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Estado de Minas HENRIQUE PORTUGAL

Você ainda usa o telefone fixo?

O telefone fixo já foi um grande aliado e salvador de muitas situações, mas hoje é apenas um aparelho que faz barulho


14/08/2020 04:00 - atualizado 14/08/2020 07:53

O telefone fixo já foi equipamento caro e muito cobiçado, mas se transformou em adorno inútil em muitas residências(foto: Youtube/Reprodução)
O telefone fixo já foi equipamento caro e muito cobiçado, mas se transformou em adorno inútil em muitas residências (foto: Youtube/Reprodução)
Outro dia, estava conversando com um amigo e tentei explicar como está o mundo da música com a COVID-19. Todas as explicações que eu dava passavam por alguma tecnologia. Aí veio o click mental: já imaginaram como seria o mundo sem a internet nesta pandemia? Tudo seria resolvido por meio do telefone fixo. Ou seja, uma loucura completa. Teríamos uma fila dentro de casa pra usar algo que praticamente se tornou companheiro do abajur, ou um peso de papel. Sem a internet, não teríamos acesso às séries, lives, compras on-line, WhatsApp, Facebook, Twitter, Instagram, Skype, Zoom, Meet... Enfim, chega de tanta sigla e palavras em inglês.

Eu afirmo e digo com todas as letras: salve os criadores da internet e dos smartphones!. Se esta COVID aparecesse durante os anos 1980, estaríamos perdidos. Voltaríamos a ler mais livros, escutar mais música e, principalmente, conversar mais com as pessoas próximas. Hoje, temos opções demais que acabam com o nosso tempo ocioso, que é tão importante para a criatividade.

No início dos anos 2000, com a chegada da pirataria na música e dos downloads gratuitos, cheguei à conclusão de que os jovens estavam escutando menos música, pois o dinheiro que eles tinham para comprar os nossos CDs estava sendo gasto com créditos para os celulares. Sempre procuramos uma desculpa para justificar algo de que não temos controle, ou para fugir de uma decisão que nos obrigue a mudar nossos costumes.

O telefone fixo já foi um grande aliado e salvador de muitas situações. Hoje, é apenas um aparelho que faz barulho, algumas vezes, mas que poucos se movimentam para atender. Qual será o novo item a passar para a história como ferramenta do passado? Você tem palpites? O tempo histórico atual e o dinamismo da contemporaneidade nos trazem dificuldades para efetivar previsões, mas tendo em vista que uma ferramenta como o telefone fixo, capaz de reunir famílias e dife- renciar condições socioeconômicas no passado, já não se faz tão presente na vida das pessoas, me pergunto acerca da próxima novidade meta- fórica dos museus.

Fato é que se o homem não controla passado, presente e futuro, ele detém, hoje, a gestão das tecnologias que aceleram ou diminuem as distâncias, os ritmos e a vivacidade dos elementos da natureza e da materialidade. O telefone fixo ficou para trás e, se pudesse arriscar um palpite, diria que as emissoras tradicionais de televisão, sejam elas abertas ou pagas, devem aproveitar o bem maior desta coluna – portanto, o tempo – para se reinventar antes que os controles remotos percam os números e se mantenham apenas com as letras e uma conexão com o sinal de wi-fi. A má notícia é que o tempo voa, mas a boa é que nós somos os pilotos.


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