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Mineiros trocam o mercado de ensino pelo turismo em Trancoso, na Bahia

Além de pousada próxima ao Quadrado, empresários inauguraram recentemente o Galpão 103, voltada para a comunidade


postado em 02/01/2020 04:00 / atualizado em 01/01/2020 21:54

(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

 
"A cada dia passamos a reconhecer Trancoso como a nossa cidade"

Depois de um dos réveillons mais disputados do país, as praias de Trancoso (BA) lotam com turistas que permanecem por lá curtindo férias de verão, que começou bem. “Nesses quatro anos que aqui estamos, nunca vimos um réveillon tão movimentado, com centenas de aviões aterrissando em Porto Seguro”, comenta o empresário Alexandre Gobbo, que, ao lado de Virgilio Machado, é dono da pousada Casa de Perainda, próxima ao Quadrado.
 
Gobbo conta que depois de quase 30 anos trabalhando com educação na Rede de Ensino Coleguium, ele e Virgilio Machado receberam proposta de venda da empresa. “Depois de muitas e difíceis reflexões, decidimos que era hora de mudar e nos abrirmos para novas possibilidades de vida. Isso aconteceu há cinco anos. E foi assim que decidimos lançar âncoras em Trancoso, no Sul da Bahia, um local que já conhecíamos há tempos e que sempre adoramos!”
 
No mês passado, inauguraram na Casa de Perainda o Galpão 103, espaço voltado para as artes, cultura e educação, aberto à comunidade de Trancoso. “Nosso primeiro evento foi sediar o
2º Festival de Cinema de Trancoso. Temos a certeza de que esse novo espaço dará uma grande contribuição para a vida cultural da cidade. Esse é o nosso desafio para 2020”.
 
COM A PALAVRA
alexandre gobbo, empresário
 
Vocês têm uma trajetória no ensino (fundaram o Coleguium) e encaram um outro ramo, que é o turismo. Onde as duas profissões se encontram e o que uma contribuiu para a outra?
O Coleguium foi fundado pelo Virgilio, em 1987, e quando percebemos que a longa experiência que tivemos no ambiente educacional seria fundamental para a atuação na hotelaria, não tivemos dúvidas em aceitar o novo desafio. Relações interpessoais, treinamentos de equipe, lidar com situações delicadas – estas são as bases para um trabalho de excelência na educação e na hospitalidade. A experiência com a hospitalidade se mostrou muito mais leve que a educação. Proporcionar experiências inesquecíveis para aqueles que nos procuram com o objetivo de descansar é muito mais tranquilo do que lidar com os problemas do crescimento e aprendizagem de crianças e adolescentes

Empreende dorismo é a palavra de ordem. Vocês se consideram bons empreendedores? Qual dica vocês dão para quem quiser empreender?
Não temos dúvidas de que o empreendedorismo é fundamental para o crescimento econômico do país. A criação de novos negócios gera empregos, impostos, inovação... Alguns traços de personalidade, assim como alguns comportamentos aprendidos e desenvolvidos desde a mais tenra idade, parecem favorecer o empreendedorismo. Os persistentes, criativos, dedicados ao trabalho, que arriscam, que aprendem com os próprios erros, os convictos de que reinvestir é mais importante que gastar, acreditamos, têm mais chances de sucesso como empreendedores.

Como surgiu a ideia de montar a pousada? 
Foi um fato muito curioso, pois a princípio queríamos apenas uma casa para morar, um lugar tranquilo para viver, mas a vida nos apresentou outras possibilidades. A casa que compramos tinha quartos que, eventualmente, eram alugados. Assim, tivemos de honrar alguns compromissos já assumidos pelos antigos proprietários e adoramos. Conhecer novas pessoas de diversas partes do mundo é fascinante. Acabou que tomamos gosto e decidimos aprimorar o serviço e criar uma pousada com um conceito diferenciado de hospedagem. O fato de não termos experiência na área se mostrou benéfico. Gostamos de viajar e começamos a nos perguntar o que consideraríamos como a hospedagem perfeita. Foi a partir das nossas respostas que começamos a criar um modelo que se mostrou inovador, muito personalizado e, acreditamos, único. A falta de experiência na área da hospitalidade, aliada à criatividade e longa vivência no ambiente escolar, foram fundamentais para o sucesso do empreendimento.

Trancoso se mantém como um dos destinos preferidos do turista. O turismo lá é bem explorado ou sofre com a ausência de política para garantir a preservação ambiental?
Como parece ser a realidade da maioria dos municípios brasileiros, falta orçamento para os investimentos. Infelizmente, o jogo político, o inchaço da máquina pública e a má gestão costumam levar ao desperdício e à má utilização dos escassos recursos públicos. Em Trancoso, que é um distrito de Porto Seguro, não parece ser diferente. Mas, por outro lado, a sociedade civil de Trancoso é bastante atuante no sentido de preservar seu patrimônio histórico e natural, o que ajuda muito, pois pressionam e subsidiam o poder público em prol da cidade. Grupos e associações lutam para preservar o que Trancoso tem de melhor: sua beleza natural!

Existem pontos ainda pouco conhecidos pelo turista que chega a Trancoso? 
Trancoso tem muitas facetas interessantes. É claro que as belíssimas praias e o charmoso Quadrado formam um conjunto imbatível, mas, dependendo do olhar do visitante, este poderá se encantar pela simplicidade de uma feira de rua, a melancolia dos pequenos lugarejos próximos, as praias ainda desertas, os pequenos sítios de produção orgânica, as aldeias indígenas e o encantador trabalho dos artesões locais.

Vocês já se consideram “nativos”? 
Nativos, não. Viemos de Belo Horizonte, uma grande cidade, crescemos e viemos de uma cultura muito diferente. A cada dia passamos a reconhecer Trancoso como a nossa cidade, aprendemos a compreendê-la e a respeitá-la, formamos novas redes de convivência, envolvendo todas as camadas sociais. Aos poucos, vamos ficando mais “Trancosenses”, mas não creio que um dia poderemos nos considerar “nativos”. Isso é muito forte. Poucos são os moradores que têm a honra de ostentar este título.
Nos mudamos para Trancoso em plena crise econômica. Portanto, não teríamos parâmetros comparativos para tal afirmação. Também não analisamos dados oficiais que possam fundamentar
Passamos por uma crise. O turismo no Sul da Bahia sentiu esse momento da economia? uma opinião, mas ouvimos pessoas, e dessas conversas percebemos que, sim, a crise econômica também afetou Trancoso, com a falta de recursos para investimentos públicos e privados. Esse quadro parece estar se revertendo, como sinaliza o forte movimento deste verão. Cremos que a construção civil seja a principal atividade econômica de Trancoso e a percebemos bastante aquecida pelos investimentos privados. Sem dúvida, o pior já ficou para trás. 

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