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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Contando as horas pra rever o Cruzeiro, nosso eterno amor

Na sexta-feira, a Raposa vai finalmente se reencontrar com sua torcida, na partida contra o Confiança, no Mineirão


18/08/2021 04:00 - atualizado 18/08/2021 07:35

Maior patrimônio celeste, a torcida tem dia marcado para o reencontro com o Cruzeiro em sua casa, o Mineirão (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 8/4/18)
Maior patrimônio celeste, a torcida tem dia marcado para o reencontro com o Cruzeiro em sua casa, o Mineirão (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 8/4/18)

“Vai dar tempo de reagir”? Digo a verdade ou divago sobre o sonho? O returno do Campeonato Brasileiro se inicia trazendo essa dúvida, que, na verdade, anda dormindo comigo, de conchinha, há algumas noites frias e repletas de insônia.

O desempenho do Cruzeiro no primeiro turno foi lastimável e tão confuso o ponto de ser impossível ou desonesto apontar uma causa apenas para essa dura realidade. A retirada apenas em parte dos integrantes da organização criminosa de 2019; a devastação financeira dos cofres do clube; o açodamento em tentar resolver tudo a “ferro e fogo”; a falta de um plantel minimamente em condições de disputar qualquer competição em nível aceitável; os recorrentes atrasos de salários; o corpo mole de alguns jogadores por falta desses salários; empresários bandidos retaliando o clube pelo fim de esquemas antigos de corrupção; escolhas infelizes de técnicos e jogadores-refugos; os recorrentes erros de arbitragem; a falta da Nação Azul nas arquibancadas e a inexperiências de conselhos, gestores, diretores e presidentes para tocar o futebol. Houve ainda quem tenha defendido até mesmo acabar com o Cruzeiro e começar tudo de novo.

Ao logo de quase dois anos, foram se acumulando muitas causas, e nem assim citei todas elas. Mas o returno está aí. E por mais que a verdade tenda a estar ligada ao fato de ser impossível uma reação em pontos, vitórias e arrancadas até a pontuação necessária para alcançarmos o retorno à Série A, ser torcedor é um estado de espírito, ou seja, não combina com racionalidade. Números podem até mover outras torcidas, jamais a do Cruzeiro. A gente vai seguir gritando e fazendo desse amor incondicional o impulso para tentar lançar o nosso time à frente.

Na próxima sexta-feira, as contas bancárias do Cruzeiro continuarão sofrendo bloqueios. O plantel de jogadores medianos e refugos será o mesmo. A distância entre a nossa colocação na tabela e o G-4 ainda será galopante. Mas uma mudança é certa: o maior patrimônio do clube estará de volta às arquibancadas. Isso pode mudar o destino dessa história? Se sim, dará tempo?

Restam-nos 19 partidas, 19 chances, 19 dúvidas, mas, principalmente, 19 possibilidades de estar ao lado desse gigante machucado. Vou vestir o manto sagrado para encarar cada uma delas como se fosse minha última noite de amor.

Daqui a dois dias, o returno do Campeonato Brasileiro se inicia para o Cruzeiro. Não estaremos livres de todas as outras mazelas acumuladas desde o crime de 2019, mas também será uma noite de amor, pois estaremos de volta ao estádio construído para ser o palco do maior clube da história de Minas Gerais. Foram 527 dias de espera por esse reencontro. Dolorosas noites dormidas abraçadas à saudade. Mas nada pode ser maior do que a ansiedade por subir os degraus de concreto das arquibancadas.

Vai dar tempo de reagir? Pelo menos, na noite da próxima sexta-feira, no Gigante da Pampulha, vou nos permitir não pensar nisso. Muito provavelmente será o dia em que mais irei chorar, sorrir e gritar frases apaixonadas por esse meu eterno amor chamado Cruzeiro Esporte Clube.


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