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Estado de Minas COLUNA HIT

Empatia: palavra de ordem para o mundo que se descortina no pós-pandemia

A produtora cultural Patrícia Tavares acredita que já chegou a hora de fazer a revolução que pode -- e deve -- ser gentil


28/08/2021 04:00 - atualizado 27/08/2021 22:49

Patrícia Tavares
Idealizadora do Festival Verbo Gentileza



Gentil vem de gente. Falar obrigada, por favor ou com licença é ser gentil? Sim. Mas a gentileza em que acreditamos vai muito além dessas palavras, ela é feita de ações, conexões e transformações.

O mundo que vem se descortinando aos poucos no pós-pandemia exige um novo olhar para a empatia. A sociedade se viu diante de novos desafios na forma de se relacionar, de evoluir, e é preciso uma retomada da ordem, a união de pensamentos e forças para revolucionar as novas relações.

É preciso gente inspirando e colaborando com gente. Não podemos seguir como antes e deixar para trás os aprendizados conquistados até aqui. As roupas usadas que nos trouxeram até aqui não cabem mais, pois, de alguma forma, cada um de nós mudou e o mundo também, precisamos nos regenerar.

A sociedade adoeceu muito nos últimos meses, se não do coronavírus, de depressão, ansiedade, insônia. Um levantamento do Conselho Federal de Farmácia mostrou que a venda de antidepressivos teve crescimento de 17% só em 2020. Já a busca de informações na internet sobre esse tipo de medicamento e outras formas de tratar essas patologias aumentou mais de 100% em seis meses, entre 2020 e 2021.

"A sociedade adoeceu muito nos últimos meses, se não do coronavírus, de depressão, ansiedade, insônia"



O que vai nos tirar daqui e nos levar para um futuro melhor é a gentileza. Quando falamos em revolução, queremos romper, sim, as barreiras atuais, mas de forma gentil, por meio do diálogo e dos bons exemplos que já existem, exaltando aqueles a quem chamamos “gentis revolucionários”, que fazem a diferença na comunidade onde moram, nas corporações que usam seu poder de alcance para concretizar ações que ajudam a mudar a vida das pessoas. Exemplos assim se multiplicaram neste último ano, mostrando que a nossa sociedade tem vocação para pensar o coletivo.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva em 2020 mostrou que 117 milhões de pessoas fizeram algum tipo de doação durante a pandemia. Isso resultou em mais de 86 milhões de brasileiros que receberam ajuda e afeto.

Mas gentileza é solidariedade? Também. Além da solidariedade, acreditamos no poder de empoderar, dar oportunidades, capacitar e transformar a vida do outro. Isso também é gentileza. Passa, ainda, por pensar em novas formas de nos relacionarmos com a cidade, com o vizinho. A mudança é feita pelo coletivo e para o coletivo.

Para fomentar a conexão e a troca de ideias entre aqueles que fazem e os que querem fazer a gentileza ganhar força, nasceu há seis anos, em Belo Horizonte, o Festival Verbo Gentileza. Em praça pública, com programação gratuita e visibilidade para produtores locais e artistas, levando adiante o propósito de juntar pessoas e ideias que contribuem para a transformação da sociedade. As artes têm papel fundamental nessa disruptura tão necessária. Elas ajudam a humanizar, provocam a reflexão e canalizam ideias e ações.

Com a pandemia, tivemos de nos recolher, nos reinventar e observar todas as mudanças desses longos meses pandêmicos, o amadurecimento da nossa sociedade. Nós, enquanto festival, também amadurecemos. Voltamos no formato virtual, ampliando as fronteiras e as aspirações do evento. Se no último ano o tema do festival foi “a gentileza cura”, agora vemos que é hora de romper com esse passado que nos trouxe até aqui, fazer uma revolução, e a revolução pode e deve ser gentil.

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