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Professor universitário, Leo Cunha conta o que tem aprendido na pandemia

Na seção Vivendo e Aprendendo, da Coluna Hit, ele fala das antipatias que hoje são encaradas de outra forma


17/07/2021 04:00

Leo Cunha
Escritor, jornalista, professor universitário e um dos criadores do podcast “Música serve pra isso”

Nessa pandemia, tantas pessoas perderam parentes, amigos próximos, saúde, emprego, esperança, que fico até constrangido de falar de saudades banais, mas foi isso que me veio à cabeça diante da pergunta “o que você aprendeu na pandemia?”
Então, já pedindo desculpas, conto aqui meu trivial aprendizado: na pandemia, algumas inquietações podem se transformar em saudades.

Aquele casal conversando ou olhando a tela do celular no meio de uma sessão de cinema. Como isso me enfezava! Hoje me lembro deles com simpatia.

A fila do banco, do Detran ou da lotérica, com pessoas aleatórias tecendo disparatadas teorias da conspiração. Não é que sinto falta daquele nonsense presencial?

As estradas compridas e sinuosas que me levavam para visitar leitores de uma escola cravada nas montanhas do Espírito Santo ou de Santa Catarina. Hoje, tenho certa nostalgia do incômodo e do desconforto daquelas curvas.

Aeroportos lotados, com lanchonetes caríssimas, cardápios duvidosos e conexões inexequíveis para aviões ainda mais lotados, com cardápios ainda mais controversos. Quando estarei de volta naquele abuso todo?

Talvez o que eu sinta falta mesmo seja de voltar pra casa, depois de todas essas roubadas, e contar pra minha mulher e meus filhos, com uma mistura de pasmo e deboche: “Vocês não acreditam o que aconteceu hoje!”.

Como é bom voltar. É isso que aprendi. Como é bom sair do elevador, pegar a tetrachave e abrir a porta de casa. Trazer o mundo pra casa, com suas histórias, seus personagens, suas delícias e seus micos. E sem medo de trazer um vírus na bagagem ou na roupa.

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