não vai querer perder essa boquinha nem desempregar seu filho. Então, a solução seria a sua demissão. Com esse futebol pífio e essa falta de padrão, qualidade e perspectiva, sofreremos nas Eliminatórias, pois todas as seleções da América do Sul evoluíram e o Brasil caiu de forma assustadora. Ainda há tempo. Até março, mesmo não tendo amistosos, dá para mudar o técnico e a filosofia do nosso futebol. Jamais ficamos fora de um Mundial, mas eu temo. Com Tite no comando, isso é possível, sim!


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