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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Clássico insosso para dois times medíocres!

O Cruzeiro precisa sair rapidamente da zona perigosa. Se cair, não terá nem as receitas dos direitos de transmissão. O Galo, com contas no vermelho e dívida grande, não sabe o que fazer para mandar uma barca embora


postado em 10/11/2019 04:00 / atualizado em 09/11/2019 19:08

No clássico do primeiro turno, no Independência, vantagem para o Atlético, que bateu o Cruzeiro por 2 a 0(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 4/8/19)
No clássico do primeiro turno, no Independência, vantagem para o Atlético, que bateu o Cruzeiro por 2 a 0 (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 4/8/19)


Um clássico sem sal, sem gosto, sem motivação. Assim Cruzeiro e Atlético entrarão em campo nesta tarde, diante de milhares de torcedores. Os atleticanos ainda sonham em derrubar o rival para a Segundona e uma vitória poderá encaminhar isso. Os cruzeirenses querem vencer, garantir mais 3 pontos, se afastar do Z-4 e dizer ao atleticano que ele ainda não escapou do rebaixamento. No começo da temporada, sonhamos com um clássico decidindo o título ou vaga na Libertadores. Infelizmente, para o futebol mineiro, a realidade é bem distante da sonhada. A mediocridade da maioria dos jogadores e os erros administrativos levaram Cruzeiro e Atlético a essa situação de não ter o que comemorar e, faltando sete rodadas para o fim da competição, brigarem para não cair. Uma vergonha para um estado que sempre esteve em alta, principalmente no futebol. São os novos tempos, em que se entrega um departamento de futebol a pessoas desqualificadas para tal. Montar um grupo não é tarefa fácil, ainda mais quando não se tem dinheiro. Porém, usar a criatividade, privilegiar a base e contratar as peças certas deveria ser o carro-chefe das equipes. Ao contrário disso, elas preferem investir nos ex-jogadores em atividade, e o resultado é essa campanha pífia de ambos.

O primeiro ponto a ser resolvido é a fuga do Z-4. O Galo, com 39 pontos, está quase livre – pela mediocridade das equipes abaixo, acredito que com 43 pontos um time escapa da queda. Curiosamente, quem deu esse “alívio” ao alvinegro foram dois jovens da base, Marquinhos e Bruninho, que não devem ganhar nem R$ 10 mil mensais. Ao passo que medalhões, que ganham R$ 400 mil mensais pra cima, têm feito o torcedor passar raiva, com futebol abaixo de qualquer crítica. Os clubes gastaram o que não tinham e agora veem chegar uma conta gigantesca. A situação do Cruzeiro é pior. Envolvido numa crise política, com acusações de corrupção, jogou a sujeira para debaixo do tapete e tem uma dívida perto dos R$ 700 milhões. Pelo menos está honrando o compromisso de pagar os salários dos jogadores, ainda que pedindo dinheiro emprestado a terceiros. Salário é coisa sagrada.

O Cruzeiro precisa sair rapidamente da zona perigosa, pois, se cair, não terá nem as receitas da emissora de TV detentora dos direitos de transmissão. Aliás, o clube azul já antecipou cotas e está mesmo de pires na mão, dependendo da ajuda de mecenas. Ninguém quer assumir o clube com uma dívida que pode chegar aos R$ 700 milhões, sem crédito na praça. Se escapar da queda, será um alívio para o torcedor, que nunca viu seu time na Série B. Mas quando o ano terminar e os dirigentes olharem o futuro, verão um rombo gigantesco a ser coberto. Sem dinheiro, não saberão o que fazer. Conversei com um economista outro dia. Ele me disse que se tudo der certo e o Cruzeiro não cair, em 10 ou 15 anos poderá sair desse buraco em que se encontra. Vejam em que situação o clube ficou por conta de irresponsabilidades.

O Galo não vive situação diferente. Com as contas no vermelho e uma dívida grande, não sabe o que fazer para mandar uma barca embora, indenizar os jogadores e se repaginar para o ano que vem. Falando a realidade nua e crua, Cruzeiro e Atlético irão figurar nas competições daqui pra frente. A não ser que invistam pesado na base e deem condições aos jovens de mostrar talento no time de cima. Não há outra saída. Não existem grandes jogadores no mercado, os melhores já estão empregados no Flamengo e Palmeiras, que têm dinheiro, ou na Europa. Esse negócio de trocar jogadores é uma alternativa. Porém, trocar seis por meia dúzia não vai resolver o problema do alvinegro. É preciso ousar um pouco mais. Buscar uma solução mais interessante. A transformação dos clubes em empresas é a única solução viável e as autoridades deveriam tornar isso lei no Brasil. Não dá mais para gerir os clubes de forma amadora, sem que os dirigentes tenham responsabilidade fiscal. O que ocorre nos clubes brasileiros é que cada gestão gasta o que tem e o que não tem e empurra a dívida para a gestão que irá sucedê-la. Dessa forma, o rombo vai ficando gigante, sem perspectiva de solução. Queria ver se os dirigentes que agem assim fariam isso com suas empresas, contratando profissionais desqualificados, pagando fortunas e inflacionando a folha de pagamento. Infelizmente, 98% dos clubes brasileiros vivem na irresponsabilidade dos dirigentes e no amadorismo. Já passou da hora de darmos um basta nisso, sob o risco de o futebol brasileiro acabar de vez. E quanto ao clássico de hoje, eu jamais deixei de dar um palpite sobre o favorito. Porém, especificamente para este confronto, vou ficar em cima do muro, tamanha a ruindade das duas equipes que vão se enfrentar – pensando em não cair e não disputando a taça. Uma pena que o futebol mineiro esteja caindo no ostracismo.


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