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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Do orgulho de ser Palestra, o autêntico time dos trabalhadores

Nosso Cruzeiro foi fundado na esteira da efervescência social que moldava o Brasil da primeira metade do século passado


28/04/2021 04:00

De partida: o zagueiro Leo, um dos símbolos da raça celeste, está se despedindo do clube depois de 11 anos de serviços prestados (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 6/9/19)
De partida: o zagueiro Leo, um dos símbolos da raça celeste, está se despedindo do clube depois de 11 anos de serviços prestados (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 6/9/19)


Não fosse a já caricata posição de serviçal do Atlético (dos bilionários e banqueiros) de Lourdes, desempenhada pela Federação Mineira de Futebol, a escolha da partida entre Cruzeiro e América para o domingo, e não para o sábado (Dia do Trabalhador), poderia ser encarada até como uma homenagem à história do Palestra/Cruzeiro, reservando a folga de 1º de maio para o clube do Barro Preto, legítimo time fundado pelos trabalhadores de Belo Horizonte.

O Dia Internacional do Trabalhador remonta a 1886, quando houve uma greve geral de operários na cidade industrial de Chicago, nos Estados Unidos, por conta da exploração salarial e as jornadas absurdas de até 17 horas de batente.

No Brasil, a data só começa a ter significado mesmo a partir dos anos finais do século 19, quando a escravidão já estava abolida e a massa de trabalhadores passou a ser formada, prioritariamente, por ex-escravos, seus descendentes e pelos imigrantes europeus e japoneses, “importados” pela oligarquia e seus coronéis, nada afeitos à labuta.

Foi exatamente nesse período que negros e italianos formaram a mão de obra para a construção da nova capital de Minas Gerais: Belo Horizonte. Poucas décadas depois, nesse contexto social, era criada a Società Sportiva Palestra Italia. Fruto do desejo de pertencimento dessa classe trabalhadora formada por operários, pequenos comerciantes e autônomos. Imigrantes ou não, o povo do batente fundava um time para chamar de seu.

Do uniforme ao estádio. Do zagueiro ao segurança. Da guardiã Joanita a Plínio Barreto. Do porteiro ao goleiro. Do Alberto Rodrigues ao Jadir Ambrósio. Do armador ao motorista. Do jardineiro ao artilheiro. Do lateral ao cozinheiro. De Piazza a Salomé. Por todos os personagens e páginas da história do Palestra/Cruzeiro estão espalhados torcedores-trabalhadores, jogadores-operários.

O orgulho das mãos calejadas está em centenas de histórias relacionadas ao Time do Povo Mineiro. Um ícone é o “guarda-meta pedreiro”, Geraldo II, um dos maiores goleiros da nossa centenária história. Ele e outros tantos defenderam o Palestra/Cruzeiro dentro dos gramados e, fora dele, bateram pregos, amassaram cimento e assentaram tijolos para construir o estadinho do Barro Preto ou mesmo os muros da Toca da Raposa I.

Mas entre tantos personagens do time criado pelos trabalhadores, tomo a liberdade de saudar um em especial. Um moleque da cidade operária de Contagem. Torcedor apaixonado do Cruzeiro, que um dia subiu na boleia de um caminhão, pegando carona para tentar uma vaga de “trabalhador” no time de seu coração. E mesmo não sendo selecionado naquela entrevista de emprego em forma de peneirada, não desistiu de sua jornada.

Anos depois, já como um profissional de carreira bem-sucedida, o menino recebeu uma proposta de emprego vinda exatamente do Cruzeiro Esporte Clube. Era agosto de 2010. Naquele ano, a carteira de trabalho de Leonardo Renan Simões de Lacerda ganhava o carimbo de “admitido”.

Exatamente às vésperas de mais um Dia do Trabalhador, esse menino está em vias de ter a “baixa na carteira de trabalho”. O zagueiro Leo está se despedindo do Cruzeiro, mas transformando seus 11 anos de serviços prestados em mais uma linda página da história operária do Palestra/Cruzeiro.

Pelos Leos, Geraldos, Salomés e tantos outros torcedores-jogadores-operários, no próximo sábado, 1º de maio, Dia do Trabalhador, também se comemora o Dia dos Fundadores do Cruzeiro Esporte Clube.

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