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Livro mostra a importância do Cine Theatro Brasil para BH

Escrita pelas historiadoras Vanessa Viegas e Luciana Ferron, obra destaca aspectos arquitetônicos do edifício, além do papel desempenhado pelo espaço, ao longo de seus 87 anos, na vida cultural da cidade


postado em 06/10/2019 04:00 / atualizado em 04/10/2019 18:31

(foto: Gladyston Rodrigues/EM)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM)

Ele resistiu o tempo todo. Majestoso, mantém-se imponente como um dos maiores símbolos de Belo Horizonte. Agora, mais que merecidamente, o Cine Theatro Brasil Vallourec ganha um livro de memórias. E as histórias não são poucas. “Inaugurado como o maior cinema do país, ele foi, durante alguns anos, o edifício mais alto de Belo Horizonte, introduzindo na capital uma proposta arquitetônica arrojada e moderna”, conta Vanessa Viegas (foto). Em parceria com Luciana Ferron, ela escreveu o livro Na cultura e na memória da cidade, que será lançado terça-feira (8), às 19h, no Cine Theatro Brasil Vallourec, na Praça Sete.

A ideia era levantar informações sobre o espaço no período que vai de 1932, data de sua inauguração, até a contemporaneidade. O objetivo da obra é explicar permanências e transformações experimentadas – o edifício é patrimônio histórico de Belo Horizonte – no contexto cultural e urbanístico da cidade.

“O processo de pesquisa se iniciou com a leitura de obras relativas a Belo Horizonte e à vida cultural na cidade, especialmente o cinema. A partir daí, buscamos informações concernentes tanto à documentação existente e disponível sobre a instituição quanto a testemunhas de suas várias fases, como ex-funcionários, produtores culturais, artistas, profissionais ligados ao processo de restauração do edifício, gestores do atual centro cultural e frequentadores”, conta Vanessa.

O processo de pesquisa foi especial. “Sempre nos emocionamos com as histórias e experiências vividas pelas pessoas em sua relação com o Cine Theatro Brasil. Também encontramos imagens inéditas, como as fotografias do edifício em 1932, talvez as primeiras produzidas logo depois da conclusão das obras, documentando os espaços internos daquela obra monumental. Esse foi um dos momentos memoráveis de nosso trabalho”, diz a historiadora.

COM A PALAVRA...
VANESSA VIEGAS, historiadora

Qual é a importância do Cine Brasil para a história de Belo Horizonte?
O edifício e sua função cultural fazem parte da vida de Belo Horizonte há 87 anos. Considerando que a cidade tem 122 anos, pode-se dizer que o atual Cine Theatro Brasil Vallourec está presente na vida de todas as gerações de belo-horizontinos. Numa cidade que durante sua história viu desaparecer muitos edifícios e espaços culturais, a existência do prédio do Cine Brasil preservado, com suas características arquitetônicas, bem como a permanência de sua função cultural são provas de que uma cidade pode ser moderna e dinâmica, sem que isso implique a desaparição dos elementos constituidores da sua memória.

O que vocês consideram a prioridade desse projeto?
Consideramos interessante sempre abordar a inserção do edifício e de seus usos na dinâmica da cidade exatamente porque ele faz parte dela. Sua localização, na Praça Sete, faz dele testemunha e, ao mesmo tempo, agente da história de Belo Horizonte exatamente por estar num lugar onde pulsa a vida social, econômica e política. Ele foi e ainda é importante referência na trama urbana, mas é também uma referência na vida das pessoas. É importante destacar que, além do cine-teatro – sem dúvida, sua atividade mais memorável –, o edifício abrigou lojas, consultórios médicos, escritórios de advocacia e sedes de empresas, além de um bar e um restaurante popular. Ou seja, de variadas formas, o edifício esteve presente no cotidiano das pessoas.

Quais são as suas grandes lembranças do cinema antes e depois da reforma?
Seria o momento da possibilidade de sua desaparição, na década de 1990, a exemplo do que havia ocorrido com o Cine Metrópole, e sua reabertura como Cine Theatro Brasil Vallourec, em 2013. As portas cerradas, a ausência de letreiros do Cine Brasil e a inauguração do Cine Theatro Brasil Vallourec são lembranças marcantes.

Vocês encontraram frequentadores do antigo cinema?
Sim, entrevistamos frequentadores de períodos variados. Todos, invariavelmente, relataram lembranças do Cine Brasil como parte de suas vidas, fossem aquelas ligadas ao lazer ou a outros usos possíveis no prédio. Para todos eles, o Cine Brasil é um lugar especial e sua permanência na cidade é motivo de contentamento, evocando lembranças que lhes são muito caras.

Atualmente, qual é a função daquele que já foi o maior cinema do país?
Hoje, o edifício abriga o Centro Cultural Cine Theatro Brasil Vallourec, instituição alinhada com as questões contemporâneas, que fomenta e promove o acesso à cultura em diversas linguagens artísticas, além de ter como uma de suas metas a divulgação desse patrimônio da cidade. As atividades não se resumem apenas a cinema e teatro. É, antes, um espaço capaz de divulgar várias manifestações culturais. A manutenção dessa função cultural é da maior relevância, posto que, inserido em um lugar estratégico, ele cria múltiplas possibilidades de acesso à cultura para variados públicos da cidade.

O que o Cine Brasil representa para você ?
Um símbolo de que a sociedade civil, poder público e instituições privadas são agentes fundamentais para a proteção da memória e dos bens culturais. A iniciativa de sua criação, em 1932, as manifestações da sociedade civil e dos órgão de patrimônio em favor de sua preservação nas décadas de 1980 e 1990 e, por fim, a restauração do edifício e sua transformação em Centro Cultural pela Vallourec, em 2013, representam ações bem sucedidas no sentido de atribuir à cultura a relevância que ela tem, assim como sua condição de área estratégica inserida na cadeia econômica e social do país.


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