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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Até Fred criticou Mano pela retranca

O Cruzeiro pode ganhar tudo. Mas, com esse futebol medíocre, envergonha sua história e tradição, construída com Dirceu Lopes, Evaldo, Joãozinho, Nelinho e tantos outros gênios da bola


postado em 01/08/2019 04:00


O centroavante Fred, que não marca gols há 15 jogos e que os matemáticos do futebol exaltavam porque tinha uma média boa no Mineiro e nos jogos da Libertadores, contra adversários fracos, deu uma declaração forte após a eliminação do Cruzeiro na Libertadores: “Minha forma de jogar não serve para o esquema do Mano. Ele joga por uma bola, por um gol, e todos têm que marcar atrás da linha da bola e contra-atacar”. Não vejo novidade nenhuma nisso. Fred não serviu para o esquema de Mano na Seleção Brasileira e não serviria agora, pois o técnico não mudou sua forma de ver o futebol e montar suas equipes. Enquanto Fábio pegou penalidades e fez defesas monstruosas nas duas Copas do Brasil que o Cruzeiro ganhou, Mano foi ídolo da torcida. Porém, o futebol de baixa qualidade para uma folha salarial de R$ 20 milhões e a eliminação para o River mostraram ao torcedor a verdadeira face de Mano Menezes. E, cá pra nós, ele não é diferente da maioria dos treinadores em atividade. Jogam feio, por uma bola e descaracterizam equipes que sempre foram consideradas escolas, caso do Cruzeiro.

Engraçado que vários jovens, esses que não sabem o que é o verdadeiro futebol, pois nasceram da década de 1990 para cá, me mandaram mensagens ontem dizendo que eu tinha razão, pois Mano não é técnico para o Cruzeiro. Os mesmos jovens que me disseram que “queriam ganhar a qualquer preço, mesmo com futebol horrível”. Bastou uma eliminação em que o gigante Fábio não conseguiu fazer nenhuma defesa de penalidades para o torcedor enxergar os defeitos de Mano. E Fábio, para quem não sabe, foi um dos injustiçados por Mano na Seleção. Logo Fábio, que deu a Mano duas Copas do Brasil e estabilidade de três anos no emprego. O mundo dá voltas, é redondo, e o cara que você sacaneia num dia pode lhe ajudar no outro. Como Fábio é religioso e muito correto, tenho certeza de que não guarda mágoa de Mano. Alguns me perguntam quem eu acho que deva ser o técnico do Cruzeiro. Eu não acho nada. Não é minha função, não sou dirigente e não contrato treinador. Só acho que é preciso avaliar o grupo, que tem qualidade, e entender de que forma ele poderá render mais do que está rendendo. Quem sabe Mano não se recicla e resolve praticar futebol de primeira linha? No feminino, a CBF escolheu uma técnica sueca, vencedora de duas medalhas de ouro e uma de prata nas últimas três Olimpíadas. Quem sabe a moda pega também na masculina, com um técnico estrangeiro? O Santos é o líder do Brasileiro com grupo humilde, folha salarial baixa e um técnico argentino, inteligente, ousado e que gosta do bom futebol. Com Jorge Sampaoli não existe a palavra retranca. O Cruzeiro namorou com ele, anos atrás, na gestão de Gilvan de Pinho Tavares, mas o namoro não deu certo. Sampaoli está pondo os técnicos brasileiros no bolso. Quem sabe Mano não faz um estágio com ele e entende o que é o futebol ofensivo, de qualidade e bem jogado?

Quero ver como o Cruzeiro vai se virar para pagar salários em dia até o fim do ano. Terá de apostar suas fichas na Copa do Brasil, onde é semifinalista. Mas, se Mano jogar contra o Inter na retranca, em casa, e mais ainda na retranca, no Beira Rio, no jogo de volta, já sabemos o final do filme. E o Cruzeiro morre no final. Espero que ele tenha assimilado o golpe chamado River Plate e repense sua forma de atuar. Como muito bem disse Fred, jogar por uma bola, pedindo aos atacantes para marcarem, não é o verdadeiro futebol do Cruzeiro. Fred tem razão. Ele é pago para fazer gols e não para marcar os zagueiros adversários. Espero que alguém dê um dicionário a Mano e que ele entenda o sentido da palavra atacar no futebol. Atacar é driblar, tabelar, chutar e fazer o gol. É simples, Mano! Ainda mais quando se tem um grupo milionário e jogadores tidos como de qualidade. Mexer esse doce é tarefa sua, que ganha uma fortuna para isso. Porém, uma coisa eu vou dizer: se Mano ganhar o tri consecutivo da Copa do Brasil, e o hepta, os mesmos torcedores que o criticaram após a eliminação para o River vão idolatrá-lo. O torcedor é passional e vive de conquistas. Nós, que analisamos o futebol por outro ângulo, temos que ter responsabilidade em emitir opiniões. Mostrar a realidade dos fatos. O Cruzeiro pode ganhar tudo. Mas, com esse futebol medíocre, envergonha sua história e tradição, construída com Dirceu Lopes, Evaldo, Joãozinho, Nelinho e tantos outros gênios da bola, que ensinaram a arte, o drible, o gol. Simples assim, Mano!

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